11 de Março de 2010
Hoje acordei ás 5:30, que na santa terrinha corresponde a 4:30. Também é verdade que me deitei eram 22:30, mas aqui ao serão não tenho muito para fazer, e há dias em que me dá sono cedo.
Os sonhos que temos na vida tem a importância que têm. Uns mais outros menos. Quando era pequeno tenha um sonho recorrente. Um sonho de tal forma estruturado e estranho que o tinha todas as noites.
Nessa altura o que mais me surpreendia do meu sonho é que acordava sempre exactamente na mesma altura, no momento em que o camião do lixo passava na rua. Acordava por isso com o camião do lixo. Levantava-me, ia à casa de banho e depois retornava ao meu sono.
Na realidade, o sonho tinha mais características de pesadelo. Era um sonho de perda e de dor. Há custa deste sonho ainda a minha mãe me levou a um psicólogo. E claro que agora, olhando para trás, as coisas têm uma clareza que não tinham na altura. Esse pesadelo era a criança que sofria e os medos que tinha.
Agora em adulto vivo outra aventura nos meus sonhos, um sentimento de frustação e impotência que me pesa muito, principalmente nos sonhos. Há anos que tenho sempre o mesmo problema nos meus sonhos. Aliás dois tipos de problemas.
O primeiro é que sonho muitas vezes com armas. Mas este confesso que não me preocupa. Sei que tenho algo em mim de violento e um certo fascínio pela guerra, pelas armas, pela honra, pela vida e pela morte. Esta característica é algo que aceito com serenidade. Uma das minhas áreas da vida que preciso de dar sentido e resolver com o passar do tempo.
Desde que pequeno que gosto de filmes de guerra, que gosto de jogos de guerra. Como digo há algo que não sei de onde vem que em apaixona. Ás vezes pergunto-me de onde vem, de que vida, de que tempo, mas não me incomoda. Está cá dentro.
Mas o segundo problema é mais complicado. Nestes sonhos constantes e regulares sou portador de armas, tantas vezes para proteger, para me defender, para fazer o bem ou salvar alguma dama desesperada. Essas armas são sempre fantásticas, bonitas, reais, uma maravilha de ter e de usar.
Mas depois surge o problema. No momento em que realmente preciso delas, No instante em que as vou usar, em que me vou defender, ou salvar quem amo elas não funcionam. Ou não cortam, ou não disparam, ou não funcionam, ou não têm balas. Sei lá. Acontece de tudo.
E este sentimento de frustação, de incapacidade de proteger-me e proteger aqueles que amo é muito aflitivo. Fico sempre angustiado, aflito, desesperado, triste mesmo. Porque estas armas que carrego não funcionam. E então para que servem as armas quando não funcionam.
Tags: Armas, Crónicas, Sonhos
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