Galícia Confidencial – Este país não é para velhos

12 de Março de 2010

O Galícia Confidencial pediu-me uma vez para escrever sobre a situação de Angola actualmente. Por uma ou por outra razão nunca me sinto muito capaz de o fazer. Não leio notícias suficientes, não vejo noticiários suficientes, não me informo o suficiente. Normalmente aqui, aliás como também em Portugal apenas vivo. Confesso que sou sempre um pouco preconceituoso com os meios de comunicação social.

Podem ler o resto do post http://galiciaconfidencial.com/nova/5514.html

Bookmark and Share

Tags: , , , ,

As armas que carrego

11 de Março de 2010

Hoje acordei ás 5:30, que na santa terrinha corresponde a 4:30. Também é verdade que me deitei eram 22:30, mas aqui ao serão não tenho muito para fazer, e há dias em que me dá sono cedo.

Os sonhos que temos na vida tem a importância que têm. Uns mais outros menos. Quando era pequeno tenha um sonho recorrente. Um sonho de tal forma estruturado e estranho que o tinha todas as noites.

Nessa altura o que mais me surpreendia do meu sonho é que acordava sempre exactamente na mesma altura, no momento em que o camião do lixo passava na rua. Acordava por isso com o camião do lixo. Levantava-me, ia à casa de banho e depois retornava ao meu sono.

Na realidade, o sonho tinha mais características de pesadelo. Era um sonho de perda e de dor. Há custa deste sonho ainda a minha mãe me levou a um psicólogo. E claro que agora, olhando para trás, as coisas têm uma clareza que não tinham na altura. Esse pesadelo era a criança que sofria e os medos que tinha.

Agora em adulto vivo outra aventura nos meus sonhos, um sentimento de frustação e impotência que me pesa muito, principalmente nos sonhos. Há anos que tenho sempre o mesmo problema nos meus sonhos. Aliás dois tipos de problemas.

O primeiro é que sonho muitas vezes com armas. Mas este confesso que não me preocupa. Sei que tenho algo em mim de violento e um certo fascínio pela guerra, pelas armas, pela honra, pela vida e pela morte. Esta característica é algo que aceito com serenidade. Uma das minhas áreas da vida que preciso de dar sentido e resolver com o passar do tempo.

Desde que pequeno que gosto de filmes de guerra, que gosto de jogos de guerra. Como digo há algo que não sei de onde vem que em apaixona. Ás vezes pergunto-me de onde vem, de que vida, de que tempo, mas não me incomoda. Está cá dentro.

Mas o segundo problema é mais complicado. Nestes sonhos constantes e regulares sou portador de armas, tantas vezes para proteger, para me defender, para fazer o bem ou salvar alguma dama desesperada. Essas armas são sempre fantásticas, bonitas, reais, uma maravilha de ter e de usar.

Mas depois surge o problema. No momento em que realmente preciso delas, No instante em que as vou usar, em que me vou defender, ou salvar quem amo elas não funcionam. Ou não cortam, ou não disparam, ou não funcionam, ou não têm balas. Sei lá. Acontece de tudo.

E este sentimento de frustação, de incapacidade de proteger-me e proteger aqueles que amo é muito  aflitivo. Fico sempre angustiado, aflito, desesperado, triste mesmo. Porque estas armas que carrego não funcionam. E então para que servem as armas quando não funcionam.

Bookmark and Share

Tags: , ,

36 anos – Proposta para todos

9 de Março de 2010

Olá a todos. Aqueles que me conhecem melhor sabem que no dia 1 de Abril de 2010 vou fazer 36 anos. E os que me conhecem mesmo muito bem sabem que eu costumo ter a ousadia de pedir os meus presentes. Descobri que esta é uma forma óptima de ter o que quero e de facilitar quem não sabe o que me oferecer.

A minha amiga RP e eu temos trocado alguma correspondência. Ela envia-me cartas e eu respondo-lhe por email. A verdade é que contra todas as convicções as cartas têm chegado cá. E é uma alegria receber correspondência à moda antiga.

Para além disso tenho uma paixão um pouco compulsiva por fotografias de pessoas. Gosto de as ter, de as receber, de as coleccionar.

Daí surgiu o meu projecto: e se cada pessoa me enviasse uma carta pelo correio à moda antiga, com uma ou mais fotografias suas à moda antiga?

É muito simples: tiram uma foto vossa, imprimem ou mandam revelar a respectiva, e depois colocam-na num envelope com a seguinte morada:

Rua Gil da Liberdade 124,

Bairro Valodia,

Sambizanga

Luanda

Prometo que vou afixando as fotos na minha parede e vou tirando fotos da minha parede e colocando online para verem as fotos.

Não precisam de ser meus amigos para me enviarem a vossa foto, mas ficaramão (obrigado chato!) mais meus amigos se me a enviarem.

Vou ficar ansiosamente à espera.

Beijos e abraços a todos.

Bookmark and Share

Tags: , , ,

Sentimentos à flor da pele

9 de Março de 2010

Desde o passado sábado que os meus sentimentos andam a flor da pele. Isso significa mais lágrimas, mais inseguranças, mais solidão, mais confusão.

No sábado vi e vivi o acidente que não cheguei a ter. Isso assustou-me. Temi por mim, pelos meus amigos, pelo meu futuro, pelos meu amor, pelos meus filhos. Senti aquele peso que me faz pensar se vale a pena estar neste país onde a vida vale tão pouco.

Porque a minha vale-me muito. A minha vida é-me muito valiosa.

Estes sentimentos todos de perda e de dúvida transportam-se depois para todas as áreas da minha vida. As coisas no trabalho parecem correr menos bem, sinto que não confiam em mim, mas sei que são os meus fantasmas.

Até no amor fico mais inseguro. Ela por lá e eu por aqui. Vai aqui, vai ali. E se acha melhor? E se se cansa de esperar por mim? Neste momento importante da vida dela estamos a milhares de quilómetros. Os meus fantasmas pessoais.

Tantos ciúmes. Fico meio doente de ciúmes. Desde que comecei a partilhar a minha vida com a C. descobri os ciúmes. Não foi tanto uma descoberta como uma confirmação. Eu sabia que eles andavam por lá. Mas nunca os tinha visto tão claro e de perto.

Mas sei que estes ciúmes, como quase tudo, são fruto da minha cabeça, das minhas dúvidas, dos meus medos. E desde esse momento decidi não escolher o caminho mais fácil e menos eficiente.

Muita gente escolhe contar tudo ao outro. Outras pessoas combinam que só fazem o que o outro concordar, só se encontram ao almoço a sós com alguém, ou qualquer outro mecanismo de controle.

Escolhi não saber nada. Aliás digo-lhe muitas vezes que tenho ciúmes. Brinco com isso quanto posso. Mas digo-lhe também que não me conte com quem está, com quem esteve e o que fez. Ou que o faça quando lhe apetece. E uns dias conta e outros não conta. E umas vezes é fácil e outras difícil.

Esse exercício de confiança sou eu que tenho de o fazer. Acreditar em quem amo. Sem dúvida e sem desconfiança. Acreditar em mim, na C. e no nosso amor. Faça ela o que fizer e eu o que quiser. Porque na realidade ela é livre e a sua liberdade é algo que amo muito. Não lhe quero tentar tirar algo que é tão importante. E por que a minha também me é valiosa. E sei que para ela, fácil ou difícil, também a respeita.

Mas com os sentimentos à flor da pele é sempre difícil.

Bookmark and Share

Tags: , , , ,

Galícia Confidencial – As relações em Angola

5 de Março de 2010

Esta semana já tinha falado sobre a relação que os meus amigos Angolanos têm com o corpo. Alguém até mencionou que essa natureza se aproximava muito da brasileira.

Mesmo assim, porque sempre vivi em Portugal, numa cultura mais conservadora e reservada, fico sempre um pouco surpreendido com o que ouço falar por aqui. Mas é mais que isso, não é fácil acalmar um certo preconceito, talvez de natureza católica, que me coloca sempre num misto de excitação e repulsa pelo que fazem aqui e pela forma como o fazem.

Podem ler o resto do post http://galiciaconfidencial.com/nova/5457.html

Bookmark and Share

Tags: , , ,

Mais Tempo para Quê?

4 de Março de 2010

Hoje, na televisão, vi um documentário muito interessante. Falava do envelhecimento das mulheres e da forma como no futuro essa será cada vez uma questão mais importante. A pergunta, para mim, mais interessante era: Para que queremos nós viver sempre mais tempo se temos tanto medo de envelhecer?

As estatísticas são assustadoras; dois terços das pessoas com mais de 65 anos, nos Estados Unidos da América, são mulheres. E oitenta e sete por cento das cirurgias plásticas feitas são a mulheres.

Estes factos não só demonstram uma realidade que ainda não foi percebida e aceite como real, mas também um infinito mar de oportunidades comerciais para empresas com ou sem ética profissional.

Mas estas revoluções também fazem pensar sobre a importância e o peso que têm as relações. Sejam elas amorosas, sexuais ou corporais. Sejam elas homossexuais. heterossexuais ou mono-sexuais.

Se tantas mulheres vão estar sem homens da sua idade será cada vez mais provável que elas encontrem formas de amor entre si.

Mas há mais, depois de ver estas mulheres brilhantes a falar das suas questões vou descobrindo que realmente os mais velhos trazem uma sabedoria que não tem preço. Uma das senhoras, que tinha acabado de perder o marido, já numa cadeira de rodas dizia: não me atrevo a ter saudades do David, isso deixar-me-ia maluca, escolho em vez disso celebrar, a cada dia, o seu corpo e a sua mente. Sempre fui assim na vida, procurar viver cada momento com intensidade, abraçando o novo e descobrindo novas formas de estar e de ser.

São lições valiosas estas, de amarmos a nossa condição e de sempre abraçarmos o novo de coração aberto. Esta descoberta e esta aventura traz-me sempre de volta às minhas relações. E à forma como aqui em Angola a importância principal é a da forma física. Uma das senhoras dizia que na sua velhice percebia que aqueles que acham que ser um bom amante depende da forma física estão iludidos.

Nunca tive a forma física para viver tranquilo com essa perspectiva, e por isso talvez não tenha outra hipótese se não acreditar nisso. Que o amor físico ou espiritual vai muito para além da forma física e do tempo presente, da idade, da disposição.

Gosto de acreditar que podemos e devemos sempre amar, incondicionalmente. O momento e o tempo que vivemos, o corpo que temos, e acima de tudo celebrar as nossas relações e os nosso dias. Porque tudo muda e não sabemos quanto tempo teremos para cada coisa.

Afinal a idade que temos só depende de nós.

Bookmark and Share

Tags: , , ,

Sou um chato

2 de Março de 2010

Hoje na minha prisão favorita chego à conclusão que sou um chato. Não no sentido de ser um tipo aborrecido, mas no sentido de que gosto de coisas normais (em quase tudo).

Quando saí do restaurante ao almoço olhava para uma revista, e mais precisamente para a sua capa (que colocarei online um dia destes) e pensei: eu não pertenço a este mundo (sei que já o disse algumas vezes). Mas realmente não pertenço. E não é de agora.

Não gosto de sair à noite, gosto de acordar cedo, não gosto de discotecas e de confusão, gosto de me sentar na mesa com amigos e rir e comer coisas boas. E gosto depois de me poder deitar e adormecer. (Há trinta mil anos que sou sempre o primeiro a ir para casa). E além disso já sou especialista em dormir nos sofás das casas dos meus amigos.

Sou um chato, Não ligo nenhuma à moda, e à grande maioria das coisas novas e boas e importantes para tanta gente (pronto podemos tirar desta lista a tecnologia que gosto sempre da mais recente e mais moderna). Não gosto de padrões sejam eles o do belo ou do feio. Lembro-me de pensar nos meus colegas de liceu e achar que mesmo nos que não gostavam de ser desportistas ou estar na moda, também tinham algo de igual a todos os outros.

Sou um chato. Não uso óculos escuros, não visto roupa de marca, não me preocupo quase nada com o que pensam e acham de mim. Claro que gosto de me sentir bem, mas não é preciso muito. E chega a ser um exagero. Faço cerimónia a menos e não a mais, para grande incómodo da minha mãe e de amigos…

Sou um chato. Gosto do Stevie Wonder, do Sinatra, do Chico Buarque. E não gosto de Tecno, e de Transe e de todas essas músicas que não são melódicas. Faço colecções intermináveis de clássicos. Gosto dos clássicos. Gosto até de quase tudo. Mas preciso de melodia e de sentimento.

E por isso sou um chato. No país onde a moda e a aparência e o corpo são tão importantes fico sempre com a sensação que estou um pouco a margem. Hoje o meu ex-motorista e agora só e exclusivamente amigo L. passou cá por casa e entre tantas conversas diz-me assim. Queria que conhecesses uma amiga minha, porque eu falo-lhe de ti mas ela não acredita.

Juro que não percebi o que ele queria dizer, mas sei que sou uma ave rara. Um chato…

Bookmark and Share

Tags: , , , ,

Galícia Confidencial – Entre o amor e a dávida

24 de Fevereiro de 2010

Há uma diferença profunda entre sermos generosos e empenhados em ajudar os outros, e amá-los ou sermos amados.  No mundo existe uma espécie muito especial de pessoas que se dedica a ajudar os outros: poderíamos chamá-los de ajudadores compulsivos. Estas pessoas dedicam grande parte do tempo a fazer coisas, normalmente coisas para os outros. Na sua presença as pessoas que restam não precisam de fazer nada. Eles limpam, organizam, arrumam, tratam, cuidam, estimam. E não interessa bem quem possa ser: os amigos, os vizinhos, os pais, os filhos e até os desconhecidos.

Podem ler o resto do post http://galiciaconfidencial.com/nova/5418.html

Bookmark and Share

Tags: , , ,

Uma galinha ou uma mota

23 de Fevereiro de 2010

Curiosidades dos nossos amigos angolanos:

Hoje no carro, a voltar de um cliente, ia com o M. o novo motorista e o A. a falarmos. De repente, no meio da rua vemos passar três cabras: duas brancas e uma preta. Eu ri-me. Lembrei-me das imensas galinhas que já tinha visto também pelas ruas ao deus dará, mas que segundo me explicaram, têm donos. Além disso disseram-me que era perigosíssimo roubar galinhas ou mata-las para comer se não fossem nossas. Que os donos contratavam bruxos que nos podiam matar com feitiços.

O A. tinha acabado de me contar que lhe tinham roubado a mota. Mas não quando estava estacionado. Tinha parado numa curva, vários tipos noutras motas atacaram-no. Atiraram-no para o chão e levaram a mota dele. Aqui a violência física não é incomum. Roubam tudo: carros, motas, dinheiro, telemóvel, etc…

Ora de repente começo a pensar como é curioso que eles não têm medo de roubar e matar os outros angolanos, mas ninguém toca nos animais que andam na rua sem coleira nem indicação de propriedade.

Claro que ninguém rouba animais, disseram logo, podes morrer. Mas morres por roubar animais e não motas? Sim claro, responderam-me.

Porque os donos dos animais são pessoas velhas, e das motas são pessoas novas. Toda a gente sabe que as pessoas novas não são perigosas.

Depende de que lado do assalto é que se está, diria eu…

Bookmark and Share

Tags: , , ,

Galícia Confidencial – Sentimentos variados

22 de Fevereiro de 2010

Esta semana não é fácil escolher um tema sobre o que escrever. Por um lado estou a uma semana da partida para Luanda (Angola) por três meses, por outro lado o governo português (diz-se que) anda a tentar comprar tudo o que são meios de comunicação social, ainda estou também a pensar sobre o meu último workshop de Constelações Familiares, e por último estou a construir com a C. uma máscara para o Carnaval que dá muito trabalho misturado com prazer.

Podem ler o resto do post http://galiciaconfidencial.com/nova/5371.html

Bookmark and Share

Tags: , , , ,