O processo da escrita

20 de Março de 2010

Gosto de me ler, gosto de me ler quando o que escrevi já não me pertence. Gosto de me ler quando já não reconheço o que escrevi. Fico sempre surpreendido e entretido e ás vezes admirado. Umas vezes porque o que escrevo sinto-o com qualidade. Outras vezes porque acho a escrita repetitiva, sonhadora e um pouco aborrecida.

Mas gosto de me ler. Viajo pelos meus textos, principalmente os que tenho em http://bomtemponocanal.blogspot.com e aqui em http://www.bernardoramirez.com e gosto de ver o fio condutor dos meus textos. No Bom Tempo no Canal escrevi cerca de 350 crónicas, e aqui já atingi a centena.

Com a evolução da minha vida e de mim mesmo sinto que amadureci, e sinto que continuo centrado nos meus temas.

Alguém disse-me que tenho uma escrita única. Já várias pessoas me disseram que devia publicar o que escrevo, em particular, desde que comecei a escrever daqui de Angola. Curiosamente, sinto que aqui tenho mais tempo para escrever e para pensar e para sentir e se calhar é verdade. Mas ainda não me sinto pronto para procurar ou tentar publicar o que escrevo.

Hoje disseram-me que escrevo nu. Sempre despido e transparente. Também me sinto assim, e na minha transparência sou o que sou, para o bom e para o mau. Admitindo os meus sonhos e as minhas limitações. Gosto do que escrevo, e gosto de me ler, mesmo quanto tantas vezes falho o final. Deixo sempre o texto aberto e transparente, sem respostas ou explicações.

Sou impulsivo na minha escrita e apaixonado. Quando ouço o processo criativo de pessoas que escrevem fico sempre admirado com tempo e dedicação do trabalho que executam. A mim a escrita saí como uma torrente. Uma ideia, um instante, um pensamento aparece de repente em mim e tenho de o despejar para o teclado e para a escrita. Também é verdade que até agora não têm sido textos longos. São sempre mensagens curtas.

Na realidade é-me indiferente se é em papel ou no computador, o teclado só é mais fácil porque já estou habituado. Assim vai o derrame da escrita para o teclado e depois para o mundo. Porque para além de me ler, também gosto que me leiam.

A escrita para mim é um processo de verdade, de proximidade com o eu profundo, de oferta e de partilha, mas acima de tudo de transparência.

Convido-vos a lerem-me e a falarem do que lêem, e a dizer-me o que pensam o que sentem e o que acham da minha escrita. Estou sempre aqui para aprender convosco. E para partilhar o que aprendo. É muito bom.
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Pular a cerca

19 de Março de 2010

Hoje tive uma conversa muito curiosa com a minha querida amiga JC. Como sempre é maravilhoso falar com pessoas que, de fora, conseguem nos ajudar a perceber bem o que se passa por dentro. Na nossa conversa estávamos a falar das minhas dificuldades de relacionamento aqui em Angola e a tentar perceber o porquê.

Claramente o primeiro problema é uma questão de limites, que parece ser algo recorrente em mim. Em Portugal, e em quase tudo na minha vida, só consigo estar de duas formas, ou completamente, ou nem um bocadinho, Ainda me recordo de certa vez, enquanto fazia um curso de meditação no Estados Unidos, uma professora me ter dito que uma das minhas maiores qualidades é mergulhar inteiramente nas coisas, nas relações, nas aventuras e de me dar por inteiro.

Aqui em Angola o inteiro não funciona. É fundamental conhecer e respeitar as fronteiras. E sempre que necessário impô-las. Sou péssimo nisso. Quando dou por mim ou estou a ser frio de mais ou as pessoas já me estão a passar a ferro. Aqui fico sempre com a sensação que há uma agenda secreta, que há um qualquer interesse e isso impede-me de estar disponível e inteiro.

A minha amiga JC diz-me a certa altura que tenho de ser mais como eles, que tenho de me adaptar. Isso trouxe-me à memória algo muito forte do meu tempo de ensino secundário. Nessa altura vivia marginal ao mundo escolar. Não pertencia a grupo nenhum e sofria muito com isso. A minha mãe dizia-me muitas vezes que se eu me queria integrar com um grupo então o melhor era tentar ser como eles e fazer o que fosse possível para me adaptar.

Isso irritava-me muito. Especialmente porque sempre acreditei que temos de nos dar independentemente de como somos, e acima de tudo, não devemos nos adaptar aos outros para pertencer. Obviamente isto é uma impossibilidade prática, não somos herméticos ao que nos rodeia, mas algures nessa sopa tem de haver um meio termo.

Claro que temos de nos adaptar, claro que mudamos. Aliás quem me conhece e acompanha o meu processo, e até a minha escrita, percebe que as mudanças ocorrem e que estar aqui provoca mudanças. Mas essas mudanças têm de ocorrer pela razão certa, pela descoberta que proporcionam, ou pelo nosso auto-conhecimento, e não porque queremos pertencer, ser aceites ou amados.

Mas este movimento é tão forte tão forte que há pessoas que passam vidas a tentar-se libertar dele e muitas vezes é só isso que se trabalha em constelações familiares.

Para mim a grande diferença entre a infância e a vida adulta é que enquanto crianças escolhermos o percurso e as opções porque os outros querem, nos dizem, nos explicam. Ser adulto é assumir essas escolhas, e assumir a responsabilidade e poder dizer: eu vim por aqui porque decidi.

Ainda não encontrei o meu equilíbrio aqui em Angola, ás vezes pergunto-me se o irei encontrar, tantas vezes anseio pelo meu conforto de casa, da C., de tudo o que me é familiar e cómodo. Mas sei que escolhi o meu caminho e sei qual é a razão que me orienta. E essa é só minha.
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Pai segura-me firme

19 de Março de 2010

Pai segura-me firme.

Gosto de ti tanto. Ensinas-me no silêncio, ensinas-me na confiança, ensinas-me no respeito e nas partilhas.

Não somos bons para palavras faladas, mas somos abundantes em sentimentos.

Gosto de estar no teu colo, da forma como me seguras, gosto desse sentimento no meu coração, de saber que estás sempre aí, que estamos ligados e que há tanto de mim que é teu.

Obrigado por tudo, pela generosidade, pelas palavras, pela força, mesmo quando te custava tanto.

És o meu pai querido. E gosto que me segures firme.

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De quem é a culpa?

18 de Março de 2010

Este país onde agora resido, Angola, está carregado de muitas coisas, entre as quais a culpa. E como sabemos a culpa mora sempre ao lado.

Uma das coisas que aqui mais assisto é a esse processo extraordinário de colocar a responsabilidade da nossa própria vida nas mãos dos outros.

Numa conversa com o L. começámos a falar dos portugueses. Nunca tinha tido esta conversa com ele. Para o L. os portugueses são corruptos, gananciosos e violentos.

Claro que o meu primeiro instinto foi logo ficar ofendido e achar que o L. estava a ser injusto. No entanto, com mais paz, percebi que não tenho o direito de avaliar o olhar dele e o seu próprio sofrimento ou da sua família.

Mas quando lhe perguntei pelos líderes e poderosos Angolanos que hoje comandam o país ele respondeu: iguais aos portugueses, aprenderam com eles.

O meu amigo não é o primeiro e não será o último a culpar ou outros pelo estado das coisas. E a dizer que só os chefes podem mudar a vida de todos e do país. “O que é que eu posso fazer?”

Digo-te L. amigo: duas coisas são certas tudo muda e nada muda exactamente como queremos. Somos apenas uma célula de um imenso organismo.

E por isso te digo, podes mudar muito, podes respeitar os teus próximos, podes não roubar e ser generoso, podes não aceitar favores nem pedi-los, trabalhar com educação e respeito, viver com educação e respeito.

Mas, acima de tudo, ensinar isso aos teus filhos, ensinar por exemplo e com coragem.

E assim poder dizer: faço a minha parte e amanhã será um dia melhor.

Todos somos os maiores responsáveis por nós próprios.

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O Caminho Claro

17 de Março de 2010

Uma das coisas que aprendemos no nosso trabalho de Constelações é que todas as pessoas vivas se dirigem para um de dois sítios: para a vida ou para a morte.

Tanto uma escolha, como a outra, resultam do modo como a família de origem se relacionou com esse movimento. Muitas vezes, as pessoas que escolhem o percurso da morte fazem-no porque um dos seus progenitores teve uma morte prematura ou violenta. Ou podem ser os avós, os tios ou outros familiares. Em casos mais incomuns pode até ser a morte de um relacionamento anterior ao casamento dos pais.

Muitos vezes esse sentimento tão forte é inconsciente. A pessoa não reconhece o seu desejo. Pode ter uma doença fatal, ou estar sempre a sofrer acidentes. Pode até ter filhos, marido, família e trabalho. Esta dor é muito profunda e o desejo de estarmos perto de quem amamos igualmente forte.

Num processo terapêutico tradicional o terapeuta tenta normalmente encaminhar o cliente para a vida. Tentando psicologicamente e/ou emocionalmente encontrar razões com o cliente para o manter na vida. Por vezes isso resulta até na administração de fármacos.

Como constelador esse método não faz sentido para mim. Tenho visto algumas constelações onde muitas vezes as pessoas descobrem a sua vontade por viver. Outras vezes eles descobrem porque desejam a morte. Não cabe a mim constelador julgar a escolha e o caminho do cliente.

O meu trabalho, e para mim o das constelações familiares, é um de trazer luz às escolhas das pessoas, iluminar o caminho delas e assim permitir que façam uma decisão com consciência, com conhecimento.

Forçar alguém que caminha na vida a dirigir-se para a morte é tão violento como dirigir alguém para a vida que quer caminhar para a morte.

Celebro a vida em mim, mas respeito o caminho que escolhes. Profundamente…

PS: Há muito que não escrevia sobre constelações. Já tinha saudades.

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36 anos – Proposta para todos

16 de Março de 2010

Olá a todos. Aqueles que me conhecem melhor sabem que no dia 1 de Abril de 2010 vou fazer 36 anos. E os que me conhecem mesmo muito bem sabem que eu costumo ter a ousadia de pedir os meus presentes. Descobri que esta é uma forma óptima de ter o que quero e de facilitar quem não sabe o que me oferecer.

A minha amiga RP e eu temos trocado alguma correspondência. Ela envia-me cartas e eu respondo-lhe por email. A verdade é que contra todas as convicções as cartas têm chegado cá. E é uma alegria receber correspondência à moda antiga.

Para além disso tenho uma paixão um pouco compulsiva por fotografias de pessoas. Gosto de as ter, de as receber, de as coleccionar.

Daí surgiu o meu projecto: e se cada pessoa me enviasse uma carta pelo correio à moda antiga, com uma ou mais fotografias suas à moda antiga?

É muito simples: tiram uma foto vossa, imprimem ou mandam revelar a respectiva, e depois colocam-na num envelope com a seguinte morada:

Rua Gil da Liberdade 124,

Bairro Valodia,

Sambizanga

Luanda

Prometo que vou afixando as fotos na minha parede e vou tirando fotos da minha parede e colocando online para verem as fotos.

Não precisam de ser meus amigos para me enviarem a vossa foto, mas ficaramão (obrigado chato!) mais meus amigos se me a enviarem.

Vou ficar ansiosamente à espera.

Beijos e abraços a todos.

ESTADO INICIAL DA PAREDE A 16 DE MARÇO

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Terroristas Voadores

16 de Março de 2010

Detesto baratas. Posso dizê-lo já. Ao ponto de preferir correr na direcção contrária quando vejo uma. Vem desde os anais da história. Lembro-me de ser pequeno e da minha mãe toda encolhida me pedir ajuda para matar uma que estava no quarto. Escuso detalhes, mas digo-vos só que ganhei orgulhosamente essa batalha.

Quando fui viver para a nova casa no Estoril a garagem estava infestada de baratas. Na altura, sofria muito. Tinha sempre que acender as luzes e fugir sempre na direcção possível para escapar do ataque das 4 ou 5 baratas que me esperavam na garagem.

Felizmente, quando vim para Angola, no pátio, existia uma colónia de férias de baratas, particularmente nos cantos e debaixo dos baldes, mas tantas e tão “bonitas” que me tornei imune a essas pequenas criaturas. Tão imune que até a C., quando já de volta à minha garagem me dizia: Bem, estás mesmo diferente.

Sim agora era um duro. Agora não as temia, elas até são engraçadas e têm umas antenas giras…

Mas isto de Deus, ou o Cosmos, ou o Isso ter sentido de humor é lixado. Ontem ao caminhar pelo exterior dos quartos uma barata passou a voar ao meu lado. Mesmo ao meu lado. A voar!!! E depois quando já de volta dentro do quarto algumas continuaram a aterrar no lado exterior da janela.

E pronto, fiquei de tal forma em stress, que não conseguia ir para o quarto. Baratas voadoras? Só podem estar a gozar comigo. É que enquanto rastejam em câmara mais ou menos lenta dá para correr, para as pisar ou apenas para as ficar a ver andar de um lado para o outro.

Mas a voar, com a possibilidade de me aterrarem em cima, e de me tentarem comer as orelhas, ou os olhos. Há um limite razoável para o exercício de coragem. Sinceramente há desafios que preferia não ter de enfrentar. Sentido de humor Deus, mas não é preciso exagerar.

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A nossa querida Irmã Susana

12 de Março de 2010

Minha querida Susana,

Houve uma altura na minha vida em que me salvaste. Não o sabes, mas salvaste-me. A mim e a tantos outros. Estava em Faro, na fase final da minha adolescência e não conseguia encontrar grande sentido para a minha vida.

Mas tu apareceste. Querias juntar os jovens e fazer um grupo. Daqueles jovens da igreja da Sé que já não tinham mais catequese para fazer. E a ideia pareceu-me excelente. E fui com o R. bater à porta de toda a gente.

E foi lá que reencontrei a L. que viria a ser membro do grupo de jovens, que tinha andado comigo na escola primária, e que acabaria por ser a minha primeira namorada.

O grupo de jovens for maravilhoso. Fazíamos coisas, ajudávamos as pessoas. Tínhamos um grupo, e é tão bom ter um grupo.

Estávamos todos juntos, quase todos os dias. Éramos todos família. Sem medos, sem tabus, sempre com a capacidade de falar de tudo e sobre tudo.

No meu coração ficam as tuas preocupações com a ecologia, com o respeito pelo nosso corpo. A nossa viagem a Fátima e todo o amor e serenidade que sempre tinhas para nos oferecer.

Hoje a L. ligou-me para me dizer que partiste. Não tenho dúvidas que o céu te recebeu de braços abertos. Se alguém o merece és tu. Tinhas 76 anos e doas-te o teu corpo para a ciência.

Desculpa, mas vou ficar com um bocadinho de ti em mim para sempre. E este não pode ir para a ciência. Ensinaste-me tanta coisa. E preciso do que aprendi.

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Galícia Confidencial – Este país não é para velhos

12 de Março de 2010

O Galícia Confidencial pediu-me uma vez para escrever sobre a situação de Angola actualmente. Por uma ou por outra razão nunca me sinto muito capaz de o fazer. Não leio notícias suficientes, não vejo noticiários suficientes, não me informo o suficiente. Normalmente aqui, aliás como também em Portugal apenas vivo. Confesso que sou sempre um pouco preconceituoso com os meios de comunicação social.

Podem ler o resto do post http://galiciaconfidencial.com/nova/5514.html

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As armas que carrego

11 de Março de 2010

Hoje acordei ás 5:30, que na santa terrinha corresponde a 4:30. Também é verdade que me deitei eram 22:30, mas aqui ao serão não tenho muito para fazer, e há dias em que me dá sono cedo.

Os sonhos que temos na vida tem a importância que têm. Uns mais outros menos. Quando era pequeno tenha um sonho recorrente. Um sonho de tal forma estruturado e estranho que o tinha todas as noites.

Nessa altura o que mais me surpreendia do meu sonho é que acordava sempre exactamente na mesma altura, no momento em que o camião do lixo passava na rua. Acordava por isso com o camião do lixo. Levantava-me, ia à casa de banho e depois retornava ao meu sono.

Na realidade, o sonho tinha mais características de pesadelo. Era um sonho de perda e de dor. Há custa deste sonho ainda a minha mãe me levou a um psicólogo. E claro que agora, olhando para trás, as coisas têm uma clareza que não tinham na altura. Esse pesadelo era a criança que sofria e os medos que tinha.

Agora em adulto vivo outra aventura nos meus sonhos, um sentimento de frustação e impotência que me pesa muito, principalmente nos sonhos. Há anos que tenho sempre o mesmo problema nos meus sonhos. Aliás dois tipos de problemas.

O primeiro é que sonho muitas vezes com armas. Mas este confesso que não me preocupa. Sei que tenho algo em mim de violento e um certo fascínio pela guerra, pelas armas, pela honra, pela vida e pela morte. Esta característica é algo que aceito com serenidade. Uma das minhas áreas da vida que preciso de dar sentido e resolver com o passar do tempo.

Desde que pequeno que gosto de filmes de guerra, que gosto de jogos de guerra. Como digo há algo que não sei de onde vem que em apaixona. Ás vezes pergunto-me de onde vem, de que vida, de que tempo, mas não me incomoda. Está cá dentro.

Mas o segundo problema é mais complicado. Nestes sonhos constantes e regulares sou portador de armas, tantas vezes para proteger, para me defender, para fazer o bem ou salvar alguma dama desesperada. Essas armas são sempre fantásticas, bonitas, reais, uma maravilha de ter e de usar.

Mas depois surge o problema. No momento em que realmente preciso delas, No instante em que as vou usar, em que me vou defender, ou salvar quem amo elas não funcionam. Ou não cortam, ou não disparam, ou não funcionam, ou não têm balas. Sei lá. Acontece de tudo.

E este sentimento de frustação, de incapacidade de proteger-me e proteger aqueles que amo é muito  aflitivo. Fico sempre angustiado, aflito, desesperado, triste mesmo. Porque estas armas que carrego não funcionam. E então para que servem as armas quando não funcionam.

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