As Singularidades de Um Rapaz Português em Angola

Viva a normalidade. Viva a normalidade, tanto quanto Angola, e mais precisamente Luanda me permitem.

Ontem o meu primo G., que vive cá há 7 anos, convidou-me para jantar com amigos. Todos homens, todos portugueses, e apesar de não os conhecer tínhamos algo muito forte em comum: viver em Angola. Foi muito engraçado ouvir histórias de acidentes, de incidentes, de dúvidas, frustrações a alegrias destes meus co-expatriados. Seguranças ladrões, acidentes de automóvel, sítios bonitos para se ir, de tudo um pouco.

Fomos comer num restaurante de um Português e comemos lindamente. O meu bife da vazia estava manteiga. Sim não foi barato, mas precisamos destes luxos.

Depois de jantar fomos a um bar chamado Trica-Espinhas onde também estivemos muito bem. Confesso que nessa altura já estava um pouco cansado. E estar no meio dos engenheiros e malta da construção tem as suas contra indicações. Vigas, pilastras, alçados, pés direitos, betões e tudo o mais … Chinês na realidade para o português não obreiro. E sim, também se falou muito de chineses que aqui há aos montes.

Para casa fui de boleia com um amigo do meu primo, a sua esposa e uma sobrinha que entretanto tinha aparecido no bar. Chegados à porta da minha casa o portão estava pela primeira vez fechado. Nunca o tinha visto fechado. A rua vazia e silenciosa. Bati com suavidade no portão. Esperei e nada. Bati um pouco mais forte. Esperei e nada. Gritei o nome do segurança. Esperei e nada. Espreitei por cima do muro e no sítio onde sei que eles dormem a porta estava fechada e só silêncio. A minha boleia buzinou, eu gritei. Nada.

Diz-me o amigo do meu primo. O melhor é saltar para cima do gerador, por cima do muro e entrar. Eu expliquei-lhe que o meu forte era mais dizer piadas, ou ficar sossegado, que saltar não era nada bom. E que o segurança tinha uma metralhadora. Sim… Já vos tinha dito?

A mulher dele, magrinha, disse logo eu pulo num instante. E num instante pulou, abriu o portão. Saiu ela, entrei eu.

Tentei fechar o portão e também não conseguia. No meio da escuridão tinha encravado. Lá consegui. Resumidamente estive 10 minutos há volta do portão, a saltar o portão, a fazer barulho no portão. E os cães a ladrar feitos doidos com a confusão.

E o meu segurança? E os seguranças das casas ao lado?

Também gostava de saber. Mas alguém tem de guardar o sono…

5 Responses to As Singularidades de Um Rapaz Português em Angola
  1. Gonçalo
    Setembro 11, 2009 | 15:55

    Caro Primo

    Mais interessante que desfrutar, mais uma vez da tua companhia ontem há noite, tem sido “descobri-te”. Engraçado não é? Primos desde a tua concepção, já lá vai algum tempo e ainda não nos conhecíamos verdadeiramente. E agora confesso-me espantado. Como foi possível passarmos este tempo todo sem conversarmos um pouco mais e conhecermo-nos melhor. Alguma diferença de idade, o facto de habitualmente nos encontrarmos rodeados de mais uns 130 familiares também não ajuda e a oportunidade que só agora surgiu, talvez sejam as desculpas que tenho para não te ter descoberto antes. Já te conhecia como um rapaz “bonito”, bom e sensível e descubro agora que és um tipo muito interessante, aventureiro e corajoso. Estás a ir muito bem, esse turbilhão na tua cabeça com altos e baixos fazem parte da adaptação normal a esta nova realidade que escolheste para a tua vida. Em breve verás os sinais de trânsito de Luanda, que afinal existem :) , e da mesma forma verás de outra perspectiva as tuas vivências em Luanda. Agora são como setas a ferirem-te a razão, em breve serão engraçadas histórias para blogar. Difícil é e vai continuar a ser, o segredo é motivarmo-nos com as vitórias e não nos deixar abalar com as derrotas e fazer o que tens feito muito bem, tirar de tudo uma aprendizagem que faz de nós mais sábios e mais capazes.
    Parabéns pela página, ganhas-te mais um adepto.

    Gonçalo

    ps: Aparece hoje para jantar lá em casa. Ainda não sei o que vou fazer para o jantar, mas arranjaremos qualquer coisa.

  2. Margarida
    Setembro 11, 2009 | 16:50

    Gosto imenso de saber as tuas aventuras nessa terra mãe, África.
    Sempre gostei de filmes passados em África. Tu dás-me uma outra perspectiva, menos romanesca; ainda assim, bela e genuína.
    Estás de parabéns! Tens espirito positivo de aventura e estás a sair-te muito bem!
    Abraço,
    Margarida. :)

  3. angeloflight21
    Setembro 11, 2009 | 17:57

    Olá priminho!

    Que bom que te reuniste com alguém da família… provavelmente da parte Ramirez e não Mansilha, creio eu.

    Mais uma das tuas peripécias em Luanda com um desfecho daqueles a que já nos habituámos – a rir à gargalhada! Força.

    Beijinhos de Amor e Luz,
    Ritinha

  4. Luisa
    Setembro 14, 2009 | 18:12

    Hilariante! Já estou a ver a tua cara quando sugeriram para saltares o portão. E, já soubeste o que aconteceu para estar tudo fechado? Tens de dar seguimento ao episódio ;)

    Bjs grandes,

    Luísa

  5. Bernardo Ramirez
    Setembro 14, 2009 | 18:15

    Bem, no dia seguinte disse ao segurança: – A. afinal o que se passou ontem?
    Ao que ele respondeu logo: – Saltou o muro não foi? O patrão não devia sair à noite.
    Eu: O quê? Tás a brincar? Eu vou quando quero e onde quero. E tu tens de estar atento e guardar a casa. Tal como eu saltei podem saltar todos e o teu trabalho não é me dizeres se devo ou não sair, é guardar esta casa, as pessoas e as coisas.

    Mas acho que não entendeu. Vai ter de ir. Mas continuo desconfiado que os próximos não serão muito melhores. Já vos disse que eles têm metralhadoras? Medo, muito medo…

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