Aventuras quero mais
27 de Agosto de 2009 | por Bernardo Ramirez |
Porque brincar é preciso
Hoje, desde que acordei, vem-me à memória aquela música dos Ban que diz: “Aventura quero mais”. Sempre fui assim. De correr riscos, de mergulhar de cabeça no desconhecido. E de celebrar os resultados e as consequências
Claro que nem sempre o resultados são maravilhosos ou fáceis. Mas viver para mim é mesmo isso.
Aqui em Luanda as coisas têm um ritmo diferente. Não é fácil de explicar ou de entender, mas penso muitas vezes que em Portugal as coisas não eram diferentes. Se calhar, nos anos 60 ou 70 o nosso país não era tão diferente. Claro que eles “acabaram” de sair de décadas de guerra e de destruição. Claro que existem em quantidades que o nosso país nunca teve.
Pelo que já me disseram aqui em Luanda são cerca de seis milhões, para uma cidade que tinha sido feita para seiscentos mil.
Mas eles vivem e sabem viver. Há uma alegria na alma deles que contagia, que dá força e que anima.
Só mesmo assim se pode viver. Os sorrisos são precisos. Para eles está tudo sempre bem, e qualquer coisa é motivo de celebração. Quando volta a luz, quando falta a luz, quando lhes dão algo para comer.
As prioridades são diferentes. Fala-se do crime, do roubo, da poluição. Mas toda a gente tem de comer, essa é a primeira prioridade. E se falta comida então faz-se o que se pode para se conseguir comer. Para nós e para os nossos.
Eles vão encontrando formas inteligentes e desenrascadas de resolver esses problemas. Uma delas é arranjar empregos para as coisas mais incríveis. Nem que seja para ficaram na porta do café a fechar a porta quando os clientes entram.
Por outro lado, esta cidade vive do comércio de rua. Já me tinham dito que se vende tudo na rua. Mas não tinha noção do quanto assim é. Na rua não se paga impostos. Não se paga renda. Nas filas intermináveis de trânsito há sempre milhares de pessoas a vender de tudo. Desde pastilhas e jornais, até cadeiras, móveis, telemóveis e fichas eléctricas.
E depois vem a polícia e eles correm para o outro lado da rua. (Onde é que será que já vimos isto?)
Faz tudo parte. E é preciso ter calma, acima de tudo não dar o corpo pela alma.
De Luanda com Amor.
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Um Comentário a “Aventuras quero mais”
Por isabelle a 27 de Ago, 2010 | Responder
gostei desta tua experienciação de contador interveniente e também como expectador, desta dualidade.
abraço.