Condição Humana

28 de Outubro de 2009 | por Bernardo Ramirez |

As vezes vejo coisas que não sei explicar, ou que não consigo explicar. Hoje falava com uma amiga brasileira que me contava ter um dia encontrado uma pessoa e que não sabia garantir se realmente o encontro tinha acontecido. Até hoje não tinha a certeza.

Para tantos pode parecer estranho, mas a verdade é que há tanto mais para ver do que aquilo que os olhos nos apresentam. É assim que me sinto tantas vezes. Por vezes perguntam como sei, ou como vejo, ou como percebo e não sei explicar. Sinto. O bom e o mau.

Ás vezes é estranho, porque a pessoa ou pessoas do meu lado não entendem a minha fúria, não entende a minha revolta. Porque o que se passa não é nada forte, ou incomum ou significativo.

Se calhar vejo demais, ou revolto-me demais. Posso ter vindo aprender isso: a ter a serenidade de aceitar o presente. Não é o forte. Aqui no país do “ainda”, onde as pessoas têm óbitos, ou onde a televisão apresenta ou não apresenta.

Vejo para além do real. Ao ponto do estranho que vejo ser tão estranho que pode ser loucura o que vejo. Ou seremos todos assim?

Tento explicar aos meus conhecidos angolanos esta peculariedade de sermos tão próximos e tão diferentes que dificulta muito as relações. Quando somos totalmente diferentes. Mas quando parecemos idênticos e somos diferentes, então é mais díficil.

Mas vejo tanto nesta gente. Tanta força, tanta vontade, tanto amor, tanta alegria, tanta generosidade. Se um país se medisse em termos de desenvolvimentos pela quantidade de pessoas com deficiências, então Angola estaria muito atrasado, mas se medisse pela capacidade de ajudar o próximo, então provavelmente estaria muito bem colocado.

Porque no meio do que se vê há o que fica para além do olhar. Que não é sempre fácil. Mas que é sempre presente, e transparente.
Complexa esta nossa condição de sermos humanos.

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  1. 3 Comentários a “Condição Humana”

  2. Por angeloflight21 a 28 de Out, 2009 | Responder

    Olá primo, tenho tido pouco tempo para vir até aqui… mas continuo a adorar ter notícias tuas. Desculpa a minha ausência, mas não tem sido fácil estes últimos tempos…

    Tudo de bom para ti e espero dar-te um enorme abraço quando estiveres por cá outra vez… penso que será brevemente.

    Beijinhos de Amor e Luz,
    Ritinha

  3. Por elvina rosa a 29 de Out, 2009 | Responder

    Falas sobre o teu olhar, do que vês com os teus olhos e do que vês com o teu coração. Falas,sentimos-te e compreendemos-te.
    Será que já te interrogaste (ou perguntaste) o que os outros vêem no “branco” que lhes apareceu pela frente? O que esperavam/esperam dele? bj mãe

  4. Por Ana a 12 de Fev, 2010 | Responder

    Como tu também vejo demais mais prefiro ficar calada e deixar que as pessoas pensem que não vi, que não sei, que não oiço. Não te revoltes porque não vale a pena. Como diz a sra sua Mãe se calhar eles não estão preparados para o que o “branco” que lhes aparece pela frente trouxe:-)

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