Nâo sou amigo do Consolo. Perdoem-me aqueles que aqui vêm em exclusivo procurar notícias e histórias de Angola, mas o “escritor” é mais que esta pessoa aqui em Luanda, e quem já foi ao Bom Tempo no Canal, vai descobrir que há muita coisa sobre a qual gosto de escrever. E hoje apeteceu-me o Consolo.
Desde que cheguei e ando a escrever sobre a minha vida aqui, tenho descrito, como consigo e me apetece, as minhas aventuras. Claro que, como devem saber, algumas delas têm sido experiências dolorosas, solitárias e até tristes, como também tenho vivido experiências, divertidas, alegres e ousadas.
No entanto, ao ler os comentários que vou recebendo de todo o lado (e uma vez mais vos agradeço pelo carinho e atenção que vos mereço), confesso que tal como há comentários que me deliciam, há outros que me atrapalham. Claro que é como as minhas histórias. Às vezes gostam, outras vezes nem ligam, outras vezes não gostam. Também ás vezes não gosto do que escrevo.
Ora lendo esses comentários tentava perceber o que me incomoda, mais para me conhecer e perceber, do que propriamente pelos comentários em si. E não sei explicar o resultado. Ou seja, sei desde sempre que não gosto da pena, não gosto da expressão da pena, por mim ou seja por quem for. Não gosto de condescendências, nem paternalidades excessivas. Tenho uma amiga que dizia: “Coitado é corno”.
Mas o Consolo é algo de indefinido. Há muito tempo um amigo perguntou-me porque escrevia num blog. Ao que respondi porque gosto de escrever, mas também porque gosto que me leiam. Ainda é assim. E neste processo o consolo atrapalha-me. Não aprecio palavras de colo e de carinho em excesso, mas por outro lado tantas vezes anseio pelo afecto e pelo apoio às minhas birras e tristezas.
Ontem dizia à minha mãe, o melhor presente que me podem dar é saber que me lêem, que têm o prazer e o desejo de participar nesta viagem comigo. E não há nada que me dê mais consolo.
Ehehehehe como te entendo,somos uns mimalhos
Se recebemos em excesso não gostamos, se não recebemos mimos sentimos falta e “refilamos”
Gosto de te ler, continua a partilhar.
Beijooooo
Para que te sintas consoladinho e feliz fica a saber que te leio, releio e te dou a ler
Priminho, se não lesse o que aqui escreves, não deixaria por certo nenhum comentário. Ando por muitos sítios aqui na net e apenas leio e nada deixo escrito. Mas aqui faço questão de deixar umas palavras para saberes que estou contigo “aí”… de coração. “Embarquei” contigo nesta aventura! E fioa sabendo que não sou a única. O Miguel TODOS OS DIAS pergunta: «Novidades do Indiana Jones, há?». É assim que ele te chama. Por isso, estás connosco, assim como nós estamos contigo, sempre, com consolo ou com marretadas…hehehe…
Beijinhos de Amor e Luz,
Ritinha
Gostei muito do teu texto de hoje, Bê.
A experiência aí é exigente, mas foi um escolha (mais ou menos) consciente tua. Sabias que haveria dificuldades, deparaste-te com elas e resolveste partilhá-las connosco; bem como as alegrias e descobertas do povo e da terra.
Só te podemos agradecer a partilha.
Porque mesmo quem aí vai por 2 ou 3 semanas a trabalho, não sabe o que isso é “a tempo inteiro”. Passa por um hotel, onde não tem todos os luxos da Europa Ocidental, mas não passa 3 ou 4 dias sem água e luz assim que chega a casa, não fica afastado dos amigos, da familia e da mulher/namorada assim tanto tempo quanto isso, não tem tempo para se sentir “preso” dentro de casa, e com sorte deparam-se e confrontam-se com o ritmo de trabalho dos angolanos e com as solicitações europeias. Já é qualquer coisa…
Por outro lado tb não têm tempo (e às vezes nem vontade) de ir aos mercados, de ir às praias, de sair de Luanda, e acima de tudo de perceber e respeitar a cultura e o povo local.
De todas as experiências que vou ouvindo falar, há sempre uma prepotência meio irritante, quais colonizadorzinhos com o rei na barriga…
E no meio de tudo isto, acho que só te podemos agradecer. A tua experiência HUMANA em Angola, a simplicidade com que vives as circunstâncias, as solicitações e as privações.
Não temos pena de ti Bernardo, acho que aquilo que passa nos comentários é esta pensamento: muitos de nós não sabemos se teriamos perfil para ir até aí e bem mais que isso, se nos aguentarmo-nos-iamos por aí tanto tempo. Não é à toa que tantos voltam…
Beijos de quem vive a aventura do lado “mais fácil” e acomodado…
Depois de ler o Consolo ficamos com a sensação de estar diante de uma luta causada pela “necessidade de satisfação de um desejo profundo” e a “repressão” de que é objecto por parte de uma “moral exterior” (chamemos-lhe assim, hehe), luta que pode desembocar no “sentimento de culpa” após o atrevimento da sua consumação…
Mas quem sabe não teria razão Karl Kraus quando dizia: “a psicanálise é essa doença de espírito que se considera, ela mesma, o seu remédio”…
um abraço amigo!
Como eu te percebo… Essa dicotomia entre querer colo, mas não demasiadas festas na cabeça… E essa coisa que nos enerva de querermos carinho, parece que nos tira a independência que tanto lutamos para conquistar…
Esta é uma das imensas coisas que tem assolado os meus pensamentos, porque deve haver uma parte de mim escondida que eu ainda não descobri…
E depois pensei: Mas afinal quem sou eu sem os outros? Só a Paula só…
Obrigada por me levares na tua aventura e na tua viagem…
Aquele abraço apertado que corta a respiração e um beijo grande de Barcelos.
Como boa amiga brasileira, tenho uma resposta pra vc… Mas o problema é que talvez vc não entenda, justamente por não ser brasileiro. Mas um bom amigo brasileiro, um amigo de verdade, daqueles que dá a vida pela amizade, mandaria você tomar naquele lugar!
Se isto te servir de consolo (…hehehe…) já li este post 3 vezes (uma por dia) e estou à espera das novidades fresquinhas… por certo amanhã!
Beijinhos e dorme bem,
Ritinha
Consolo é o marido da Consola? É uma versão masculina e adulta daquela coisa para jogar? Fiquei na dúvida. Ou será alguma coisa com solo!? Ora, gaita, agora estou aqui embrulhada. Consolo? Consolo? Casulo? Azul? Este post transferiu-me alguma confusão. Ou será que fui que transmiti ao post? Bem, vou consolar-me com doces e cobertores, visto que estou sozinha e não há nenhum colinho para mim, com a mãozinha passando pelos meus cabelos, dizendo “Eu… com Sol… te”