Doí-me o Coração

Tenho o coração partido. Não o sei explicar melhor. Uma parte imensa de mim quer voltar. Quer abraçar de volta o que deixou em Portugal. A companheira, amante, mulher, a família, os amigos, e todas as coisas materiais e imateriais que tanto estimo e que me importam.

Mas tenho o coração partido. Dilacerado. Há mais de uma semana que não consigo dormir. Sobressaltado. Assustado. Inquieto. Solitário.

Tenho o coração partido. Agora que falta tão pouco para ir. Temo não voltar. Temo perder o amor que deixo aqui. O meu amigo e motorista L., a voz da minha consciência, o meu companheiro, a minha criança interior.

Os meus colegas J. e A. com quem passei tanto tempo. E todas as outras pessoas que aprendi a amar aqui.

Amo este país confuso, caótico, sujo, quente, alegre, vivo, jovem, inconsciente.

Amo as pessoas e o seu coração. A inquietudo e a aventura de estarem vivos.

Temo não voltar, temo não os voltar a ver, não voltar a sentir o cheiro e o calor. Não conhecer os lugares e os amigos dos amigos. Não comer marisco na praia, não dançar no clube.

Tenho medo de não me quererem mais aqui, ou de eu não me querer mais aqui.

É como se tivesse chegado à porta, olhado para dentro e agora que estou prestes a entrar volto de novo para Portugal.

Doí-me o coração de estar partido. Não é uma dor má. Mas doí e confude-me e silencia-me.

5 Responses to Doí-me o Coração
  1. elvina rosa
    Novembro 5, 2009 | 18:29

    Um coração partido é sinal de muito amor para dar. Bj mãe

  2. Bernardo Ramirez
    Novembro 5, 2009 | 19:14

    Obrigado Mãe, é bom saber que sabem como nos sentimos.

  3. Raquel
    Novembro 10, 2009 | 10:52

    Não tenha medo. Eu voltei, senti muita falta de São Paulo, mas foi aqui que as coisas aconteceram para mim. Inclusive tenho uma bela surpresa para você, vai adorar saber o que me aconteceu. bjos

  4. Ana
    Fevereiro 12, 2010 | 10:34

    Engraçado…ou melhor, engraçada, essa sua dor:-) Coragem!

  5. Isabel Silva
    Fevereiro 23, 2010 | 10:49

    Olà Bernardo:) Como gostaria de ver a cidade que deixei à alguns anos, sentir cheiros cores da “Terra” onde nasci cresci e me viu crescer. Tenho no meu coração e nos meus olhos de criança boas recordações! Mas também tenho a recordação da guerra da destruição….. que confuso p uma criança ver e sentir tudo o que deixei.
    Espero Desejo que Angola cresça Sá
    Segue o teu Bom Caminho Abraço Luz

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