Domingos em Família
16 de Setembro de 2009 | por Bernardo Ramirez |
Em Portugal, na minha vida, como julgo em muitas, há a eterna tradição do Domingo em Família. Como vivi grande parte da minha vida com a minha mãe, esses Domingos resumiam-se a missa, almoço e passeio da tarde, e pouco a pouco, foi-se reduzindo ao essencial Almoço de Família. A minha mãe e eu.
Aqui em Luanda, como já contei, tenho um primo, o G.. E antes de partir de Lisboa para cá o meu tio tinha-me dito que a filha dele M. e o marido A. vinham cá em férias. Com o passar do tempo e com a falta de informação da M. sobre a vinda, fui interiormente concluindo que eles não viriam.
A verdade é que chegaram os dois para ficar em casa do G., num sábado de madrugada, e ficou logo combinado que no Domingo iríamos passear todos (o G. e a M., meus primos, o A. marido da M. e a minha colega P.). Eu iria a conduzir e como o carro do G. é pequeno íamos no da minha empresa.
Tudo bem. Chegados a Domingo, o único dia de semana onde não há “tantos” engarrafamentos lá partimos para sul. Sem nenhuma ideia fixa, mas sabendo bem que queríamos algo que soubesse a férias e descanso. Confesso que o meu carro me deixava meio desconfiado, por todas as razões, mas era o que havia e não ia abdicar das minhas viagens.
Para acompanharem as viagens e os locais em Luanda podem ver este mapa que tenho estado a montar com calma: Angola by Guadiana Ramirez e podem também ver as fotos que vou tirando aqui: http://www.flickr.com/photos/bramirez/
Começámos na Ilha do Mussulo que fica no km42 (que podem ver no mapa). Na viagem já tínhamos visto muitas casas na baía, mas o meu primo G. explicou que os Angolanos adoram a água tranquila e quente da baía. Que se juntam todos e vão para lá ao sábado e ao domingo, comer, beber, ouvir música e preguiçar. Quem é que não gosta?
No caminho da ilha já não há alcatrão. Apenas caminhos de terra batida, e muitos buracos. Graças a deus pelo RAV4. Lá fomos nós. No meio das vacas, das cabras, das pequenas e poucas habitações. Depois de meia hora ao volante chegámos a um povo com mais pessoas. Resolvemos aventurar o Rav4 pela areia pela primeira vez, e pela primeira vez ficámos atolados. Descobrimos que o carro não era 4 por 4 e por isso o projecto de visitar a praia na ilha tinha de ficar congelado.
Logo apareceram montes de crianças e adultos. Os adultos queriam ajudar, mas depois tínhamos de os ajudar a eles. As crianças iam jogando à bola com a P. Foram 2 minutos para tirar o carro. Negociar a gasosa e partir. Ainda quiseram invocar o “mais velho” porque não estavam satisfeitos com o valor, mas o mais velho deu autorização para irmos todos em paz e lá voltámos para trás.
Parámos na Barra do Kwanza, ou melhor dizendo numa praia antes da barra propriamente dita. Havia uma ponte com portagem e o meu primo achava que já tínhamos avançado demais. Fomos para a um restaurante com piscina e lá ficámos a beber uma Cuca. O almoço era 5500 kwanzas por pessoa pelo que recusámos o convite. Eles adoram buffet e cobrar de mais.
Depois de uns telefonemas lá descobrimos que Cabo Ledo era mais para sul e seguimos. Foram quase 110 km até chegar. A paisagem muito parecida com o Algarve. Deserto e vazio, com terra vermelha, sem nada ao redor. Seco. Mas as árvores bem diferentes das algarvias.
Numa descida inclinada vimos uma tabuleta mínima e lá descobrimos o caminho para Cabo Ledo. Finalmente mar e praia de perto. Cabo Ledo é uma vila piscatória com alguns empreendimentos turísticos. Fomos para ao Restaurante do Queiroz que o meu primo conhecia. Foi a primeira vez em que me senti verdadeiramente feliz aqui. Feliz no sentido de estar num sítio bonito, onde a água e o aspecto me traziam memórias de infância e de casa, onde a companhia era agradável e o sol está no céu.
Comemos tranquilamente, ao ritmo que só quem vem cá sabe como é, falámos, tomei um belo banho de mar, e o primeiro do ano. Andei na areia, dormi na toalha e por volta das cinco regressámos.
No caminho de volta ainda parámos no Miradouro da Lua que tem uma paisagem surpreendente. (vejam as fotos).
Mas o que me fica deste belo dia é que realmente o nosso mar, este enorme atlântico, aproxima-nos mais do que nos afasta e traz com ele um gostinho de casa.
Tenho saudades de casa muitas vezes e vocês aí dão-me a alegria e a força para cá estar.
Sempre de Angola com Amor,
Guadiana Ramirez
PS É verdade o carro afinal não se podia conduzir. Eu preciso de uma guia que ainda não tenho e um seguro que ele ainda não tem. Ainda bem que não pensei muito nisso antes de ir
Tags: Angola, Barra do Kwanza, Cabo Ledo, Família, Luanda, Mussulo, Praia, Ramirez


5 Comentários a “Domingos em Família”
Por joana a 17 de Set, 2009 | Responder
quanto à guia, até podes nem tê-la… como nos aconteceu :-p nada que uma gasosa não resolva na hora.
e por 55 euros por buffet também prefiro passar fome. vais voltar tão elegante :-p!!! e armado em rico, essa é a melhor parte
beijos!!! hold on!
Por angeloflight21 a 17 de Set, 2009 | Responder
Gostei de ler este teu passeio para Sul que te aproximou um pouco mais daqui.
Força, priminho, força. Daqui nada estás cá e mortinho para regressares para aí.
Beijinhos de Amor e Luz,
Ritinha
p.s. Agora vou ver as fotos com calma.
Por angeloflight21 a 17 de Set, 2009 | Responder
Ahahaha… Não tinhas outra t-shirt, oh primo? Tintoli!!! Gostei de ver as fotos, as banhocas, os macacos, os abraços, a criançada a desempanar a ganda máquina 4×4 (supostamente) e o miradouro da Luz. Beijocas
Por Gattopardo a 21 de Set, 2009 | Responder
que belo domingo.
que tenhas muitos mais assim e melhores
bjs
Por Ana Filipa Oliveira a 13 de Out, 2009 | Responder
Também passei um belo dia, praticamente com os mesmos pontos “turísticos” que indicas. Comi peixe em Cabo Ledo, descansei nas Palhotas… um dia que recordo com carinho, pois estava com amigos, tranquila e feliz… em geral, de muito bem com o Mundo e comigo. Vou espreitas as fotos e o mapa. Beijos