Sou quase sempre aquilo que escrevo. Sou quase sempre aquilo que sinto. É uma fronteira que para mim não é muito clara.
Para os que estudam astrologia podia dizer que este é o fenómeno das conjunções, quando dois planetas se unem e fundem e formam um todo que não é fácil distinguir, ou se calhar que não é necessário distinguir.
Aqui em Luanda às vezes ainda não sei distinguir, não sei entender, mas sinto-me mais adulto, mais maduro, mais homem.
Mas, mesmo nesta confusão que é Angola, continuo a ver os meus dilemas e dificuldades claramente espelhados no mundo que me rodeia.
Fins rápidos
Em todo o lado onde se vá, aqui em Luanda, em particular aos restaurantes ou cafés acontece um fenómeno estranho: até chegar o pedido são horas, horas para darem a ementa, para colocarem a mesa, para recolherem o pedido e para trazerem a comida. Até aqui nada de surpreendente, o fantástico é depois.
Mal terminem de comer, ou pareça que terminaram são cerca de dois segundos até vos esvaziarem a mesa, ao ponto de terem de lutar com o empregado por aquele bocadinho que deixaram para o fim.
Não gosto dessa pressa em tirar tudo, ainda por cima que parece vir de lado nenhum, mas o apressado sou normalmente eu (feitiço contra o feiticeiro?).
Autoridade/Respeito
Como na vida pessoal, aqui também há uma crise profunda de autoridade e respeito. Queremos que nos respeitam, preferem nos ignorar. Que façam um trabalho sério, mas preferem não trabalhar. E não sou só eu a falhar. Quase ninguém consegue impor as regras, implementar o trabalho.
Estou há duas horas há espera dos meus formandos para iniciar a formação. “Estão a caminho”, dizem-me. Também eu me sinto a caminho.
Quem espera sempre alcança… =) Tudo tranquilo primo… o caminho deve ser feito com serenidade e compaixão…
Beijinhos de Amor e Luz,
Ritinha