Ontem tive uma conversa interessante sobre a repetição. Uma amiga dizia-me que achava que os meus temas eram sempre os mesmos e perguntava-me se não achava que isso era curioso.
Recordo quando ainda estudava gestão no ISCTE ter tido um professor de História muito original. Ele era daqueles professores que são mais cientistas que professores, que parecem messias de férias. Ele um dia disse uma coisa que não esqueci: a história não é circular, é uma espiral evolutiva, passamos sempre pelos mesmos sítios, mas uns quantos níveis acima.
Desde esse momento fui me cruzando com muita gente que me disse o mesmo de forma diferentes. Que realmente os nossos processos e a nossa história é feita de repetições. Aliás, para quem trabalha com constelações, sabe que essa é uma questão fundamental, a repetição de padrões.
Acontece que muitas vezes, quando ganhamos consciência dos nossos desafios e limitações as coisas tornam-se mais claras e mais subtís. De tal modo que, por vezes, nem percebemos que a questão é exactamente a mesma, mas camuflada de algo diferente.
Já escrevi há muito tempo sobre mim e aliás sobre a minha escrita, sobre a forma como ela é muito circular. Abordo os meus temas e as mesmas questões. Apenas lhes mudo as formas e os moldes.
Gosto de acreditar que vou avançando e evoluindo. Gosto de acreditar que aprendo e amadureço. Mas não me iludo ao ponto de negar as minhas questões e dúvidas. Os limites, o respeito, o reconhecimento, o amor próprio são os meus temas. Estas são as coisas que tenho de trabalhar durante toda a minha vida.
E assim, uma das licções que aprendi, é que não há drama nas repetições, ou seja, a vida é feita de tudo. Se paramos durante muito tempo numa questão, se criamos angústia em relação a alguma área da nossa vida, não saímos de lá. Repetir, ter dúvidas, questionar, e não saber o que fazer faz parte de estar vivo. Amar o nosso ritmo e a capacidade que temos e a nossa dúvida é uma grande licção. Ainda me zango muito comigo e com os outros, mas quem sabe se quando voltar aqui, uns passos à frente, custe menos.
Pois é, tal e qual!
A essência é sempre a mesma (não podemos alterá-la)o que muda é a embalagem.
É como ter um grande recipiente com sumo de laranja (A essência)distribuímos esse mesmo sumo por vários copos de cores, tamanhos e materiais diferentes (vidro, plástico, papel, cristal, porcelana).Damos a provar a várias pessoas; cada um vai dar a sua opinião, acerca do que lhe pareceu beber…Uns vão achar que é sumo de manga/laranja, outros pêssego, outros alperce..Talvez nenhum acerte na laranja. Mas a verdade é que todos beberam do mesmo SUMO da mesma ESSÊNCIA.”As aparências iludem”:)
Faz a experiência. Eu já a fiz várias vezes e, é mto. interessante!