Gosto de me ler, gosto de me ler quando o que escrevi já não me pertence. Gosto de me ler quando já não reconheço o que escrevi. Fico sempre surpreendido e entretido e ás vezes admirado. Umas vezes porque o que escrevo sinto-o com qualidade. Outras vezes porque acho a escrita repetitiva, sonhadora e um pouco aborrecida.
Mas gosto de me ler. Viajo pelos meus textos, principalmente os que tenho em http://bomtemponocanal.blogspot.com e aqui em http://www.bernardoramirez.com e gosto de ver o fio condutor dos meus textos. No Bom Tempo no Canal escrevi cerca de 350 crónicas, e aqui já atingi a centena.
Com a evolução da minha vida e de mim mesmo sinto que amadureci, e sinto que continuo centrado nos meus temas.
Alguém disse-me que tenho uma escrita única. Já várias pessoas me disseram que devia publicar o que escrevo, em particular, desde que comecei a escrever daqui de Angola. Curiosamente, sinto que aqui tenho mais tempo para escrever e para pensar e para sentir e se calhar é verdade. Mas ainda não me sinto pronto para procurar ou tentar publicar o que escrevo.
Hoje disseram-me que escrevo nu. Sempre despido e transparente. Também me sinto assim, e na minha transparência sou o que sou, para o bom e para o mau. Admitindo os meus sonhos e as minhas limitações. Gosto do que escrevo, e gosto de me ler, mesmo quanto tantas vezes falho o final. Deixo sempre o texto aberto e transparente, sem respostas ou explicações.
Sou impulsivo na minha escrita e apaixonado. Quando ouço o processo criativo de pessoas que escrevem fico sempre admirado com tempo e dedicação do trabalho que executam. A mim a escrita saí como uma torrente. Uma ideia, um instante, um pensamento aparece de repente em mim e tenho de o despejar para o teclado e para a escrita. Também é verdade que até agora não têm sido textos longos. São sempre mensagens curtas.
Na realidade é-me indiferente se é em papel ou no computador, o teclado só é mais fácil porque já estou habituado. Assim vai o derrame da escrita para o teclado e depois para o mundo. Porque para além de me ler, também gosto que me leiam.
A escrita para mim é um processo de verdade, de proximidade com o eu profundo, de oferta e de partilha, mas acima de tudo de transparência.
Convido-vos a lerem-me e a falarem do que lêem, e a dizer-me o que pensam o que sentem e o que acham da minha escrita. Estou sempre aqui para aprender convosco. E para partilhar o que aprendo. É muito bom.
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Bernardo, sei exactamente do que falas. Ou pelo menos ressoa bastante em mim!
Gosto de escrita nua! Também eu me dispo algumas vezes. É para mim um ritual de purificação e crescimento. Também de exorcismo do meu medo da exposição. Quando partilho o que sinto, assumo-me com os meus defeitos e qualidades. Não escolho; integro-me.
Obrigada!
Gosto sempre muito dos teus comentários Margarida, obrigado eu.