Muita gente me perguntou, desde que cheguei aqui, o que vim aqui fazer. O que fazia aí, o que faço aqui e eterecetera e tal…
Hoje chegou o dia de tirar as teimas.
Vim para aqui porque o que fazia aí abriu as portas a tal jornada. A empresa onde trabalho tinha já muitos clientes em Angola e precisava de alguém que trabalhasse por cá, durante algum tempo, a criar uma estrutura funcional e competente para dar apoio local aos clientes.
Não conseguiam encontrar uma pessoa para esse trabalho e um colega e amigo lembrou-se de mim. E na realidade acho que poucos teriam as capacidades e a vontade de correr este risco e viver esta aventura.
Mas existem outras duas razões: a primeira é o desafio e a descoberta, nunca tinha vivido num país estrangeiro, e a língua portuguesa, e o continente africano apaixonaram-me com a ideia da nova descoberta. Na realidade, acho que todos os carneiros ambicionam ser os primeiros, pioneiros em algo. Verdadeiros Indiana Jones ou, no meu caso, Guadiana Ramirez procuram fazer a diferença. A segunda é claramente as vantagens financeiras que permitem resolver pendentes e preparar o futuro.
Por outro lado, para os que me conhecem melhor, sabem que faço Constelações Familiares, e senti que este seria um bom momento para também trazer esse trabalho para cá. Abrir as portas a projectos novos em Luanda. Partilhar um movimento de crescimento, de expansão de consciência, uma descoberta da forma como tudo e todos nos interligamos.
Hoje no entanto, olho para trás, a faltar apenas 3 semanas para me ir embora por uns tempos para Lisboa. E fico com sentimentos mistos. Não fiz Constelações, não fiz quase nada, e no entanto, sinto que fiz tanto.
Estive entregue a mim principalmente, recém-nascido neste berçário rude e duro. Ainda sem falar a língua, nem ter grandes capacidades de socialização. Mas feliz de ter os olhos e o coração abertos.
Este mundo exige força, coragem, disponibilidade e espaço de descoberta. É uma aventura de amor e de renovação. E quem quiser, venha por gosto.
Espero que quando estiveres por cá, digas alguma coisa, ok? Jantarinho cá em casa com a C., boa?
Beijinhos,
Ritinha
Já só faltam 3 semanas? Não sabia…O que não fizeste, talvez possas começar a fazer para a próxima.Ou até pode ser que mudes de ideias e penses noutros objectivos.Para a próxima já vais ter pessoas à tua espera. Isso é positivo, penso eu. Espero que já estejas recuperado.Mãe
Lindo, maravilhoso,fantástico… é o modo como descreves o sentimento que eu também partilho, da minha estadia de três meses em Angola. Aos olhos dos Ocidentais, Industrializados, Civilizados ou o que como quisermos chamar, realmente nada fizemos. Mas o nosso Interior, o nosso Ser, diz-nos o contrário. Como o angolano diz, “estar só” já é fazer muita coisa. Acredito que agora és um homem com ainda mais bagagem do que a levaste para aí. Beijos e boa continuação.