O que se vê

Há já muitos anos atrás conheci uma mulher que tinha várias características incríveis. Por incríveis digo extraordinárias, chocantes e por vezes até assustadoras. A principal era que, sem saber nada da pessoa, ela era capaz de dizer coisas sobre os segredos e os medos mais íntimos dessas pessoas. Na altura, ela usava a desculpa da Astrologia. Olhava para o mapa e pimba dizia de sua justiça. Ainda demorei algum tempo a perceber que o mapa era só uma desculpa para ela materializar o que via nas pessoas, dando-lhe um suporte material que lhes dava algum conforto, e que evita o incómodo de se ter de chamar a Inquisição e de ter de queimar a pessoa na fogueira pelo que ela vê.

Hoje aqui na minha “caminhada” por Luanda, a caminho de uma universidade, lembrei-me de uma coisa que ela um dia me tinha dito e a um colega. “O futuro está em África, e para nós, nos países de língua oficial portuguesa. Vocês podem perfeitamente ir trabalhar um dia para lá.”

Nunca sabíamos ao certo se o que ela dizia era fruto de alguma visão, ou apenas uma opinião. Na verdade, hoje acho que essa dúvida nossa servia muito o interesse e o propósito dela, e de todos os que vêem ou dizem ver.

Hoje para mim existem duas coisas claras:

Acho que a I. com toda a sua sabedoria e visão, cometia um erro grave na utilização ou interpretação das suas faculdades. O facto de ela ver, o que os outros não viam, ou não queriam, ou não conseguiam ver, dava-lhe o “poder” de nos tentar orientar no sentido daquilo que ela achava ser o correcto e o melhor. E mesmo que fossem as visões dela a orientar a nossa orientação, para mim o pressuposto era, e ainda é inválido. Estas visões aconteciam não no sentido de aviso, de orientação, de conselho, mas apenas porque se está “sintonizado” com um canal que é transversal ao tempo. Não podemos alterar a vida dos outros, orientar a vida dos outros, controlar a vida dos outros. A cada um cabe a responsabilidade de sua vida. E a de cada um, e as escolhas que fazemos ou deixamos de fazer, já nos dão trabalho suficiente.

Aliás nunca sabemos se o caminho a que se chega foi por influência disto, daquilo ou daquele outro. São coisas que nunca se descobrem nem entendem.

Por outro lado, também vejo coisas. Que são minhas, e que por vezes são de outros. E sinceramente não sei bem para que me servem essas visões. Mas a função que para mim têm são a de conhecer melhor as pessoas, entender quem elas são, de onde vêm, e aquilo que as constitui.

A maior lição que temos de aprender é a saber distinguir quando precisam de nós e quando não precisam, quando querem a nossa ajuda, e quando não querem. Com ou sem visão. E sinceramente, e para nossa tristeza, as vezes que precisam são mesmo muito poucas. Mesmo quando não o queremos acreditar.

2 Responses to O que se vê
  1. Le_Franquet
    Abril 1, 2010 | 18:01

    Oráculos, profetas, vates, videntes e adivinhos…
    estou a ver… estou a ver…

    grande abraço de parabéns amigo!
    Miguel

  2. Margarida
    Abril 1, 2010 | 18:03

    Mediunidade, todos nós temos. Uns mais deselvolvida outros menos e outros ainda muito adormecida. Quero dizer que todos somos canais de informação;emissores e receptores. O uso que fazemos disso,depende, do nível de desenvolvimento pessoal/mental/espiritual, da ética, do respeito e da intenção.Por detrás de uma acção está sempre uma intenção.
    Não devemos querer ajudar quem não quer ser ajudado. E, quando estamos a ajudar os outros, estamos a potenciar a nossa auto-ajuda, como um boomerangue. Sem imposição ou intromissão quanto mais ajudamos mais nos “borilamos”. Essas “ajudas” podem ser apenas telepáticas, porque a Energia não conhece barreiras ou fronteiras. O poder da concentração serve bem isso, para o bem e para o mal.Daqui te envio muita LUZ para o teu percurso; se estiveres aberto e receptivo vais captar as boas vibrações que viajam através do ar e do éter. AJUDAR SIM!quando nos pedem. Manipular não! e muita gente faz isso sem consciência. Bjs.

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