Hoje, no MSN, troquei umas palavras com a minha querida amiga M.F. e acabámos por ir parar aos olhos, olhões e olhar. Ela partilhou comigo a sua história e eu a minha.
Devia ter 8 ou 9 anos, e estava com a minha mãe a caminho de casa, a pé. Connosco ia outra mãe, e uma miúda que devia ter 6 ou 7 anos. Não me lembro bem da idade, mas lembro-me que era mais velho. Ela olhando para os meus olhos pergunta-me: Comes muitas cenouras? Lembro-me que na altura a pergunta me fez muita confusão. Principalmente porque não gostava de cenoura. Nem cozida, nem crua. Ela continuou: É que com uns olhos lindos como os teus só podes comer muitas cenouras.
Gosto de olhos, e gosto dos meus, muito. Acho que são reveladores da confusão que anda aqui por dentro. Um pouco tristes, mas nisso também são sinceros. Fundos, grandes e tristes.
Adoro também olhos. Talvez porque sejam espelhos da alma. E não é tanto a cor, o formato, o tamanho, mas sim a profundidade. Quando olho para alguém e ao olhar nos olhos vejo um mundo, um universo de sentidos, sentimentos, aventuras, paixões e de dúvidas, então fico apaixonado.
Fico apaixonado pela vida, pela alma, pelas pessoas.
Continuo com esta visão romântica do mundo e das pessoas. E a facilidade com que me entram por aqui adentro e ocupam o seu lugar.
E ainda por cima devem comer muitas cenouras. Como a minha amiga M.F.
Uma conversa para continuar OLHOS NOS OLHOS ;o)
Partilho contigo e com os teus leitores, o que escrevi no dia 05 de Julho de 2000, no meu Diário:
“Ultimamente, quando vou deitar a Joana [minha sobrinha mais velha] conto-lhe uma história. A primeira foi a da Cenoura e a segunda a da Maçã.”
Deixo aqui a história d’ “A Cenoura faz bem aos olhos”
“Era uma vez um menino que comia muitas cenouras e, assim, ficou com os olhos bonitos. Chamavam-lhe o “João dos Olhos Bonitos”.
Para o lanche do recreio, o João levava sempre uma cenoura. Os colegas, como viam-no sempre a comer a sua cenoura e cada dia ficava com os olhos mais bonitos, decidiram levar também eles a sua cenoura para comer no intervalo da escola.
Certo dia, apareceu do outro lado da grade da escola um menino pobrezinho que pediu ao João a sua cenoura, pois não tinha nada que comer e estava cheio de fome.
O João, embora gostasse muito de cenouras, deu aquela ao menino… ele ficou feliz e sem fome. E os olhos do João continuaram muito bonitos, porque estavam cheios de felicidade.”