Pequeninos

7 de Novembro de 2009 | por Bernardo Ramirez |

Estou no avião a caminho de casa e não consegui resistir a escrever sobre o que estava a sentir. A olhar aqui de cima para a imensa mãe África só consigo sentir o pequeno que sou, que somos. Realmente no imenso deste mundo somos apenas uma pequena particula. E se é esse o nosso papel e o nosso lugar podemos fazê-lo com alegria.

O segredo para a felicidade, dizia aí um sítio qualquer, é fazer aquilo que se ama com as pessoas que se amam. Aqui mesmo no banco da frente, um casal brasileiro, com já mais de 60 anos, parece continuar a partilhar um amor alegre e leve e cúmplice e sereno. Quero que o meu seja assim daqui a 30 anos.

Quero fazer o que amo com quem amo. Ainda por cima, sei quem amo e o que amo (não sabemos todos?).

Estou nervoso porque não sei o que vai acontecer quando aterrar, quando puser os pés em terra. Sinto-me na terra de ninguém.

Mas se calhar o amor é amar o que se está a fazer e as pessoas com quem se está.

Já há muitos anos atrás, mesmo muitos, devia ter cerca de 10 ou 12 anos, equacionei seriamente a possibilidade de seguir um caminho religioso. Porque tinha fé, porque queria ajudar, porque acreditava na entrega ao próximo. Confesso que resisti principalmente pelas regras rígidas, pela não possibilidade de vida conjungal, e pelas notícias que ia recebendo de quem percorria esse caminho. Na altura não sabia que existim outros trajectos.

Mais tarde, em muitos momentos, me confundiram com alguém da igreja, e chegaram-me muitas vezes a chamar senhor padre. Os meus amigos riam-se e eu ficava sempre meio atrapalhado.

Acho que esse é o meu trabalho de amor: partilhar a minha fé e dar a mão como sei. Por um lado receio esta afirmação porque não quero parecer arrogante ou prepotente, mas por outro como calamos aquilo que grita em nós como verdade?, aquilo que nos faz sorrir e sentir sereno?

Porque na verdade, olhando com rigor para os momentos da minha vida, não há nada em que me sinta mais real e mais centrado em mim do que quando trabalho com as pessoas, sobre as pessoas. Quando juntos procuramos encontrar um sentido para os desafios. E aprendo sempre tanto.

Não sei explicar melhor o sentido de missão que sinto. E o pequeno que me sinto para o cumprir. As Constelações ajudam-me nesse caminho. Porque não nos dão as regras que não gosto, e nos deixam as interrogações que amo.

Mas sou pequeno aqui de cima, seja pela missão, seja pela terra, seja pelo mundo.

Será que temos a missão de sermos pequenos?

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  1. Um Comentário a “Pequeninos”

  2. Por Margarida a 19 de Nov, 2009 | Responder

    Pequeninos…
    Parabéns, grandes!

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