Na nossa vida alguns silêncios são voluntários e outros são nos impostos. Aqui tenho dos dois.
Desde sexta que não tenho internet. quer dizer, para os entendidos consigo navegar a 20 bites por segundo o que significa que um email só de texto pode demorar mais de uma hora. E por isso acho que posso seguramente dizer que não tenho internet.
No Domingo, para não ficarmos trancados dentro de casa, lá fomos a P. e eu à Ilha almoçar. Correu tudo bem. Estavam lá milhares de pessoas. Segundo o L. já tá na época de calor, mas eu não noto muita diferença. Eram milhares e milhares de angolanos por todo o lado. Filas e mais filas.
A voltar, alegres e contentes fomos parados por um senhor agente da autoridade. Passaporte, claro. Documentos do carro, claro. Carta de condução internacional, claro. Carta de condução nacional, ficou em casa. E pronto. Multa de 19000 Kwanzas. Desculpe? Vá a casa buscar a carta para passar a multa. Não vou andar sem documentos. Mande a colega. Ela não conduz. Mora longe. Moro. Etc e tal. Muitos silêncios e birras do senhor agente. Olhe, tenho aqui 3250 Kwanzas, e que tal se ficássemos por aqui. E pronto lá ficámos. Se não fosse a carta, era outra coisa qualquer, afinal o senhor agente precisa de comer.
Nesse domingo, já com o motorista, fomos buscar dois colegas que vão estar cá 15 dias. Duas horas e meia de espera. Umas quantas voltas e quando chegámos aqui nada de segurança. O fantasma do salto em altura por cima do muro voltou mas ele acabou por aparecer. Não podes dormir enquanto não voltar. Ok. Fomos levá-los e voltei.
Comecei a formação à Faculdade de Direito da implementação da software. Está a correr muito bem e é óptimo estar em sítios novos com pessoas novas. Além disso estes colegas trazem um gosto a casa que mata saudades.
Entretanto no sábado o meu disco de 500gb novo começou a enlouquecer. Todas as minhas séries e filmes para o caraças. Mas o que raio vou eu fazer agora antes de dormir. E a temporada v do stargate Atlantis que ficou a meio?
Para colocar a cereja no topo do bolo, sem net lá fui eu agora para a frente da TV ver qualquer coisita. E nada, não apanha sinal? Mas os cabos tão todos ligados. Fui cá fora ver a parabólica. Caiu. Ou melhor, está pendida por um parafuso e apontar para o chão. Julgo que ainda não hajam satélites debaixo do chão por isso deve ser mais uma semana para chegar o técnico.
O móvel da P. que não tava em stock e por isso ela ainda guarda a roupa na mala, já cá tá. A sério? Sim. Chega terça de vem? Mas então tá cá onde? No sul de Angola? Vêm a pé.
E aqui vai decorrendo a vida como se pode
Beijos silenciosos e abraços sossegaditos a todos.
PS Hoje não é sábado nem domingo nem véspera de feriado mas alguém aqui numa casa não sabe disso e portanto farra. Até que horas? A ver vamos…
Estou farta de rir… Ai, desculpa primo, não devia rir-me com as tuas/vossas “desgraças”, mas, aqui para nós, já tinha saudades da minha novela angolana!… E esta escrita, representada e filmada por ti, é um must.
Tudo a correr bem, dentro do que aí é possível.
Beijinhos de Amor e Luz num sopro suave… para não fazer muito barulho…
Ritinha
Saudades de te ler amigo
Retratas Angola de um modo exímio! Parabéns pela perspectiva, pela criatividade e pela partilha. Beijocas