Na semana passada estive a dar formação na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto em Luanda. A oportunidade é fantástica, porque ao darmos formação somos obrigados a partilhar grande parte do dia com as pessoas a quem damos a mesma. Essa relação fortalece os laços e possibilita-nos conhecer melhor a realidade que nos rodeia.
Num dos almoços animados que partilhamos falámos de muita coisa, mas principalmente de relações, de convívio e de vidas. Pouco a pouco fui ficando cada vez mais surpreendido com o que me contavam. Aqui existe uma doença que surge nas crianças pequenas e que ocorre quando um pai ou uma mãe têm uma relação extra-conjugal e depois vão para ao pé do recém nascido do casamento. Nesse momento, como transportando ainda energia da relação infiel a criança começa a ficar doente e eles dizem-me que é muito perigoso.
Para eles o lugar da mulher na cama é sempre à esquerda e uma mulher grávida não pode passar por cima do marido na cama ou ele não conseguirá ficar acordado no dia a dia.
Num primeiro instante estas diferenças parecem quase uma anedota, como certamente para eles tanto do nosso comportamento lhes provoca o mesmo efeito. Mas quem somos nós para não respeitar os séculos de experiência e de aprendizagem da cultura deles.
Como em todos os povos são cheios de coisas boas, de coisas menos boas, de qualidades e defeitos.
Na realidade, aqui, sinto-me como um recém nascido, que tem de aprender tudo de novo, de raiz, desde as coisas mais simples às mais difíceis. A diferença é que neste caso não sou tábua rasa, não estou vazio e esse exercício de encontrar espaço novo e renovado para o que vou aprendendo exige ginástica e muita força.
Gosto do convívio e gosto de aprender. Sempre gostei. E os meus irmãos angolanos têm tanto para me ensinar.
É oficial, estou há quase uma semana meio doente, e hoje passei um dia na clínica Mediatec para descobrir que tenho uma Faringite e uma infecção urinária. Como os xaropes cá têm todos kilos de açúcar a médica cubana mandou-me beber muitos líquidos. Para além de um antibiótico e um expectorante. Enfim… Haja saúde
Há um provérbio português que diz “O que não mata engorda!”, inserido no contexto dos antepassados, quer dizer que o que não nos derruba, faz-nos mais fortes. Acredito que passarás por este momento, saindo dele mais forte. É uma experiência realmente de aceitação, integração, mas também de descoberta e emoção. Beijos e boa continuação, mano.