Curiosidades dos nossos amigos angolanos:
Hoje no carro, a voltar de um cliente, ia com o M. o novo motorista e o A. a falarmos. De repente, no meio da rua vemos passar três cabras: duas brancas e uma preta. Eu ri-me. Lembrei-me das imensas galinhas que já tinha visto também pelas ruas ao deus dará, mas que segundo me explicaram, têm donos. Além disso disseram-me que era perigosíssimo roubar galinhas ou mata-las para comer se não fossem nossas. Que os donos contratavam bruxos que nos podiam matar com feitiços.
O A. tinha acabado de me contar que lhe tinham roubado a mota. Mas não quando estava estacionado. Tinha parado numa curva, vários tipos noutras motas atacaram-no. Atiraram-no para o chão e levaram a mota dele. Aqui a violência física não é incomum. Roubam tudo: carros, motas, dinheiro, telemóvel, etc…
Ora de repente começo a pensar como é curioso que eles não têm medo de roubar e matar os outros angolanos, mas ninguém toca nos animais que andam na rua sem coleira nem indicação de propriedade.
Claro que ninguém rouba animais, disseram logo, podes morrer. Mas morres por roubar animais e não motas? Sim claro, responderam-me.
Porque os donos dos animais são pessoas velhas, e das motas são pessoas novas. Toda a gente sabe que as pessoas novas não são perigosas.
Depende de que lado do assalto é que se está, diria eu…
Ora viva, “retornado”!
Realmente, grande diferença de culturas.
Os perigos que podem ferir dependem,aí, do “poder” de quem os põe em acção. Mais uma vez, como tu já disseste, a força cultural dos mais velhos.