Vá, anda Gina!
15 de Dezembro de 2009 | por Bernardo Ramirez |Hoje acordei a ouvir o nosso amigo Nuno Markl falar da revista Gina e do efeito que teve na sua vida e educação sexual. Isso trouxe-me à memória os 3 pilares fundamentais da minha formação sexual. Como diz o Nuno, que fizeram muito mais por nós que qualquer centena de livros cheio de pedagogia aprisionada.
Na minha pre-adolescência descobri, com uns colegas que tinha na Vela, umas revistas de banda desenha pornográfica ou erótica (depende da idade que se tem claro, na altura pornográfica e agora erótica). Adorava aqueles quadrados a preto e branco, cheio de loiras e morenas mamalhudas e de piadas fáceis. Além de que a clandestinidade das revistas obrigada a uma arte de ocultação e de pirataria fantástica. E depois era as matinés lá em casa, a fingir que se jogava ZX Spectrum para na realidade folhear as revistas.
Mas a surpresa deu-se um dia, quando na tabacaria do costume, que era tão longe de casa para poder evitar encontrar gente conhecida, me cruzei com uma Gina. Adquiri essa bela pérola e a mesma fez-me companhia durante muito tempo. De entre todas as surpresas e mistérios que descobri na Gina a que melhor guardo na memória foi o adjectivo Colegial. Na altura, não sabia o que significava, mas saído dessa revista surpreendente só podia ser algo absolutamente “Hard-Core”. Durante anos não tive coragem, nem vontade de usar esse adjectivo, mas a verdade é que de quando em vez ouvia essa palavra num misto de escândalo e surpresa. Escândalo porque sai da boca de pessoas educadas, de idade considerável e muitas vezes em circunstâncias completamente neutras, surpresa porque não percebia como podiam colocar essa palavra numa conversa do dia a dia. Ainda hoje sempre que ouço a palavra fico um pouco corado. Há coisas que não se consegue resolver ou simplificar.
Alguns anos mais tarde, houve outros dois momentos sagrados na minha sexualidade, de formas bem diferentes. A primeira foi a Guiomar da Rua Sésamo. Enquanto todos os outros viam a Rua Sésamo pelas razões que quisessem, eu procurava todos os instantes de Guiomar que conseguia. A nossa querida Alexandra Lencastre já na altura me enchia as medidas e aquela mulher curvilínea e sensual criava alterações físicas no meu corpo que muito me agradavam. Não só era simpática e querida como era boa como o milho. Tantas horas a ver um programa que já não era para a minha idade (gostava de achar que já era muito adulto), tudo para ver um decote, umas pernas, ou apenas aquela carinha laroca.
Mais ou menos por essa altura, ou alguns anos ainda mais tarde, confesso que o tempo se confunde na minha cabeça, surgiu outra diva das curvas, que me obrigava a ficar colado ao ecrã em horas e dias não apropriados a um adolescente. Era a nossa amiga Ana Malhoa, muito tempo antes das tatuagens, da musculação e dos aumentos. Ela encantava-me a mim e ao meu amigo JP. Acho que estava cada um no seu lado da TV a babar para os momentos em que dançava com aqueles mini-calções e tops justos. Sim já não tinha idade mesmo, mas a rapariga tinha energia. E assim ficava eu, com uma desculpa adicional para ver os desenhos animados (não, tou a ver as mamas da Ana Malhoa).
Fiquei marcado a fundo de formas diferentes por estes ícones. Na minha mente baluartes da educação sexual e da aprendizagem da imoralidade e da aventura sexual da boa. Tenho um lugar especial para vocês no meu coração meninas: Gina, Guiomar e Ana.
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