Já não me estava a lembrar desta aventura, mas a título de registo histórico acho que tenho de vos contar a minha odisseia em Luanda para viajar para o Lubango. Era preciso comprar bilhetes de avião para um voo interno. Ao falar com o Decano do Lubango ele disse-me: não compre bilhetes de avião na TAAG, eles atrasam-se imenso, é melhor qualquer outra companhia aérea.
Pedi a J. para me comprar os bilhetes num sítio que nos tinha sido recomendado. Um dia depois ela entrega-me o bilhete: era na TAAG, ás 7:30 da manhã, no Domingo. Perguntei se não tinha percebido o meu pedido, mas ela disse que só havia voos da TAAG. Perguntei também se não havia voos a uma hora não tão madrugadora, e ela disse que a senhora da Agência de Viagens tinha dito que não.
Olhando com atenção para o bilhete vi que o check-in era no dia anterior às 21:30. Disse à J. que era muito estranho. Mas ela disse que não. Que era mesmo assim.
Bem no Sábado ás 21 horas lá fomos, o P.G. (que está cá durante 15 dias) e o vosso amigo. Chegando lá deparei-me, ja dentro do aeroporto, com uma fila que não devia ter menos de 150 pessoas. Perguntei: Onde é o check-in para o Lubango. Ao que me responderam que todos os voos tinham o check-in no mesmo sítio.
Foram duas horas e meia, deu para conhecer um rapaz angolano com quem estive na conversa. Deu para ver a confusão habitual. Pessoas a passarem à frente. Dezenas de pessoas com excesso de peso a tentar enganar a companhia aérea. Mas pensei para mim, se pedem para vir no dia antes, é para terem tudo organizado para o dia do voo.
Perguntei a que horas tinha de lá estar. O voo era às 7:30 e várias pessoas me disseram: basta estar ás 7, mas o senhor do check-in disse-me 7:30. Pensei logo, pronto vou passar a manhã toda aqui à espera. Mas pronto, o que tem de ser tem muita força.
Nessa manhã, no meio da confusão de me arranjar, e das minhas loucuras e do P.G. acabámos por sair de casa só perto das 6:40, mas sem trânsito ao Domingo, dava mais que tempo para chegar ao Aeroporto. Na viagem, já perto do aeroporto vejo um polícia meter-se no meio da estrada dois ou três carros à frente do meu. Pensei, que azar vão ser parados. Afinal não. Nós é que fomos parados. Já tinham topado os dois pulas no carro.
Pediu-me os documentos, dissemos-lhe que íamos apanhar um avião, ele disse que os documentos estavam todos em ordem e até foi bastante simpático. Quando lhe perguntamos se podíamos seguir ele perguntou se não podíamos dar algo para o pequeno almoço dele. Demos-lhe 1000 Kz e fomos a conversar que realmente é bem melhor serem honestos e pedirem o dinheiro, do que inventarem problemas que não existem.
Já bastante em cima da hora continuámos para o Aeroporto. Mesmo a chegar ao parque de estacionamento estava um polícia a parar todos os carros. Brancos para um lado, não brancos para o outro. Disse-lhe: Fui parado há cinco minutos agente, tenho um avião para apanhar. Ele diz-me: Hoje está com azar. O P.G. e eu já nos estávamos a passar. O seu carro falta-lhe o documento X e por isso tem de ser rebocado. Ai meu deus, vá diga lá quanto quer. 4000 kz para mim e para os meus colegas. Demos o dinheiro e eu fui a correr para dentro do Aeroporto.
Deviam ser tipo 7:20 quando entrei dentro do aeroporto, mas ao passar pelo radar e controle do passaporte ainda me pediram mais 400kz para comer qualquer coisa. Não estava nada preocupado com a hora porque previ grandes atrasos. Dentro da zona de embarque não havia em lado nenhum indicações das horas dos voos, nem de quando é o embarque.
Eu tinha visto do lado de fora algo escrito à mão num quadro que dizia voo para Lubango perto das 9:30 e por isso esperei. Chamaram duas vezes voos para o Lubango, mas não era da TAAG (afinal pelos vistos até há muitos voos para o Lubango).
Ia perguntando pelos voos às pessoas. Mas ninguém sabia de nada. Às 11:30 chamaram para embarque Lubango da TAAG. Ao mostrar o meu bilhete disseram-me: este não é o seu voo. O seu voo já saiu. Ao que respondi mas eu tou cá deste as 7:10 e não ouvi nada. Eles disseram-me que o voo saiu ás 7. Meia hora antes???
Fiquei à espera mas acabaram por me deixar embarcar nesse voo. Antes de entrar no avião estavam duas filas enormes de malas e dizem-nos: identifiquem as vossas malas para embarcarem.
Claro que a minha mala não estava lá. Nem a minha, nem a de outro senhor. Nós na pista, eles todos meios tontos de um lado para o outro. Uns diziam-me: a mala não pode ter ido sem o passageiro. Outros diziam: vá que a sua mala já deve tar no avião.
Mesmo sem mala e sem vontade lá entrei no avião. Uma hora depois estava no Lubango. Dentro do aeroporto não conseguiram encontrar a minha mala. Já tava a imaginar que me iam pedir milhares de Kwanzas para encontrar a mala. Mas não, Levaram-me até um contentor guardado pela polícia e lá estava a minha mala. Foram cordiais, educados e atenciosos. Devolveram-me a mala sem pagar nada, e apesar do cadeado estar aberto estava tudo na mala.
Resumo: Vários voos para o Lubango, várias companhias, vários polícias corruptos, menos 5400 Kz (que são 50 USD), e muito sentimento de angústia, de revolta e de ter sido abusado. E claro infinita prática para ter paciência.
Olá Bernardo! Viagens nessa Terra (que é a minha)de nascença.
Recordo o lubamgo c/ apenas 3 anos como ainda me lembro da varanda da minha casa, da Tundavala, Srª do Monte serra da Leba. Ia de carro c/ os meus pais e dp de ouvir 1 conversa dos meus pais olhei estava sentada no banco de trás s/ cinto. Senti que nunca mais voltaria à MINHA TERRA……… será?
Tira uma foto se der.
Pois é como as pessoas se deixaram levar p/ avareza.
Ainda me lembro da luz da minha terra e o por do Sol.
Abraço de luz
Pois é voos internos ainda nao tentei…mas nas gasosas sou rainha loool
Ate na via rapida Viana – Benfica me param….aiiiiiiiiii
jinhos