Podia dizer que nunca escolhi ser um viajante, mas também podia dizer que o escolhi ser. Hoje recebi um livro da minha mãe chamado “A Lenda de Martim Regos – dá conta da história de um assombrosa de certo português que andou à aventura nas quatro partes do mundo”.
Também já andei por muitos sítios: América, Macau, Dinamarca, Angola e todos os outros cantos que viajei. Nunca pensei muito nisso, mas a minha estadia aqui fez-me reflectir sobre essa dimensão aventureira que tenho em mim.
Hoje, aqui em Luanda, no meio de som de farra que não me deixa dormir há dois dias, de pessoas estranhas e de um país estranho, confirmo que é preciso uma predesposição para largar a segurança e conforto de casa, amigos e família e partir para lançar âncoras noutro porto.
É uma reconstrução permanente de pedaços do nosso ser, ajustes e reajustes. Como se ainda só estivesse como convidado nesta casa. Como se na sua generosidade colectiva me tivessem aberto as portas para a sua casa. Uma casa à qual ainda não conheço os cantos, nem sei as normas, mas que tento respeitar e viver da melhor forma que sei.
Estes últimos dias com os meus colegas cá foram cheios. Muito trabalho, algumas gargalhadas e convívio quanto baste num ambiente que se assemelha, tanto quanto possível, a estar com a nossa família.
Ontem fomos, a P., a J. e eu a um pedido de casamento. Não sabia o que esperar do convívio e mais uma vez não era nada do que pudesse pensar. O evento ocorreu num salão alugado. Um pavilhão de tecto de placas com música aos altos berros. Uma mistura de fino e mundano. 300 pessoas e muita comida e bebida numa rua toda destruida por obras.
Dançaram muito e pareciam todos muito contentes. A P., eu e outra branca eramos os que nos destacávamos pela nossa diferença. Lembro-me tantas vezes, até na Católica de ver os africanos e a forma como se afastavam e se protegiam. Como os sentia tão fechados. Realmente somos diferentes. Muito diferentes.
Os angolanos têm uma alegria e um gingar que não somos capazes de igualar, e que me causam uma certa inveja. Tive muita vontade de dançar, mas senti que não estava preparado. Era estilo demais para o pobre português. Mas hei-de chegar lá.
Mas nas minhas viagens por aqui, o que me é mais duro, é realmente a falta de amizades e pessoas conhecidas locais. Queria sentir-lhes os cheiros, os hábitos, os gostos, os prazeres e os segredos. Mas para isso, é preciso tempo, como em todas as aventuras e descobertas. Tudo tem um ritmo certo que por vezes precisamos de saber esperar para conhecer.
Viajar não é só passar, não é só sair, é um estado e um modo de se viver, em que se abre as portas do corpo e do coração ao novo, com coragem e humildade.
Sejemos generosos com os viajantes que conhecemos.
Todos diferentes, todos iguais.
Boa semana primo, cheia de novas (re)descobertas e aventuras.
Beijinhos de Amor e Luz,
Ritinha
tudo a seu tempo, é verdade, mas devias ter dançado, és um bailarino exímio e tens um excelente gingar, se bem me lembro!
mas deve intimidar, tanto estilo e souplesse e nós com os nossos perros e pouco estimulados esqueletos portugueses…
beijos
Muitos beijos e abraços para ti, Viajante!
Estamos juntos! Eu somos nós.
Passei para te deixar beijinhos e desejar um óptimo fim-de-semana. Espero que o silêncio por aqui seja apenas pela falta de net… Fica bem, fica em Paz.
Bom dia viajante.Longo silêncio !Esqueceste-te de nós,que te procuramos aqui? Felizmente nem todos os dias há grandes aventuras. Quem aguentaria esse ritmo?! Ou será que algum gato matreiro( já viste algum por aí?)te comeu a língua? Daqui é difícil mandar umas “gasosas”….mas podemos sempre negociar…Um beijo. Mãe