Escolher a vida

Estive a circular pelo blog de uma amiga (podem ler o post aqui) quando me deparei com um tema que esteve bastante presente na minha vida nos últimos tempos: a escolha voluntária de abdicar da vida.

No trabalho que se faz nas Constelações somos deparados por vezes com pessoas nessa situação: umas que o sabem conscientemente e outras que não o percebem. No primeiro caso, muitas vezes atribuem o sentimento a acontecimentos ocorridos na sua infância ou adolescência (um amor que termina, uma amizade rompida, uma traição, alguém que partiu); essas pessoas têm dificuldade em ver para além da sua dor. No segundo caso, há muito mais mistério. As pessoas sofrem acidentes, ficam doentes inesperadamente… muitas vezes sobrevivem e não vivem. E não sabem porquê.

No entanto, em ambos os casos, há algo que existe em comum nessas pessoas, no instante em que se sentam na cadeira do lado e dizem: “eu tenho um problema”. Esse acto de coragem infinito merece o maior respeito, e é na sinceridade da descoberta da sua dor que a resposta surge. E essa vontade por si oferece uma resposta que depois fica visível na constelação.

Mas também é importante salientar o respeito. E nesse respeito cada um sabe da sua escolha e faz a sua escolha e nós escolhemos respeitar essa escolha. Isso é viver. Um respeito profundo por nós e pelo outro.

Por isso, um convite convicto a todos os que sofrem e que sentem-se perto de mais da morte: encontrem a coragem de dizer que têm um problema e a coragem de querer ficar na vida. Quando escolhemos a vida, todos lutam do nosso lado.

E na vida há o amor, circula o amor, respira-se o amor. E nessa vida há sempre espaço para outra pessoa.

2 Responses to Escolher a vida
  1. Rita
    Fevereiro 21, 2008 | 18:26

    Olha, eu cá ESCOLHO A VIDA! :-)

  2. bramirez
    Fevereiro 26, 2008 | 23:46

    E eu fico feliz com a tua escolha. É um caminho…

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