Sentimentos à flor da pele
9 de Março de 2010
Desde o passado sábado que os meus sentimentos andam a flor da pele. Isso significa mais lágrimas, mais inseguranças, mais solidão, mais confusão.
No sábado vi e vivi o acidente que não cheguei a ter. Isso assustou-me. Temi por mim, pelos meus amigos, pelo meu futuro, pelos meu amor, pelos meus filhos. Senti aquele peso que me faz pensar se vale a pena estar neste país onde a vida vale tão pouco.
Porque a minha vale-me muito. A minha vida é-me muito valiosa.
Estes sentimentos todos de perda e de dúvida transportam-se depois para todas as áreas da minha vida. As coisas no trabalho parecem correr menos bem, sinto que não confiam em mim, mas sei que são os meus fantasmas.
Até no amor fico mais inseguro. Ela por lá e eu por aqui. Vai aqui, vai ali. E se acha melhor? E se se cansa de esperar por mim? Neste momento importante da vida dela estamos a milhares de quilómetros. Os meus fantasmas pessoais.
Tantos ciúmes. Fico meio doente de ciúmes. Desde que comecei a partilhar a minha vida com a C. descobri os ciúmes. Não foi tanto uma descoberta como uma confirmação. Eu sabia que eles andavam por lá. Mas nunca os tinha visto tão claro e de perto.
Mas sei que estes ciúmes, como quase tudo, são fruto da minha cabeça, das minhas dúvidas, dos meus medos. E desde esse momento decidi não escolher o caminho mais fácil e menos eficiente.
Muita gente escolhe contar tudo ao outro. Outras pessoas combinam que só fazem o que o outro concordar, só se encontram ao almoço a sós com alguém, ou qualquer outro mecanismo de controle.
Escolhi não saber nada. Aliás digo-lhe muitas vezes que tenho ciúmes. Brinco com isso quanto posso. Mas digo-lhe também que não me conte com quem está, com quem esteve e o que fez. Ou que o faça quando lhe apetece. E uns dias conta e outros não conta. E umas vezes é fácil e outras difícil.
Esse exercício de confiança sou eu que tenho de o fazer. Acreditar em quem amo. Sem dúvida e sem desconfiança. Acreditar em mim, na C. e no nosso amor. Faça ela o que fizer e eu o que quiser. Porque na realidade ela é livre e a sua liberdade é algo que amo muito. Não lhe quero tentar tirar algo que é tão importante. E por que a minha também me é valiosa. E sei que para ela, fácil ou difícil, também a respeita.
Mas com os sentimentos à flor da pele é sempre difícil.
Tags: Ciúme, Crónicas, Relações, Sentimentos, Vida




