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	<title>bernardoramirez [feeling right]Angola | bernardoramirez [feeling right]</title>
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	<description>Um espaço dedicado à Comunicação, às Constelações e à Tecnologia</description>
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		<title>Por favor, não me chamem terrorista</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2011 09:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Manifestação]]></category>
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		<description><![CDATA[Esta pseudo manifestação em Angola fez-me pensar muito sobre o que sabemos e sobre o que pensamos saber sobre as pessoas. Antes de mais, gostava de vos contar o que aconteceu aqui: nada. Como o meu amigo residente suspeitava não aconteceu nada. Confesso que não estava convencido, mas existem muitos factores que posso nomear para...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta pseudo manifestação em Angola fez-me pensar muito sobre o que sabemos e sobre o que pensamos saber sobre as pessoas. Antes de mais, gostava de vos contar o que aconteceu aqui: <em>nada</em>. Como o meu amigo residente suspeitava <em>não aconteceu nada</em>.</p>
<p>Confesso que não estava convencido, mas existem muitos factores que posso nomear para o ocorrido:</p>
<ul>
<li>O primeiro, é que realmente as pessoas não querem guerra, não querem violência. Neste país passaram muitos anos com violência e agora isso é o último desejo que têm;</li>
<li>Segundo, o governo arquitectou e executou, com excelente eficácia e eficiência, uma campanha de desmorolização desse manifestação.</li>
<li>Terceiro, havia aqui a noção que este movimento tinha tido origem fora de Angola, e como o líder do movimento não se tornou público, ninguém confiou ou pode ver quem era o seu líder.</li>
<li>Quarto, a população de um modo geral sente que as coisas têm evoluído imenso para melhor.</li>
<li>Quinto, o dia era véspera de Carnaval e dentro de um fim de semana grande.</li>
<li>Sexto, tanto os angolanos como os estrangeiros temiam tanto algo grave, que a cidade quase adormeceu no dia antes e no próprio dia do protesto.</li>
<li>Sétimo, os primeiros protestantes foram logo detidos e isso teve obviamente o efeito de impedir a bola de neve.</li>
<li>Oitavo, muito receio que o governo, a polícia e os militares tomassem uma acção mais violenta ou radical com os manifestantes.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas voltemos ao tema central. Um dos métodos que usaram para manter a população assustada foi nomear as pessoas que poderiam participar na manifestação como incitadores de revoltas e de violência. Ao ponto de todos estarem convencidos que o protesto na segunda seria violento. E ao conseguir colocar esse rótulo conseguiram dissiduadir as pessoas de particiaprem.</p>
<p>Sentei-me num café a falar com uns angolanos e disseram-me duas coisas interessantes: a primeira foi a que já expliquei, que a manifestação poderia ser violenta, mas a segunda foi a explicarem que os estrangeiros vinham para cá sempre convencidos que sabiam o que era melhor para eles.</p>
<p>Partidarismos à parte não há dúvida que somos todos assim. Começando pela omnipotente e omnipresente América até aos pequeninos portugueses, achamos sempre que sabemos o certo e o errado, o melhor e o pior. Imaginei-me naqueles dias em que conheço alguém ou vou a um sítio novo e imediatamente julgo o que está certo ou errado. Fala muito, é muito desarrumado, a casa parece um museu, etc.</p>
<p>Aqui acho que fiz o mesmo, e acho que certas pessoas não o deixam de fazer. Olhamos para este povo, com um certo ar de superioridade. Como se fosse óbvio que se fizessem as coisas como nós seriam melhores. Mas o que seria ser melhor? Ser como nós? E quem nos disse que nós somos a referência melhor?</p>
<p>Fazemos isso todos os dias. Aliás muitas vezes eles fazem-no a si próprios. Querem ser algo que não são. Nós os portuguesese queremos voltar ao tempo em que o mundo era nosso, os angolanos querem ser como acham que os portugueses são. Passamos tanto tempo a querer ser algo que não somos.</p>
<p>E por isso, ao olhar para o mundo continuo a sentir que ainda sou muito preconceituoso. Que continuo a julgar o monge pelo traje. A olhar para um árabe, para um chinês, ou para outra pessoa qualquer e tirar logo as minhas conclusões.</p>
<p>Esse é o exercício que me tento prometer a mim hoje, o de olhar para tudo e receber tudo como se fosse uma página em branco. E não olhar para alguém e pensar: deve ser burro, deve ser preguiçoso, deve ser fútil, deve ser terrorista.</p>
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		<title>Diferenças Culturais?</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 18:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[http://bit.ly/gifSv3
Aqui tenho muitas vezes a mesma conversa. Tento explicar às pessoas uma coisa que por vezes não é clara para mim: as diferenças culturais.

Tento explicar que em Portugal, por exemplo, se alguém chega de fora é logo convidado e recebido com atençã]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui tenho muitas vezes a mesma conversa. Tento explicar às pessoas uma coisa que por vezes não é clara para mim: as diferenças culturais.</p>
<p>Tento explicar que em Portugal, por exemplo, se alguém chega de fora é logo convidado e recebido com atenção. Que se levam as pessoas aos sítios que se gosta, que se garante que a pessoa se consegue orientar. Que se motiva a pessoa a participar nas actividades sociais dos residentes, etc.</p>
<p>A primeira reacção da malta é sempre dizerem: ah coitadinho, está sozinho. E explico que não, que estou habituado a estar comigo, que me agrada ter tão boa companhia. Apenas me interesso pelo homem e acho curioso estas diferenças.</p>
<p>Depois disto ficam sempre a olhar para mim e dizem aquilo que me surpreende sempre tanto: o Bernardo ainda não conheceu foi as pessoas certas. Não duvido, penso eu, mas então gostava mesmo de descobrir, para as conhecer, onde andam essas pessoas.</p>
<p>Isto não é uma queixa, nem uma reclamação. É apenas uma constatação. E já o escrevi muitas vezes. É bem mais difícil gerir e compreender aquilo que na aparência parece tão igual, mas que é profundamente diferente, daquilo que é claramente diferente. Acima de tudo pela ilusão da semelhança.</p>
<p>Com todas as qualidades que os povos angolano e português têem, e com os seus defeitos também, qualquer semelhança entre eles é pura e exclusivamente uma ilusão. Para  o mau, e certamente para o bom!</p>
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		<title>Seguranças</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 08:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Exemplo]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[No outro dia, em conversa com uma amiga, percebi que não é fácil perceberem como são as coisas por aqui. E como acho interessante e importante conhecermos o mundo vou tentar explicar-vos como se passam as coisas aqui, em particular com os seguranças. Em primeiro lugar, acho importante que percebam que há seguranças em todo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No outro dia, em conversa com uma amiga, percebi que não é fácil perceberem como são as coisas por aqui. E como acho interessante e importante conhecermos o mundo vou tentar explicar-vos como se passam as coisas aqui, em particular com os seguranças.</p>
<p>Em primeiro lugar, acho importante que percebam que há seguranças em todo o lado: nos bancos, nas instituições públicas, nas lojas e claro nas casas das pessoas. Normalmente estão do lado de fora dos edifícios, sentados em cadeiras, em bancos ou pedras. E têm ou não metralhadora, cassetete, farda, etc.</p>
<p>A nossa rua aqui, como já contei é de chão de terra, com pedaços de asfalto. De cada lado casas, ou térreas ou com primeiro andar, grande parte delas destruída, incompleta, ou em reconstrução. Todas as casas têm um quintal, normalmente de cimento ou, no nosso caso, com azulejo. Os proprietários aproveitam esse espaço para guardar os carros e muitas vezes para fazer um pequeno jardim.</p>
<p>A casa, a nossa claro, tem um portão apenas, que fecha e abre manualmente. O nosso segurança está, quando tudo corre bem, numa cadeira de plástico na rua, e normalmente debaixo de uma sombra de uma árvore e por isso nem sempre exactamente na nossa porta, mas quase sempre perto o suficiente.</p>
<p>Aqui temos sempre dois seguranças, que rodam de turno a cada 48 horas. Isso significa que passam duas noites aqui de cada turno. E claro têm um colchão onde dormem. Normalmente no quintal, ou quando conseguem dentro da área da recepção da empresa do Rés-do-Chão. Sim é estranho os seguranças dormirem quando estão a segurar. Mas é humanamente impossível pedir a estas pessoas para ficarem 48 horas sem dormir.</p>
<p>O ideal é serem pessoas que ficam atentas, mesmo a dormir, a qualquer perturbação. Mas como já sabem de histórias minhas e não só, isso não acontece.</p>
<p>Agora perguntam, mas porquê 48 horas? Porque sendo os seguranças pessoas com muito poucas posses vivem em zonas &#8220;distantes&#8221; da cidade. Isso implica que têm de passar muitas horas no trânsito. Hora se fossem e viessem todos os dias, vamos imaginar turnos de 12 horas, por exemplo, teriam de sair de casa às 4 para chegarem às 8. Depois teriam de sair às 20 (já nem há táxis a essa hora), e chegariam a casa por volta das 24. Para dormir 4 horas e tudo começar de novo. E sim há trânsito sempre.</p>
<p>Por outro lado, estes agentes recebem aproximadamente 18000 Kz por mês (150 dólares americanos). No caso dos meus seguranças, um tem quatro filhos e outro tinha cinco. Ora se imaginarmos que um táxi custa 100 Kz, e precisam de apanhar dois ou três para chegarem a casa, se fossem e voltassem todos os dias, só em táxis, seria 600 Kz, o que multiplicado por 30 dias daria 18000 Kz. Ou seja, todo o seu dinheiro.</p>
<p>Para perceberem bem, nenhum deles tem, por exemplo telemóvel. E se algum deles não aparece para render o outro, o que cá está não tem remédio senão ficar até que alguém apareça para o substituir.</p>
<p>Fazendo turnos de 48 horas, significa que num mês só vêm e vão 15 vezes, o que reduz o custo de viagens a 300 Kz vezes 15 viagens. Um total de 4500 Kz. Mesmo assim, estamos a falar de quase um quarto do salário deles.</p>
<p>E como conseguem eles resolver o problema? Fazem o seu &#8220;business&#8221;. Todos têm um. O dos seguranças é o de usar o nosso quintal para guardar bens e posses das vendedoras. E por esse trabalho recebem 50 ou 100 Kz. Isto significa, presumo eu, mais cerca de 1500Kz por dia de trabalho, o que pode significar mais 21ooo Kz por mês. Pelo que já percebi é este dinheiro que juntam diariamente que serve para comprar os bens do dia a dia e sobreviver. O salário do mês é mais para comprar bens mais duradouros ou outras coisas que possam precisar.</p>
<p>E mesmo assim, conseguem gastar o nada que têm em álcool, pedir dinheiro e comida. A verdade é que eles vivem na pobreza extrema, mas que esta mesma pobreza dá-lhes a força e criatividade para sempre serem capazes de se desenrascar.</p>
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		<title>O Porquê de Angola</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Nov 2010 06:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Coração]]></category>
		<category><![CDATA[Porquê]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqueles que me lêem sabem que me pergunto muitas vezes o que vim cá fazer. Que lição é esta que tenho de aprender em Angola e que ainda não descobri? A minha tribo diz-me que tenho algo para fazer e acredito que sim, mas faltava-me visão para a descobrir ou perceber. Mas ontem no carro...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqueles que me lêem sabem que me pergunto muitas vezes o que vim cá fazer. Que lição é esta que tenho de aprender em Angola e que ainda não descobri? A minha tribo diz-me que tenho algo para fazer e acredito que sim, mas faltava-me visão para a descobrir ou perceber.</p>
<p>Mas ontem no carro encontrei uma das razões. Uma razão que aproxima este povo de alguém que amo muito: a V.A.</p>
<p>Ontem vi, nessa viagem, o que eles partilham entre si, e e o que vou tentar explicar, principalmente por ti V.A.</p>
<p>Existe neste povo um despegamento que não se percebe. Uma forma utilitária de olhar para o mundo e para os outros, uma forma distante e, quase, irresponsável.</p>
<p>Já escrevi que vivem como se cada minuto fosse o último e sem planeamento ou preocupação para o que vem amanhã. Mas porque? Essa era a questão sobre a qual me debruçava mais.</p>
<p>E ontem percebi. Mais de trinta anos de guerra. Mais de trinta anos de dor, de perda, de miséria. Tanta desgraça, tanta destruição. E o que fizeram então eles (e também tu julgo eu)? Mataram em si o coração. Não foi certamente uma morte planeada, nem calendarizada. Não foi uma morte consciente. Mas morreu. Morreu o coração e com ele a capacidade de sentir, de amar.</p>
<p>E nesse vazio nasceu outra coisa, mais emoção, mais tesão, mais paixão e até uma maior incapacidade para criar vínculos. Aqui ouço muita gente a falar de relações e de sexo. Eles tratam o tema como se fosse uma colecção de objectivos sem profundidade emocional. E elas falam das relações e da forma como não se deixam envolver. Parece até ser quase um processo mecânico. Não há laço emocional.</p>
<p>Julgo que não têm em si o custo desta morte acidental, nem percebem o quanto esta escolha os desliga e distancia da vida, dos outros (acho que tu V.A. conheces bem o custo).</p>
<p>Claro que esta não é uma morte absoluta (como a tua também não o é). E há esperança. Há sempre esperança dessa morte se transformar em fénix renascida. E da morte nascer um novo coração renovado. Mais maduro e com menos medo.</p>
<p>Acredito que para ti V.A. e para este povo (e até para todos nós) o afecto, o amor, o coração são a cura e a chave. E acredito V.A. que este é o teu maior tesouro.</p>
<p>Acredito que aqui, como aí, se olharmos com coração para o que nos rodeia o mundo começa a mudar.  E não tem a ver com desejo, com poder, com dinheiro e com medo. Tem a ver com a confiança e com a entrega e com o desejo de um mundo melhor para cada um.</p>
<p>Só temos de ter a coragem de fazer a nossa parte. Agir de forma colorida. Cor + Agi. Dar cor à nossa vida.</p>
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		<title>Cabaz de Natal</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 06:23:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cabaz de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é o país do Cabaz de Natal. Desde que cheguei, ainda estávamos em Outubro e já só se falava do Cabaz de Natal. São cartazes, panfletos, anúncios de rádio, são os funcionários a queixar-se ou a celebrar. O Cabaz de Natal é o paradigma desta terra. Todos querem receber e ninguém quer dar. Claro...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o país do Cabaz de Natal. Desde que cheguei, ainda estávamos em Outubro e já só se falava do Cabaz de Natal.</p>
<p>São cartazes, panfletos, anúncios de rádio, são os funcionários a queixar-se ou a celebrar.</p>
<p>O Cabaz de Natal é o paradigma desta terra. Todos querem receber e ninguém quer dar.</p>
<p>Claro que se vê a influência de Portugal (até há alguns anos atrás era assim também). É um símbolo de abundância, de coisas boas, de festa e de alegria. Toda a gente quer um Cabaz de Natal.</p>
<p>E não importa décimo terceiro, subsídio de férias ou de Natal. Não importa nada senão o Cabaz. Porque o Cabaz também vem numa altura perfeita. As férias de Natal. Quando todos retornam a sua casa. Quando se juntam com quem amam. E quando, durante 15 dias, não se lembram das preocupações, das dúvidas e das dívidas.</p>
<p>E claro, não sem o Cabaz tão popular, ele também é um óptimo negócio. Afinal, &#8220;This is Angola&#8221;.</p>
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		<title>Meu querido Alonzo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Nov 2010 06:11:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Alonzo]]></category>
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		<description><![CDATA[Meu querido Alonzo, escrevo-te hoje aqui com a certeza que dificilmente descobrirás este texto sobre ti. No entanto, não importa, o que te escrevo é para o mundo. Porque há pessoas que o mundo merece conhecer, e tu és uma delas. Conhecemo-nos no primeiro dia em que cheguei a Angola. Lembro-me de pensar quando te...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu querido Alonzo, escrevo-te hoje aqui com a certeza que dificilmente descobrirás este texto sobre ti. No entanto, não importa, o que te escrevo é para o mundo. Porque há pessoas que o mundo merece conhecer, e tu és uma delas.</p>
<p>Conhecemo-nos no primeiro dia em que cheguei a Angola. Lembro-me de pensar quando te vi e ao António (julgo que era como se chamava): mas que seguranças são estes??? E quem são estas pessoas na minha casa… Sim porque no quintal estavam sempre a passear muitas pessoas que não conhecia.</p>
<p>No princípio foi irritação. Sentia-me inseguro e revoltado.  Vocês gostam muito de beber, e isso, pelos menos na minha cabeça, não combinava com o andarem com uma AK-47.</p>
<p>Mas o tempo passou, fomos falando, e tu e eu fomos aprendendo a lidar um com o outro. Pedi-te que não bebesses e tu pediste-me que deixasse guardar as coisas das zungueiras no quintal. Ias contando-me a história de ti e da tua família. E fui aprendendo que esse dinheiro que fazias era fundamental para ti.</p>
<p>Com meio século já tinhas estado por quase todo o lado. Na Europa e muito tempo na Sibéria a treinar. “Só o Vodka nos permitia aguentar aquele frio”, explicavas. Talvez por isso agora bebas tanto. Ou talvez pela guerra, ou por razão nenhuma.</p>
<p>Com cinco filhos para sustentar vives com 180 dólares por mês, e ainda arranjas tempo e dinheiro para beber.</p>
<p>Desculpa, isto não é uma ode ao álcool. É uma ode a ti Alonzo.</p>
<p>Uma amizade crescente. Com o tempo íamos falando mais e tu explicando-me que eras um operativo (como chamam aqui aos militares). Que conheces técnicas e que se fosse preciso, que antes de me matarem a mim, teriam de te matar a ti (disseste-o já tantas vezes).</p>
<p>Preocupavas-te comigo quando saia, e eu preocupava-me contigo por não conseguir às vezes entrar em casa. O operativo quando dorme, pelos vistos,  também tem ouvidos mocos.</p>
<p>E fui embora para Portugal e quando voltei parecia uma festa. Quando nos vimos. Tu desataste a dançar no quintal e eu a corar nas bochechas. Mas realmente era bom reencontrar-te. Desta segunda vez fui percebendo que tu não eras só segurança aqui. Na rua tu és o pai, e o avô de muita gente. O pai grande como gostam aqui de chamar aos mais velhos e importantes.. Toda a gente te conhece e tu a toda a gente.</p>
<p>E foi bom estarmos juntos de novo. E mais uma vez voltei para Portugal.</p>
<p>Quando voltei de novo foi de novo uma alegria. Não algo tão fantástico como antes, mas uma serena alegria de sabermos que somos amigos e que íamos a voltar a estar juntos. Mas desta vez as coisas não correram bem. Duas vezes não conseguimos entrar em casa porque tu a dormir, de porta fechada, não acordaste. E ninguém quer saltar o muro quando alguém do lado de dentro está com uma metralhadora, a dormir e, provavelmente, alcoolizado.</p>
<p>Depois uma tarde estavas tão bêbado que quase não te entendia. Mas tu só querias que estivesse ao teu lado a conversar. E eu a dor por te ver assim, por saber o que custa viver aqui, e por olhar para os teus olhos e sentir essa imensa força misturada com dor.</p>
<p>Mas ontem a tristeza foi a maior. Chegaste aqui acima de leve, como sempre fazes, e dizes-me que o teu filho mais velho, de vinte e nove anos: o teu primogénito tinha morrido. E olhei fundo nos teus olhos e estavas partido por dentro. E revoltado. Com o país, com a família, até com o teu filho que não te tinha dito nada sobre estar doente. Uma semana no hospital e morreu. Não se sabe porquê. Neste país nunca se sabe o porquê.</p>
<p>Chorei, chorei contigo Alonzo, porque ninguém merece perder um filho, ninguém merece. Chorei contigo porque te senti sozinho, revoltado e irritado. E eu sem saber o que fazer para te ajudar. Sentei-me contigo, e fiquei ali a tentar entender o que dizias de voz embargada. Levei-te comida (já sei que comes sempre mal). E estive ali. Que tristeza irmão. Perderes to teu filho assim. E no teu olhar e no teu coração e em ti essa mágoa profunda de saber que ainda terás mais responsabilidades. E que tens um trabalho mal pago, e vives em más condições, e que o dinheiro não chega para nada.</p>
<p>E eu, daqui, só te posso oferecer a minha amizade, e estar presente e disponível. E dizer o quanto gosto de ti. Nos teus excessos, na tua humildade, nos teus olhos fundos, no teu sorriso.</p>
<p>Porque tu és efectivamente e para mim o Pai Grande.</p>
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		<title>Amigo, quero ficar contigo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 14:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Criança]]></category>

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		<description><![CDATA[Saí do restaurante, como faço todos os dias ao almoço, da janela já tinha visto dois rapazes na brincadeira. Um mais atrevido que o outro já me tinha dito adeus duas ou três vezes. Aqui, ao contrário do que acontece em Luanda, as pessoas pedem dinheiro. Principalmente pessoas com deficiências físicas ou crianças pequenas. Normalmente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/23042010188.jpg" class="broken_link"><img class="alignleft size-medium wp-image-496" style="margin: 5px; border: 5px;" title="23042010188" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/23042010188-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Saí do restaurante, como  faço todos os dias ao almoço, da janela já tinha visto dois rapazes na  brincadeira. Um mais atrevido que o outro já me tinha dito adeus duas ou  três vezes.</p>
<p>Aqui, ao contrário do que acontece em Luanda, as pessoas pedem dinheiro.  Principalmente pessoas com deficiências físicas ou crianças pequenas.</p>
<p>Normalmente  há sempre alguém do lado de fora do restaurante à espera dos clientes  para darem qualquer coisa. Eu pus 50kz na algibeira para dar a uma  velhinha sem braços nem pernas, que sempre me surpreende com a  serenidade. E pus 20kz, em duas notas de 10kz, para os rapazes.</p>
<p>Quando saí não vi os rapazes e segui viagem. Mas quando já ia a meio  da rua ouço assim: amigo, amigo&#8230; Volto-me para trás e lá vêm os dois a  correr atrás de mim.</p>
<p>Perguntei: O que querem? E o mais atrevido  diz: Só 200 amigo, só 200 para comprar fubá.</p>
<p>200? Mas tu achas que eu sou rico, enquanto lhe faço umas festas no  cabelo. Deixem lá ver o que tenho aqui. Que tal estes 20kz, 10 para cada  um. Para comprarem (como raio se dizem doces aqui em Angola)&#8230;  comprarem caramelos.</p>
<p>Eles ficaram os dois a olhar para mim meio surpreendidos.  Pronto, mais um tiro ao lado.</p>
<p>Mas o mais  atrevido, vira-se para mim, e com os olhos bem abertos diz: Amigo, quero  ficar contigo!!!</p>
<p>Não sabia o que responder. O meu coração só  queria dizer que sim, e os meus braços também. Como é que se faz&#8230; a  uma criança sem nada, rejeitar um pedido tão sentido.</p>
<p>Disse: Nem pensar, não pode ser. Até logo. E voltei costas para não  verem os meus olhos.</p>
<p>Não sei explicar o que sinto, mesmo sabendo  que se calhar é o que diz a todos, mesmo que não precise de nada. Uma  criança olha-te nos olhos e diz: quero ficar contigo&#8230; Dizer que não é  sem dúvida uma lição que custa a aprender.</p>
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		<title>Morte em Angola &#8211; Galícia Confidencial</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 07:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Galícia Confidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algumas semanas atrás uma pessoa dizia: os Angolanos estão sempre a matar os familiares. Claro que isto dito assim parece muito chocante. Nem percebi bem, mas ele depois explicou: todas as semanas morre alguém da família, ou o pai, ou a irmã, ou a prima, ou a tia, ou o avô&#8230; Podem ler o...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algumas semanas atrás uma pessoa dizia: os Angolanos estão sempre a matar os familiares. Claro que isto dito assim parece muito chocante. Nem percebi bem, mas ele depois explicou: todas as semanas morre alguém da família, ou o pai, ou a irmã, ou a prima, ou a tia, ou o avô&#8230;</p>
<p>Podem ler o resto do post <a href="http://galiciaconfidencial.com/nova/5736.html" target="_blank">http://galiciaconfidencial.com/nova/5736.html</a></p>
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		<title>Viagens nesta terra (que não é minha)</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 07:42:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Aventuras]]></category>
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		<category><![CDATA[Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens]]></category>
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		<description><![CDATA[Já não me estava a lembrar desta aventura, mas a título de registo histórico acho que tenho de vos contar a minha odisseia em Luanda para viajar para o Lubango. Era preciso comprar bilhetes de avião para um voo interno. Ao falar com o Decano do Lubango ele disse-me: não compre bilhetes de avião na...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/13042010144.jpg" class="broken_link"><img class="alignleft size-medium wp-image-482" style="margin: 5px; border: 5px;" title="13042010144" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/13042010144-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Já não me estava a lembrar desta aventura, mas a título de registo histórico acho que tenho de vos contar a minha odisseia em Luanda para viajar para o Lubango. Era preciso comprar bilhetes de avião para um voo interno. Ao falar com o Decano do Lubango ele disse-me: não compre bilhetes de avião na TAAG, eles atrasam-se imenso, é melhor qualquer outra companhia aérea.</p>
<p>Pedi a J. para me comprar os bilhetes num sítio que nos tinha sido recomendado. Um dia depois ela entrega-me o bilhete: era na TAAG, ás 7:30 da manhã, no Domingo. Perguntei se não tinha percebido o meu pedido, mas ela disse que só havia voos da TAAG. Perguntei também se não havia voos a uma hora não tão madrugadora, e ela disse que a senhora da Agência de Viagens tinha dito que não.</p>
<p>Olhando com atenção para o bilhete vi que o check-in era no dia anterior às 21:30. Disse à J. que era muito estranho. Mas ela disse que não. Que era mesmo assim.</p>
<p>Bem no Sábado ás 21 horas lá fomos, o P.G. (que está cá durante 15 dias) e o vosso amigo. Chegando lá deparei-me, ja dentro do aeroporto, com uma fila que não devia ter menos de 150 pessoas. Perguntei: Onde é o check-in para o Lubango. Ao que me responderam que todos os voos tinham o check-in no mesmo sítio.</p>
<p>Foram duas horas e meia, deu para conhecer um rapaz angolano com quem estive na conversa. Deu para ver a confusão habitual. Pessoas a passarem à frente. Dezenas de pessoas com excesso de peso a tentar enganar a companhia aérea. Mas pensei para mim, se pedem para vir no dia antes, é para terem tudo organizado para o dia do voo.</p>
<p>Perguntei a que horas tinha de lá estar. O voo era às 7:30 e várias pessoas me disseram: basta estar ás 7, mas o senhor do check-in disse-me 7:30. Pensei logo, pronto vou passar a manhã toda aqui à espera. Mas pronto, o que tem de ser tem muita força.</p>
<p>Nessa manhã, no meio da confusão de me arranjar, e das minhas loucuras e do P.G. acabámos por sair de casa só perto das 6:40, mas sem trânsito ao Domingo, dava mais que tempo para chegar ao Aeroporto. Na viagem, já perto do aeroporto vejo um polícia meter-se no meio da estrada dois ou três carros à frente do meu. Pensei, que azar vão ser parados. Afinal não. Nós é que fomos parados. Já tinham topado os dois pulas no carro.</p>
<p>Pediu-me os documentos, dissemos-lhe que íamos apanhar um avião, ele disse que os documentos estavam todos em ordem e até foi bastante simpático. Quando lhe perguntamos se podíamos seguir ele perguntou se não podíamos dar algo para o pequeno almoço dele. Demos-lhe 1000 Kz e fomos a conversar que realmente é bem melhor serem honestos e pedirem o dinheiro, do que inventarem problemas que não existem.</p>
<p>Já bastante em cima da hora continuámos para o Aeroporto. Mesmo a chegar ao parque de estacionamento estava um polícia a parar todos os carros. Brancos para um lado, não brancos para o outro. Disse-lhe: Fui parado há cinco minutos agente, tenho um avião para apanhar. Ele diz-me: Hoje está com azar. O P.G. e eu já nos estávamos a passar. O seu carro falta-lhe o documento X e por isso tem de ser rebocado. Ai meu deus, vá diga lá quanto quer. 4000 kz para mim e para os meus colegas. Demos o dinheiro e eu fui a correr para dentro do Aeroporto.</p>
<p>Deviam ser tipo 7:20 quando entrei dentro do aeroporto, mas ao passar pelo radar e controle do passaporte ainda me pediram mais 400kz para comer qualquer coisa. Não estava nada preocupado com a hora porque previ grandes atrasos. Dentro da zona de embarque não havia em lado nenhum indicações das horas dos voos, nem de quando é o embarque.</p>
<p>Eu tinha visto do lado de fora algo escrito à mão num quadro que dizia voo para Lubango perto das 9:30 e por isso esperei. Chamaram duas vezes voos para o Lubango, mas não era da TAAG (afinal pelos vistos até há muitos voos para o Lubango).</p>
<p>Ia perguntando pelos voos às pessoas. Mas ninguém sabia de nada. Às 11:30 chamaram para embarque Lubango da TAAG. Ao mostrar o meu bilhete disseram-me: este não é o seu voo. O seu voo já saiu. Ao que respondi mas eu tou cá deste as 7:10 e não ouvi nada. Eles disseram-me que o voo saiu ás 7. Meia hora antes???</p>
<p>Fiquei à espera mas acabaram por me deixar embarcar nesse voo. Antes de entrar no avião estavam duas filas enormes de malas e dizem-nos: identifiquem as vossas malas para embarcarem.</p>
<p>Claro que a minha mala não estava lá. Nem a minha, nem a de outro senhor. Nós na pista, eles todos meios tontos de um lado para o outro. Uns diziam-me: a mala não pode ter ido sem o passageiro. Outros diziam: vá que a sua mala já deve tar no avião.</p>
<p>Mesmo sem mala e sem vontade lá entrei no avião. Uma hora depois estava no Lubango. Dentro do aeroporto não conseguiram encontrar a minha mala. Já tava a imaginar que me iam pedir milhares de Kwanzas para encontrar a mala. Mas não, Levaram-me até um contentor guardado pela polícia e lá estava a minha mala. Foram cordiais, educados e atenciosos. Devolveram-me a mala sem pagar nada, e apesar do cadeado estar aberto estava tudo na mala.</p>
<p>Resumo: Vários voos para o Lubango, várias companhias, vários polícias corruptos, menos 5400 Kz (que são 50 USD), e muito sentimento de angústia, de revolta e de ter sido abusado. E claro infinita prática para ter paciência.</p>
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		<title>Medos que mudam</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 06:21:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crescer]]></category>
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		<description><![CDATA[Por circunstâncias da minha vida profissional aqui em Luanda hoje voltei ao sítio onde a minha carreira profissional começou em Angola. Foi em Setembro do ano passado (2009) que me deparei primeiro com este país. A chegada foi muito difícil. Já escrevi sobre isso, mas hoje, passado quase quatro meses de vida nesta cidade foi...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por circunstâncias da minha vida profissional aqui em Luanda hoje voltei ao sítio onde a minha carreira profissional começou em Angola. Foi em Setembro do ano passado (2009) que me deparei primeiro com este  país. A chegada foi muito difícil. Já escrevi sobre isso, mas hoje,  passado quase quatro meses de vida nesta cidade foi tudo diferente.</p>
<p>Podem ler o resto do post <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://galiciaconfidencial.com/nova/5666.html');" href="http://galiciaconfidencial.com/nova/5704.html">http://galiciaconfidencial.com/nova/5704.html</a></p>
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