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	<title>bernardoramirez [feeling right]Comunicação | bernardoramirez [feeling right]</title>
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	<description>Um espaço dedicado à Comunicação, às Constelações e à Tecnologia</description>
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		<title>Ajudar ou Confiar</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 17:35:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ajudar]]></category>
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		<description><![CDATA[- Não estou a perceber o que me dizes&#8230; - É natural, só agora começo a perceber o que te estou a dizer. - Mas, naquele dia, vieste ter comigo, a pedir conselhos. Disseste que não sabias o que querias fazer, que estavas com medo de não conseguir, e a perguntar-me o que faria no...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Não estou a perceber o que me dizes&#8230;</p>
<p>- É natural, só agora começo a perceber o que te estou a dizer.</p>
<p>- Mas, naquele dia, vieste ter comigo, a pedir conselhos. Disseste que não sabias o que querias fazer, que estavas com medo de não conseguir, e a perguntar-me o que faria no teu lugar.</p>
<p>- E realmente disseste-me para fazer aquilo. Explicas-te-me o que era melhor. Disseste que da tua experiência era o que deveria fazer.</p>
<p>- Sim! E mesmo assim, não conseguiste. E fui te dizendo como poderias resolver as coisas e ultrapassar o teu problema. Estavas a sofrer tanto.</p>
<p>- Sim, foram tempos difíceis. Mas agora venho aqui agradecer-te a ajuda e os conselhos e dizer que não mais preciso deles. Aliás não precisei nunca. Apenas estava convencido que não conseguia resolver por mim. E como queria colo, deste-me colo.</p>
<p>- Não estou a perceber, mas não te ajudei? Não estás melhor agora assim?</p>
<p>- Não é isso o importante. Apenas vim partilhar contigo o que descobri e agradecer-te.</p>
<p>- Agradecer?</p>
<p>- Sim, porque agora percebi que afinal não preciso que me digas o que fazer, mesmo que penses que isso me ajuda (porque não ajuda), preciso apenas do teu sorriso e da tua confiança em saberes que farei sempre o melhor que souber e conseguir.</p>
<p>- Como? Queres que acredite em ti? Mas tu enganas-te tantas vezes. Falhas, sofres, dispersas-te.</p>
<p>- Sim, pode ser realmente que sim. Mas se acreditares em mim dás-me força para encontrar o meu caminho. Se me dizes por onde ir retiras força à minha capacidade de decidir.</p>
<p>- &#8230;</p>
<p>- Já pensaste? Se calhar isso é o amor, e a amizade até. Confiar que a pessoa sabe e consegue o que é melhor para ela. E estar do lado dela, quando consegues, e quando não consegues.</p>
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		<title>Como Dizia o Poeta</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 11:12:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem já passou por essa vida e não viveu, Pode ser mais mas sabe menos do que eu. Porque a vida só se dá pra quem se deu, Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão Nunca vai ter nada, não. Não há mal pior do que a descrença,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><code><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/T1Gu1yS2_QU?fs=1&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/T1Gu1yS2_QU?fs=1&amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></code></p>
<p>Quem já passou por essa vida e não viveu,<br />
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.<br />
Porque a vida só se dá pra quem se deu,<br />
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.</p>
<p>Quem nunca curtiu uma paixão<br />
Nunca vai ter nada, não.</p>
<p>Não há mal pior do que a descrença,<br />
Mesmo o amor que não compensa<br />
É melhor que a solidão.</p>
<p>Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.<br />
Pra que somar se a gente pode dividir.<br />
Eu francamente já não quero nem saber<br />
De quem não vai porque tem medo de sofrer.</p>
<p>Ai de quem não rasga o coração,<br />
Esse não vai ter perdão.<br />
Quem nunca curtiu uma paixão,<br />
Nunca vai ter nada, não.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>No limiar da loucura</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 12:16:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Constelações]]></category>
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		<category><![CDATA[Loucura]]></category>
		<category><![CDATA[Tarefa]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, numa conversa com uma amiga, falámos do limiar da loucura, desse lugar onde nos encontramos às vezes, nesse linha ténue entre a sanidade e a loucura. Certamente alguns de vocês não a vão conhecer, mas a outros talvez seja familiar o que estou a falar. Existem muitas razões pelas quais alguém enlouquece, mais ainda...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, numa conversa com uma amiga, falámos do limiar da loucura, desse lugar onde nos encontramos às vezes, nesse linha ténue entre a sanidade e a loucura. Certamente alguns de vocês não a vão conhecer, mas a outros talvez seja familiar o que estou a falar.</p>
<p>Existem muitas razões pelas quais alguém enlouquece, mais ainda esse estado pode ser permanente ou temporário. Mas, na grande maioria dos casos, é um lugar do qual não se retorna.</p>
<p>Dentro de nós, existem duas forças poderosas, quase independentes, que determinam e dão forma a grande parte do que somos. Por um lado a cabeça, a mente, as nossas ideias e pensamentos. Esta parte de nós permite-nos olhar para trás, olhar para a frente, sofrer ou ficar alegres, e, acima de tudo, estabelecer relações de convivência. Este lado adapta-se ou habita nas convenções sociais, no que nos é ensinado, no que aprendemos na escola, naquilo que vamos construindo como certo ou errado.</p>
<p>Por outro lado temos o coração, o sentir, aquela parte de nós que nos mantém ancorados no presente. Que nos permite comungar com o que nos rodeia, que nos liga à fonte, que nós dá a vida. Com esse lado conseguimos sentir, conseguimos perceber quem somos, conseguimos amar, e de forma conclusiva viver.</p>
<p>Acontece que, algumas vezes, e talvez sejam mais do que pensamos, esses dois lados não estão de acordo. A cabeça pode desejar algo que o corpo não entende ou precisa. Ou o coração sentir algo que a cabeça recusa aceitar ou até compreender.</p>
<p>Esses momentos manifestam-se de muitas formas. Das mais leves às mais pesadas. Pode ser apenas um enjoo, uma má disposição, uma dificuldade em nos lembrarmos de algo, ou um momento em que nos sentidos desligados de tudo.</p>
<p>Mas em momentos mais fortes, mais intensos, isso pode resultar em coisas que nos assustam. O corpo pode teimar em não fazer o que decidimos, ou podemos sentir uma dor e um vazio profundo a fazer algo que, à primeira vista, pareceria normal e correcto.</p>
<p>Se permanecemos nesse estado durante muito tempo, as forças vão aumentando e o confronto também. Ao ponto de chegarmos então a esse limiar da loucura. Onde sentimos que vamos nos perder de tudo, que vamos nos desligar para sempre e ausentar da vida, não obrigatoriamente com a morte.</p>
<p>Aquelas pessoas que, como eu, já estiveram nessa linha sabem-se reconhecer, vêm no olhar do outro e nas suas palavras a dificuldade e os desafios vividos. E sabem, como consigo próprios, que essas pessoas escolheram ficar do lado de cá e não se renderam.</p>
<p>Na realidade o desistir e o aceitar têm lugares bem diferentes nesta situação. Porque o desistir é abandonar-se à loucura, dizer que não há vida, e o aceitar é a compreensão profunda, o amor e o respeito por quem somos.</p>
<p>Não há chaves feitas, cada um tem de encontrar a sua, mas, visto pelo meu olhar, existe uma forma de ultrapassar este problema, aliás como tantos outros. Essa chave é a chave da aceitação. O reconhecimento que nós somos tudo. A cabeça, o coração, e tudo o resto que nos habita. E que essa multiplicidade de coisas nem sempre concorda, nem sempre coabita pacificamente.</p>
<p>E por isso, o nosso trabalho, a nossa tarefa, é uma de aceitação profunda. De reconhecer em nós essa batalha e deixá-la correr e aceitar que esse é o processo que necessitamos viver e passar para chegar ao “outro lado”.</p>
<p>Este também é um trabalho de amor profundo. De reconhecimento que somos belos na nossa imperfeição, que faz parte de nós, e que tudo existe para avançarmos. Esses momentos são oportunidades fantásticas de crescimento.</p>
<p>Nós, os que já lá estivemos, temos essa capacidade, de poder partilhar com os outros o que fizemos para não saltar para o outro lado, para não desistir. E esse também é um trabalho de amor, partilhar as nossas conquistas e descobertas com o mundo que nos rodeia. Bem como as nossas derrotas.</p>
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		<title>Simples ou Fácil</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 13:24:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
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		<category><![CDATA[Simples ou Fácil]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei onde, mas já há algum tempo escrevi sobre isto. Muitas vezes na nossa vida confundimos os dois. O que é simples achamos que é fácil e o que é fácil achamos que é simples. Mas se calhar não é bem assim. Há alguns dias surgiu-me esta citação: &#8220;Segue com confiança na direcção dos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei onde, mas já há algum tempo escrevi sobre isto. Muitas vezes na nossa vida confundimos os dois. O que é simples achamos que é fácil e o que é fácil achamos que é simples. Mas se calhar não é bem assim.</p>
<p>Há alguns dias surgiu-me esta citação: <em>&#8220;Segue com confiança na direcção dos teus sonhos. Quando simplificas a vida, as leis do universo tornam-se mais simples.&#8221;</em> H. D. Thoreau.</p>
<p>Sábias palavras estas. Quando simplificamos a vida, e fundamentalmente a nós próprios, o universo torna-se mais simples. Sem dúvida (se me é permitido concordar ou discordar). Mas o segredo da vida não me parece estar aqui, ou talvez seja mais uma ferramenta apenas.</p>
<p>Todos dizemos, pronto quase todos, que preferimos o fácil e o bom. No entanto, não são a mesma coisa. Simples, fácil ou bom são coisas diferentes. E acho que talvez este possa ser um dos mistérios da nossa vida. Porque nos é fácil (ou será simples) confundir os dois, e na realidade esta fronteira, quase invisível é o que nos determinada a coragem e a vontade de viver.</p>
<p>Quando estamos no presente, quando não olhamos para trás nem para a frente em busca de respostas, de caminhos ou de orientações, estamos simplesmente a viver. A viver de forma simples. Isto significa que estamos inteiros. E como estamos entregues e inteiros a vida torna-se por si simples. E nesse momento seguimos o coração, porque ele está sempre no presente, a cada pancada, a cada respiração. Toc toc&#8230; Toc toc&#8230; O coração bate no presente. E o que sentimos é sempre no presente.</p>
<p>Como se o sentimento pudesse ser o leme do presente vivo. Não sei se estou a ser muito claro, desculpem.</p>
<p>Mas o fácil, que tantas vezes procuramos, pode não ser nada simples. E, mais importante ainda, o simples pode não ser nada fácil. Porque viver, sentir, estar presente e inteiro é, para quase todos de nós, um acto difícil. E, mais ainda, de tão pouco treino que temos, passamos a grande parte do tempo a fugir. Fugir para a frente, ou fugir para trás.</p>
<p>Quantos de nós não ficámos já presos numa memória, ou em algo do nosso passado. E quantos de nós não tememos o futuro e deixámos que ele nos consumisse.</p>
<p>E quantos de nós, quando procurámos o simples, não descobrimos que para o viver não é nada fácil. Ser simples exige de nós um trabalho profundo, uma atenção. E, também, o fácil não necessita de nada. Mas o fácil por vezes é o caminho para o complicado.</p>
<p>Quantas vezes, por ser mais fácil, escolhemos algo que depois só nos trouxe dor e mágoa. Ou ao escolher o difícil, descobrimos que afinal era tão simples.</p>
<p>Não há uma resposta feita, e eu não tenho a chave de ninguém. Procuro a minha com afinco e partilho convosco os moldes que vou construindo para abrir a porta.</p>
<p>Mas a vida e o amor, em mim, podem ser bons e leves e simples (obrigado C por me ensinares isso todos os dias), mas não é fácil. Para mim não é. Trabalho todos os dias para não me prender no fácil, nem no difícil, e para tentar viver com amor, de forma simples, esta viagem que partilho convosco.</p>
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		<title>Seguranças</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 08:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Exemplo]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>
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		<description><![CDATA[No outro dia, em conversa com uma amiga, percebi que não é fácil perceberem como são as coisas por aqui. E como acho interessante e importante conhecermos o mundo vou tentar explicar-vos como se passam as coisas aqui, em particular com os seguranças. Em primeiro lugar, acho importante que percebam que há seguranças em todo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No outro dia, em conversa com uma amiga, percebi que não é fácil perceberem como são as coisas por aqui. E como acho interessante e importante conhecermos o mundo vou tentar explicar-vos como se passam as coisas aqui, em particular com os seguranças.</p>
<p>Em primeiro lugar, acho importante que percebam que há seguranças em todo o lado: nos bancos, nas instituições públicas, nas lojas e claro nas casas das pessoas. Normalmente estão do lado de fora dos edifícios, sentados em cadeiras, em bancos ou pedras. E têm ou não metralhadora, cassetete, farda, etc.</p>
<p>A nossa rua aqui, como já contei é de chão de terra, com pedaços de asfalto. De cada lado casas, ou térreas ou com primeiro andar, grande parte delas destruída, incompleta, ou em reconstrução. Todas as casas têm um quintal, normalmente de cimento ou, no nosso caso, com azulejo. Os proprietários aproveitam esse espaço para guardar os carros e muitas vezes para fazer um pequeno jardim.</p>
<p>A casa, a nossa claro, tem um portão apenas, que fecha e abre manualmente. O nosso segurança está, quando tudo corre bem, numa cadeira de plástico na rua, e normalmente debaixo de uma sombra de uma árvore e por isso nem sempre exactamente na nossa porta, mas quase sempre perto o suficiente.</p>
<p>Aqui temos sempre dois seguranças, que rodam de turno a cada 48 horas. Isso significa que passam duas noites aqui de cada turno. E claro têm um colchão onde dormem. Normalmente no quintal, ou quando conseguem dentro da área da recepção da empresa do Rés-do-Chão. Sim é estranho os seguranças dormirem quando estão a segurar. Mas é humanamente impossível pedir a estas pessoas para ficarem 48 horas sem dormir.</p>
<p>O ideal é serem pessoas que ficam atentas, mesmo a dormir, a qualquer perturbação. Mas como já sabem de histórias minhas e não só, isso não acontece.</p>
<p>Agora perguntam, mas porquê 48 horas? Porque sendo os seguranças pessoas com muito poucas posses vivem em zonas &#8220;distantes&#8221; da cidade. Isso implica que têm de passar muitas horas no trânsito. Hora se fossem e viessem todos os dias, vamos imaginar turnos de 12 horas, por exemplo, teriam de sair de casa às 4 para chegarem às 8. Depois teriam de sair às 20 (já nem há táxis a essa hora), e chegariam a casa por volta das 24. Para dormir 4 horas e tudo começar de novo. E sim há trânsito sempre.</p>
<p>Por outro lado, estes agentes recebem aproximadamente 18000 Kz por mês (150 dólares americanos). No caso dos meus seguranças, um tem quatro filhos e outro tinha cinco. Ora se imaginarmos que um táxi custa 100 Kz, e precisam de apanhar dois ou três para chegarem a casa, se fossem e voltassem todos os dias, só em táxis, seria 600 Kz, o que multiplicado por 30 dias daria 18000 Kz. Ou seja, todo o seu dinheiro.</p>
<p>Para perceberem bem, nenhum deles tem, por exemplo telemóvel. E se algum deles não aparece para render o outro, o que cá está não tem remédio senão ficar até que alguém apareça para o substituir.</p>
<p>Fazendo turnos de 48 horas, significa que num mês só vêm e vão 15 vezes, o que reduz o custo de viagens a 300 Kz vezes 15 viagens. Um total de 4500 Kz. Mesmo assim, estamos a falar de quase um quarto do salário deles.</p>
<p>E como conseguem eles resolver o problema? Fazem o seu &#8220;business&#8221;. Todos têm um. O dos seguranças é o de usar o nosso quintal para guardar bens e posses das vendedoras. E por esse trabalho recebem 50 ou 100 Kz. Isto significa, presumo eu, mais cerca de 1500Kz por dia de trabalho, o que pode significar mais 21ooo Kz por mês. Pelo que já percebi é este dinheiro que juntam diariamente que serve para comprar os bens do dia a dia e sobreviver. O salário do mês é mais para comprar bens mais duradouros ou outras coisas que possam precisar.</p>
<p>E mesmo assim, conseguem gastar o nada que têm em álcool, pedir dinheiro e comida. A verdade é que eles vivem na pobreza extrema, mas que esta mesma pobreza dá-lhes a força e criatividade para sempre serem capazes de se desenrascar.</p>
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		<title>Cabaz de Natal</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 06:23:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cabaz de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é o país do Cabaz de Natal. Desde que cheguei, ainda estávamos em Outubro e já só se falava do Cabaz de Natal. São cartazes, panfletos, anúncios de rádio, são os funcionários a queixar-se ou a celebrar. O Cabaz de Natal é o paradigma desta terra. Todos querem receber e ninguém quer dar. Claro...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é o país do Cabaz de Natal. Desde que cheguei, ainda estávamos em Outubro e já só se falava do Cabaz de Natal.</p>
<p>São cartazes, panfletos, anúncios de rádio, são os funcionários a queixar-se ou a celebrar.</p>
<p>O Cabaz de Natal é o paradigma desta terra. Todos querem receber e ninguém quer dar.</p>
<p>Claro que se vê a influência de Portugal (até há alguns anos atrás era assim também). É um símbolo de abundância, de coisas boas, de festa e de alegria. Toda a gente quer um Cabaz de Natal.</p>
<p>E não importa décimo terceiro, subsídio de férias ou de Natal. Não importa nada senão o Cabaz. Porque o Cabaz também vem numa altura perfeita. As férias de Natal. Quando todos retornam a sua casa. Quando se juntam com quem amam. E quando, durante 15 dias, não se lembram das preocupações, das dúvidas e das dívidas.</p>
<p>E claro, não sem o Cabaz tão popular, ele também é um óptimo negócio. Afinal, &#8220;This is Angola&#8221;.</p>
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		<title>Meu querido Alonzo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Nov 2010 06:11:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pai Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu querido Alonzo, escrevo-te hoje aqui com a certeza que dificilmente descobrirás este texto sobre ti. No entanto, não importa, o que te escrevo é para o mundo. Porque há pessoas que o mundo merece conhecer, e tu és uma delas. Conhecemo-nos no primeiro dia em que cheguei a Angola. Lembro-me de pensar quando te...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu querido Alonzo, escrevo-te hoje aqui com a certeza que dificilmente descobrirás este texto sobre ti. No entanto, não importa, o que te escrevo é para o mundo. Porque há pessoas que o mundo merece conhecer, e tu és uma delas.</p>
<p>Conhecemo-nos no primeiro dia em que cheguei a Angola. Lembro-me de pensar quando te vi e ao António (julgo que era como se chamava): mas que seguranças são estes??? E quem são estas pessoas na minha casa… Sim porque no quintal estavam sempre a passear muitas pessoas que não conhecia.</p>
<p>No princípio foi irritação. Sentia-me inseguro e revoltado.  Vocês gostam muito de beber, e isso, pelos menos na minha cabeça, não combinava com o andarem com uma AK-47.</p>
<p>Mas o tempo passou, fomos falando, e tu e eu fomos aprendendo a lidar um com o outro. Pedi-te que não bebesses e tu pediste-me que deixasse guardar as coisas das zungueiras no quintal. Ias contando-me a história de ti e da tua família. E fui aprendendo que esse dinheiro que fazias era fundamental para ti.</p>
<p>Com meio século já tinhas estado por quase todo o lado. Na Europa e muito tempo na Sibéria a treinar. “Só o Vodka nos permitia aguentar aquele frio”, explicavas. Talvez por isso agora bebas tanto. Ou talvez pela guerra, ou por razão nenhuma.</p>
<p>Com cinco filhos para sustentar vives com 180 dólares por mês, e ainda arranjas tempo e dinheiro para beber.</p>
<p>Desculpa, isto não é uma ode ao álcool. É uma ode a ti Alonzo.</p>
<p>Uma amizade crescente. Com o tempo íamos falando mais e tu explicando-me que eras um operativo (como chamam aqui aos militares). Que conheces técnicas e que se fosse preciso, que antes de me matarem a mim, teriam de te matar a ti (disseste-o já tantas vezes).</p>
<p>Preocupavas-te comigo quando saia, e eu preocupava-me contigo por não conseguir às vezes entrar em casa. O operativo quando dorme, pelos vistos,  também tem ouvidos mocos.</p>
<p>E fui embora para Portugal e quando voltei parecia uma festa. Quando nos vimos. Tu desataste a dançar no quintal e eu a corar nas bochechas. Mas realmente era bom reencontrar-te. Desta segunda vez fui percebendo que tu não eras só segurança aqui. Na rua tu és o pai, e o avô de muita gente. O pai grande como gostam aqui de chamar aos mais velhos e importantes.. Toda a gente te conhece e tu a toda a gente.</p>
<p>E foi bom estarmos juntos de novo. E mais uma vez voltei para Portugal.</p>
<p>Quando voltei de novo foi de novo uma alegria. Não algo tão fantástico como antes, mas uma serena alegria de sabermos que somos amigos e que íamos a voltar a estar juntos. Mas desta vez as coisas não correram bem. Duas vezes não conseguimos entrar em casa porque tu a dormir, de porta fechada, não acordaste. E ninguém quer saltar o muro quando alguém do lado de dentro está com uma metralhadora, a dormir e, provavelmente, alcoolizado.</p>
<p>Depois uma tarde estavas tão bêbado que quase não te entendia. Mas tu só querias que estivesse ao teu lado a conversar. E eu a dor por te ver assim, por saber o que custa viver aqui, e por olhar para os teus olhos e sentir essa imensa força misturada com dor.</p>
<p>Mas ontem a tristeza foi a maior. Chegaste aqui acima de leve, como sempre fazes, e dizes-me que o teu filho mais velho, de vinte e nove anos: o teu primogénito tinha morrido. E olhei fundo nos teus olhos e estavas partido por dentro. E revoltado. Com o país, com a família, até com o teu filho que não te tinha dito nada sobre estar doente. Uma semana no hospital e morreu. Não se sabe porquê. Neste país nunca se sabe o porquê.</p>
<p>Chorei, chorei contigo Alonzo, porque ninguém merece perder um filho, ninguém merece. Chorei contigo porque te senti sozinho, revoltado e irritado. E eu sem saber o que fazer para te ajudar. Sentei-me contigo, e fiquei ali a tentar entender o que dizias de voz embargada. Levei-te comida (já sei que comes sempre mal). E estive ali. Que tristeza irmão. Perderes to teu filho assim. E no teu olhar e no teu coração e em ti essa mágoa profunda de saber que ainda terás mais responsabilidades. E que tens um trabalho mal pago, e vives em más condições, e que o dinheiro não chega para nada.</p>
<p>E eu, daqui, só te posso oferecer a minha amizade, e estar presente e disponível. E dizer o quanto gosto de ti. Nos teus excessos, na tua humildade, nos teus olhos fundos, no teu sorriso.</p>
<p>Porque tu és efectivamente e para mim o Pai Grande.</p>
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		<title>Amigo, quero ficar contigo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 14:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Amigo]]></category>
		<category><![CDATA[Crónica]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>

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		<description><![CDATA[Saí do restaurante, como faço todos os dias ao almoço, da janela já tinha visto dois rapazes na brincadeira. Um mais atrevido que o outro já me tinha dito adeus duas ou três vezes. Aqui, ao contrário do que acontece em Luanda, as pessoas pedem dinheiro. Principalmente pessoas com deficiências físicas ou crianças pequenas. Normalmente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/23042010188.jpg" class="broken_link"><img class="alignleft size-medium wp-image-496" style="margin: 5px; border: 5px;" title="23042010188" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/23042010188-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Saí do restaurante, como  faço todos os dias ao almoço, da janela já tinha visto dois rapazes na  brincadeira. Um mais atrevido que o outro já me tinha dito adeus duas ou  três vezes.</p>
<p>Aqui, ao contrário do que acontece em Luanda, as pessoas pedem dinheiro.  Principalmente pessoas com deficiências físicas ou crianças pequenas.</p>
<p>Normalmente  há sempre alguém do lado de fora do restaurante à espera dos clientes  para darem qualquer coisa. Eu pus 50kz na algibeira para dar a uma  velhinha sem braços nem pernas, que sempre me surpreende com a  serenidade. E pus 20kz, em duas notas de 10kz, para os rapazes.</p>
<p>Quando saí não vi os rapazes e segui viagem. Mas quando já ia a meio  da rua ouço assim: amigo, amigo&#8230; Volto-me para trás e lá vêm os dois a  correr atrás de mim.</p>
<p>Perguntei: O que querem? E o mais atrevido  diz: Só 200 amigo, só 200 para comprar fubá.</p>
<p>200? Mas tu achas que eu sou rico, enquanto lhe faço umas festas no  cabelo. Deixem lá ver o que tenho aqui. Que tal estes 20kz, 10 para cada  um. Para comprarem (como raio se dizem doces aqui em Angola)&#8230;  comprarem caramelos.</p>
<p>Eles ficaram os dois a olhar para mim meio surpreendidos.  Pronto, mais um tiro ao lado.</p>
<p>Mas o mais  atrevido, vira-se para mim, e com os olhos bem abertos diz: Amigo, quero  ficar contigo!!!</p>
<p>Não sabia o que responder. O meu coração só  queria dizer que sim, e os meus braços também. Como é que se faz&#8230; a  uma criança sem nada, rejeitar um pedido tão sentido.</p>
<p>Disse: Nem pensar, não pode ser. Até logo. E voltei costas para não  verem os meus olhos.</p>
<p>Não sei explicar o que sinto, mesmo sabendo  que se calhar é o que diz a todos, mesmo que não precise de nada. Uma  criança olha-te nos olhos e diz: quero ficar contigo&#8230; Dizer que não é  sem dúvida uma lição que custa a aprender.</p>
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		<title>Morte em Angola &#8211; Galícia Confidencial</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 07:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Galícia Confidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algumas semanas atrás uma pessoa dizia: os Angolanos estão sempre a matar os familiares. Claro que isto dito assim parece muito chocante. Nem percebi bem, mas ele depois explicou: todas as semanas morre alguém da família, ou o pai, ou a irmã, ou a prima, ou a tia, ou o avô&#8230; Podem ler o...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algumas semanas atrás uma pessoa dizia: os Angolanos estão sempre a matar os familiares. Claro que isto dito assim parece muito chocante. Nem percebi bem, mas ele depois explicou: todas as semanas morre alguém da família, ou o pai, ou a irmã, ou a prima, ou a tia, ou o avô&#8230;</p>
<p>Podem ler o resto do post <a href="http://galiciaconfidencial.com/nova/5736.html" target="_blank">http://galiciaconfidencial.com/nova/5736.html</a></p>
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		<title>O meu irmão mais velho</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 14:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Alegria]]></category>
		<category><![CDATA[Caminho]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Irmão]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido irmão mais velho, Não me recordo com exactidão o primeiro dia em que entrei em tua casa. Sei que ia vestido de azul, tinha um malmequer branco no peito e ainda não tinha opinião. Nessa altura foram os meus pais que me levaram a tua casa. Sei porque vi as fotos. Nesse dia foi...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido irmão mais velho,</p>
<p>Não me recordo com exactidão o primeiro dia em que entrei em tua casa. Sei que ia vestido de azul, tinha um malmequer branco no peito e ainda não tinha opinião. Nessa altura foram os meus pais que me levaram a tua casa.</p>
<p>Sei porque vi as fotos. Nesse dia foi uma grande alegria. E de alguma forma passei a pertencer a uma comunidade da qual os meus pais e tu fazem parte. E eu passei a fazer.</p>
<p>A partir dessa altura passei a ir visitar-te quase todas as semanas, umas vezes com a minha mãe, quase sempre, outras sozinho, com a minha avó, ou até com amigos.</p>
<p>Com o passar do tempo fui te conhecendo melhor, fui aprendendo mais sobre ti, e tu foste-me ensinando mais sobre mim. Tens aquela sabedoria sem tempo, e incrivelmente tinhas sempre tempo para mim.</p>
<p>Fui caminhando contigo. Eu e os meus amigos, que eram sempre tão bem recebidos na tua casa. Aliás sempre admirei a facilidade com que recebias toda a gente em tua casa.</p>
<p>Ensinaste-me muita coisa, e de uma forma muito profunda, acabaste por te tornar para mim um guia, uma referência. Disseste-me para amar, disseste-me para oferecer a outra face, para ser generoso, para fazer o bem, para respeitar o próximo e acima de tudo a mim mesmo. Ensinaste-me a não mentir e a ser melhor.</p>
<p>Por tua causa conheci pessoas fantásticas e criei muitos laços de amor com muitas pessoas.</p>
<p>Quando vim para Lisboa deixei de te ir ver tanto. Por tantas razões fiquei perdido no meu caminho e nas minhas prioridades. Não tinha vontade de ir a tua casa, e a celebração que toda a gente fazia lá cansava-me.</p>
<p>Durante muitos anos isso foi fonte de tristeza da minha mãe, afinal a mãe gosta sempre de ver os irmãos juntos.</p>
<p>Mas com o passar do tempo descobri uma das coisas mais fantásticas do mundo. Que afinal a tua casa podia ser o meu ser, e que podia levar-te comigo sempre para onde fosse.</p>
<p>Desde essa altura, apesar dos protestos dos que me disseram que não era a mesma coisa, levei-te comigo sempre. Continuámos a falar, a partilhar segredos, a olhar com a atenção para o mundo e continuaste a ensinar-me muita coisa.</p>
<p>Desde que cheguei a Angola já pensei muitas vezes em ti, inclusivé apeteceu-me ir a tua casa. E passei por lá, mas a porta estava sempre fechada. A minha mãe claro ficou toda contente e disse-me para insistir. Mas não sou já de insistir. A empregada lá de casa também me disse para ir. Que também era nossa irmã e que te conhecia bem. Mas não sabia a que horas estarias em casa. Acabou por não acontecer.</p>
<p>Hoje, aqui no Lubango, decidi caminhar, caminhar sem sentido, sem tempo&#8230; Estava triste e cansado. Hoje acordei às 4 da manhã com gritos na rua. Deviam estar a lutar à séria com os gritos todos. E senti-me cansado. Apeteceu-me voltar para casa, para Portugal. Há dias assim. Mas decidi ir caminhar. Primeiro a um &#8220;centro comercial&#8221; às escuras e com grilos. Mas depois na rua mesmo, a ver as pessoas e os edifícios e tudo. E caminhei por muito tempo. Uma hora ou talvez mais. E ao longe vi a tua casa. Ao princípio nem liguei muito, mas depois senti que se calhar era mesmo o que estava a precisar e fui até lá. Curiosamente estava aberta e tu convidaste-me a entrar.<a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/250420101921.jpg" class="broken_link"><img class="alignright size-medium wp-image-489" style="border: 5px; margin: 5px;" title="25042010192[1]" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/250420101921-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Estava lá um dos nossos irmãos a falar. E eu ouvi. Disse-me que temos em nós a alegria de saber que temos um pastor, e que nada nos faltará se confiarmos nele. E que com alegria temos de partilhar a tua palavra. Afinal tu és o mais velho. Ouvi e lembrei-me que já faço isso, que tento fazer isso todos os dias. Ele também me disse que não importa se são 100 ou 1 os que nos ouvem, que a tua palavra tem valor por ela e não pela quantidade de pessoas que a ouve. E eu concordei no coração.</p>
<p>Sou um dos teus irmãos, mas não esqueço o sacrifício que fizeste por nós e a lição que tens em ti e que nos ofereces todos os dias. Não sou um grande fã de celebrações organizadas ou de compromissos rígidos. Mas tu és o meu irmão mais velho. E levo-te sempre no coração, a ti e à tua palavra.</p>
<p>Alegria e amor, alegria e amor, alegria e amor&#8230; Simples este mistério da vida&#8230;</p>
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