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		<title>Da loucura ao amor</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 17:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[João]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Não costumo fazer isto aqui, mas recebi este presente como resposta ao texto anterior e por isso resolvi, com autorização da autora claro, partilhá-lo convosco: Da minha querida amiga A.L.: &#8220;Da loucura ao amor Um dos meus heróis, dos meus exemplos de vida é um homem louco que gastou a vida ao serviço dos outros,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não costumo fazer isto aqui, mas recebi este presente como resposta ao texto anterior e por isso resolvi, com autorização da autora claro, partilhá-lo convosco:</p>
<p>Da minha querida amiga A.L.:</p>
<p>&#8220;<strong>Da loucura ao amor</strong></p>
<p>Um dos meus heróis, dos meus exemplos de vida é um homem louco que gastou a vida ao serviço dos outros, chamado João. Curiosamente, o João nasceu em Portugal, mais concretamente em Montemor-o-Novo, na idade média.</p>
<p>João passou por muito na vida, podia contar a sua história, pois nunca me canso porque o admiro tanto tanto…Mas gostaria de me focar no ponto de mudança da sua vida.</p>
<p>Ainda jovem, mas já vivido e viajado, João enlouqueceu, saiu pelas ruas gritando que as pessoas são hipócritas, que os pobres são desprezados e abandonados, que o amor não é para ser apregoado mas vivido.</p>
<p>João enlouqueceu ao ponto de deixar a sua vida, as suas coisas, a sua profissão!</p>
<p>Foi internado num hospital onde viveu o degredo que viviam os doentes mentais…</p>
<p>Eram torturados, abandonados, tratados sem respeito, colocados debaixo dos pés de um mundo cruel e intolerante à diferença!</p>
<p>Quando saiu, percebeu que tinha que fazer alguma coisa!</p>
<p>Tudo o que tinha dava, dinheiro, roupa, comida! Vivia miserável aos olhos dos ricos, mas valorizado aos olhos dos pobres. E quem olha com amor é que tem sempre razão, a razão do coração!</p>
<p>João recebia no seu espaço os doentes que ninguém queria… Dava-lhes tudo, curava-lhes as feridas… Era o médico e o amigo…Era tudo, porque aquela gente nada tinha!</p>
<p>João é um marco na história da medicina e da enfermagem…</p>
<p>Mas para mim, ele é o meu herói do amor! Ao lado do meu pai e do Daniel, que são os meus heróis pessoais, não só pelo que fazem, mas principalmente pelo que são para mim!</p>
<p>Pergunto-me se terei que cruzar o limite da loucura para aprender a amar assim as pessoas e a vida… Porque vivo controladamente, o tempo todo!<br />
Talvez tenha, talvez seja isso…</p>
<p>No tempo de João, na idade média, os loucos eram fundamentais! Eram os desvios dos grupos, os outcasts, mas que acabaram por trazer a evolução à nossa sociedade!</p>
<p>No agora, quem se propõe a amar, continua a ser o louco.</p>
<p>Porque passou tanto tempo, mas continuamos intolerantes à diferença, cruéis, distantes, mentirosos, dissimulados, egoístas. Todos os dias ambicionamos mais, todos os dias mentimos, manipulamos, fugimos às responsabilidades, entregamos os fracos para serem julgados pelas nossas bocas… Esperamos amor dos nossos filhos mas assanhamo-los na sociedade para que sejam predadores insaciáveis.</p>
<p>Mas quando chega a nossa hora de sofrer, quando nos tornamos nós os fracos, admiramo-nos de sermos esquecidos pelo mundo, da mesma forma que esquecemos os outros!</p>
<p>João dizia: “do corpo à alma”. Para que sejamos sempre inteiros e aceitemos a nossa natureza social, o nosso desejo de nos partilharmos aos outros. Porque somos pessoas, e as pessoas foram feitas para se unirem por laços invisíveis que nos apertam para sermos mais, sempre mais!</p>
<p>É por isso que João é o meu herói: mais do que por ter sido o primeiro a separar os doentes por diagnóstico, por trazer o estatuto de pessoa ao doente mental, mais do que por ser um crente na vida e em Deus, por ser cheio de espírito, incansável e inteligente… João é o meu herói porque aprendi com ele que para amarmos incondicionalmente, com o nosso corpo e a nossa alma, temos que ser loucos!<br />
Passar literalmente à loucura! Porque só os loucos se entregam verdadeiramente ao amor.</p>
<p>Hoje, pergunto-me se é isso que quero verdadeiramente para mim…</p>
<p>E se for, então que venha a loucura.</p>
<p>Pois prefiro ser louca e entregar-me por amor, do que morrer sã sem nada ter vivido…</p>
<p>E o João? Perguntam vocês… Que lhe aconteceu?</p>
<p>Agora chamam-lhe S. João de Deus, porque amou até à morte, e o seu amor continuou a crescer até hoje… Obrigada João! <img src='http://www.bernardoramirez.com/wp_blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> &#8221;</p>
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		<title>Pular a cerca</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 17:44:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje tive uma conversa muito curiosa com a minha querida amiga JC. Como sempre é maravilhoso falar com pessoas que, de fora, conseguem nos ajudar a perceber bem o que se passa por dentro. Na nossa conversa estávamos a falar das minhas dificuldades de relacionamento aqui em Angola e a tentar perceber o porquê. Claramente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2008/11/cerca.jpg" class="broken_link"><img class="size-medium wp-image-103  alignleft" style="margin: 5px; border: 5px none;" title="Cerca" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2008/11/cerca-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Hoje tive uma conversa muito curiosa com a minha querida amiga JC. Como sempre é maravilhoso falar com pessoas que, de fora, conseguem nos ajudar a perceber bem o que se passa por dentro. Na nossa conversa estávamos a falar das minhas dificuldades de relacionamento aqui em Angola e a tentar perceber o porquê.</p>
<p>Claramente o primeiro problema é uma questão de limites, que parece ser algo recorrente em mim. Em Portugal, e em quase tudo na minha vida, só consigo estar de duas formas, ou completamente, ou nem um bocadinho, Ainda me recordo de certa vez, enquanto fazia um curso de meditação no Estados Unidos, uma professora me ter dito que uma das minhas maiores qualidades é mergulhar inteiramente nas coisas, nas relações, nas aventuras e de me dar por inteiro.</p>
<p>Aqui em Angola o inteiro não funciona. É fundamental conhecer e respeitar as fronteiras. E sempre que necessário impô-las. Sou péssimo nisso. Quando dou por mim ou estou a ser frio de mais ou as pessoas já me estão a passar a ferro. Aqui fico sempre com a sensação que há uma agenda secreta, que há um qualquer interesse e isso impede-me de estar disponível e inteiro.</p>
<p>A minha amiga JC diz-me a certa altura que tenho de ser mais como eles, que tenho de me adaptar. Isso trouxe-me à memória algo muito forte do meu tempo de ensino secundário. Nessa altura vivia marginal ao mundo escolar. Não pertencia a grupo nenhum e sofria muito com isso. A minha mãe dizia-me muitas vezes que se eu me queria integrar com um grupo então o melhor era tentar ser como eles e fazer o que fosse possível para me adaptar.</p>
<p>Isso irritava-me muito. Especialmente porque sempre acreditei que temos de nos dar independentemente de como somos, e acima de tudo, não devemos nos adaptar aos outros para pertencer. Obviamente isto é uma impossibilidade prática, não somos herméticos ao que nos rodeia, mas algures nessa sopa tem de haver um meio termo.</p>
<p>Claro que temos de nos adaptar, claro que mudamos. Aliás quem me conhece e acompanha o meu processo, e até a minha escrita, percebe que as mudanças ocorrem e que estar aqui provoca mudanças. Mas essas mudanças têm de ocorrer pela razão certa, pela descoberta que proporcionam, ou pelo nosso auto-conhecimento, e não porque queremos pertencer, ser aceites ou amados.</p>
<p>Mas este movimento é tão forte tão forte que há pessoas que passam vidas a tentar-se libertar dele e muitas vezes é só isso que se trabalha em constelações familiares.</p>
<p>Para mim a grande diferença entre a infância e a vida adulta é que enquanto crianças escolhermos o percurso e as opções porque os outros querem, nos dizem, nos explicam. Ser adulto é assumir essas escolhas, e assumir a responsabilidade e poder dizer: eu vim por aqui porque decidi.</p>
<p>Ainda não encontrei o meu equilíbrio aqui em Angola, ás vezes pergunto-me se o irei encontrar, tantas vezes anseio pelo meu conforto de casa, da C., de tudo o que me é familiar e cómodo. Mas sei que escolhi o meu caminho e sei qual é a razão que me orienta. E essa é só minha.<br />
___________________________________________________</p>
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		<title>Prisões que se escolhem</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 20:43:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
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		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Escolha]]></category>
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		<description><![CDATA[Se pudesse voluntariamente escolher onde estou onde estaria? Será que os sítios que escolhemos são nossos para escolher? Ou são eles que nos escolhem a nós e dizem: quero este aqui. Ou então, se calhar, existe uma força qualquer superior que nos arruma como um tabuleiro de xadrez organizando os movimentos de todos nós. Nesse...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se pudesse voluntariamente escolher onde estou onde estaria? Será que os sítios que escolhemos são nossos para escolher? Ou são eles que nos escolhem a nós e dizem: quero este aqui.</p>
<p>Ou então, se calhar, existe uma força qualquer superior que nos arruma como um tabuleiro de xadrez organizando os movimentos de todos nós. Nesse xadrez gostava de ser mais que um peão, mas sinto-me sempre apeãozado.</p>
<p>Somos sempre escravos do que precisamos. Reduz as necessidades se queres passar bem. Que a dependência é uma besta. Que dá cabo do desejo, diz a canção e o Jorge com ela.</p>
<p>No meu frigorífico dizia assim: Só há duas maneiras de se ficar rico, ter mais ou precisar de menos. Não é tudo a mesma coisa.</p>
<p>Escolho este local incerto onde vivo e habito. Escolho esta cidade barulhenta, mas cheia de silêncios.</p>
<p>Hoje dizia a uma amiga: É como se tivesse escolhido encarcerar-me numa prisão, longe de tudo e de todos. Apenas com a diferença que é uma prisão louca e muito movimentada.</p>
<p>Assim estou. Preso. Sozinho. Não digo isto com pesar, ou tristeza, ou à espera de consolo. Digo o que sinto. E sei as escolhas que fiz. Escolhi uma prisão para encontrar a liberdade de outra.</p>
<p>Para aprender o preço e o valor de se ser livre, para aprender a amar e valorizar o que importa. Porque no meio do caos o que sobressai é a ordem. A ordem profunda daquilo que sobrevive a tudo. O que resta quando perdemos ou tiramos tudo. Quando não há mais nada para tirar então ficamos nós.</p>
<p>Espero ou desejo que seja esse o propósito desta jornada. O de ficar sem nada para encontrar o que sou e o que posso dar. Paciente talvez seja em algumas coisas (hoje diziam-me que era), mas muito ansioso. A sentir que tenho tanto para fazer. E o tempo que passa. E eu que vou ficando.</p>
<p>É curioso este diferencial entre aquilo que achamos que sabemos, e o que efectivamente já descobrimos ou aprendemos. Tantas vezes olho para mim e vejo sempre o menos, falta isto, falta aquilo, não consegui isto, não consegui aquilo. Mas outras vezes, a vida generosamente oferece a possibilidade de ver o que já aprendi, o que descobri, o que já sei e sou.</p>
<p>Olhando para o mundo, e para a dor e tragédia que é a vida de tanta gente, parece-me insignificante o que vivi, e até injusto achar que passei por isto ou aquilo quando na realidade a minha vida tem sido cómoda, confortável e boa.</p>
<p>Mas se calhar o que somos não se mede tanto pelo que nos acontece, mas mais pela forma como vivemos aquilo que nos acontece.</p>
<p>E neste dilema sempre eterno entre o que mudamos e não mudamos. Há sempre gente a lutar pelos dois lados. Gosto de acreditar que mudo e que não mudo. Que cresço e aprendo, que amadureço e aprendo alguma coisa. Mas que em mim há algo, que veio comigo ao mundo, que foi um presente dos meus pais, e que me faz quem sou. E isso é imutável.</p>
<p>Aventuras, ando sempre a dizer que quero mais, mas ás vezes pela boca morre o peixe.</p>
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		<title>Escolhas</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 17:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É tão bom saber que sentem a falta do que escrevo. Como sinto a falta de escrever. Mas nas últimas duas semanas ando a sofrer de um dilema que não é novo para mim. Entre as trinta tarefas que tenho para fazer, e o estado de espírito oscilante, sinto que há coisas sobre as quais...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É tão bom saber que sentem a falta do que escrevo. Como sinto a falta de escrever. Mas nas últimas duas semanas ando a sofrer de um dilema que não é novo para mim. Entre as trinta tarefas que tenho para fazer, e o estado de espírito oscilante, sinto que há coisas sobre as quais não posso escrever, mesmo quando são essas mesmas coisas que me consomem o espírito.</p>
<p>Já muitas vezes me questionaram sobre a falta de intimidade do que escrevo. A natureza pública e por vezes até demasiado transparente. Mas quem me conhece também conhece a minha natureza transparente. Boa ou má é assim mesmo que sou.Falo de tudo, ou de quase tudo. Tantas vezes com excessiva inocência ou com um olhar demasiado romântico.</p>
<p>Na realidade o limite da minha escrita é muitas vezes definido mais pelo que sinto tocar nos outros e na sua intimidade do que por mim mesmo. Ao longo do tempo já me defrontei com o desagrado de quem se vê retratado ou envolvido. E tenho de respeitar esses limites.</p>
<p>Lembro-me muitas vezes do livro “Amor Feliz” do David Mourão Ferreira, que já falei aqui <a href="http://bomtemponocanal.blogspot.com/2006/04/um-amor-feliz-no-tem-histria.html" target="_blank">http://bomtemponocanal.blogspot.com/2006/04/um-amor-feliz-no-tem-histria.html</a>. Para mim aquele livro é quase uma biografia semi ficcionada. Uma forma de espiar os proprios sentimentos, as dores, os fracassos, tantos anos depois, até com um olhar mais generoso.</p>
<p>“Só nos arrependemos do que não fazemos”. “Ou mais vale pedir desculpa, do que pedir permissão.” Tenho vivido a vida assim. Mas confesso que não consigo escrever para saber que um dia muito mais tarde poderei publicar. Gosto do imediato. De sentir, pensar, escrever, publicar e ver o mundo reagir ao que digo e escrevo.</p>
<p>A minha estadia aqui, nas duas últimas semanas foi com dois colegas de Portugal, que apesar de não ficarem aqui nas nossas instalações, foram uma excelente companhia e um suporte valioso.</p>
<p>Realmente a emigrabilidade faz-nos carentes de coisas portuguesas e de Portugal: comida, música, palavras, pessoas, tudo o que nos traga de volta a casa, mesmo que por instantes. Recordo ás vezes, a maldade do meu humor, orientado para os &#8220;emigras&#8221;, para o seu desejo de voltar, pelas suas características tão únicas. Mas o que vou descobrindo é que realmente, este mundo é só e exclusivamente problemas de comunicação, ou melhor talvez de comunicação e expressão.</p>
<p>Aqui, neste país tão diferente, o que digo e o que ouço, e o que quero dize e o que entendo são coisas completamente diferentes. Claro que em Portugal as coisas não eram assim tão diferentes. Nunca sabemos como nos percebem e entendem. Aliás há muito que defini um limite ao me fazer entender. Porque ás vezes não é mesmo possível. Mas aqui é mais. Mais de tudo. Mais difícil perceber. E tantas vezes ser percebido. Falamos a mesma língua, usamos as mesmas partes do corpo, mas tantas vezes não consigo entender o que me dizem e sei que não me entendem.</p>
<p>Aliás os mais corajosos ainda dizem: “Não entendi.” Mas tantos outros, presumo eu, ficam no caminho sem nos comunicarmos. Há fronteiras invisíveis nas palavras, há fronteiras invisíveis que nos distinguem, que nos afastam e aproximam. Aqui há tanta coisa banal que aí não faria sentido, e o inverso também.</p>
<p>E por isso é doloroso para mim, homem de palavra, homem de comunicação, homem do toque, homem do sentimento e da emoção não conseguir entender, e não ser entendido. É uma licção lenta a da descoberta do outro e por vezes falta-me a paciência.</p>
<p>All good things come to those who wait…</p>
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		<title>Escolher a vida</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 14:22:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp_blog/wp-content/uploads/2008/02/997156.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-657" title="Fotografia por Sissi http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=8202" src="http://www.bernardoramirez.com/wp_blog/wp-content/uploads/2008/02/997156-300x261.jpg" alt="" width="300" height="261" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Estive a circular pelo blog de uma amiga (podem ler o post <a title="Post - Sombras de Tentativas de Suicídio" href="http://coisasbanais.blogspot.com/2008/02/sombras-de-tentativas-de-suicdio.html" target="_blank">aqui</a>) quando me deparei com um tema que esteve bastante presente na minha vida nos últimos tempos: a escolha voluntária de abdicar da vida.</p>
<p>No trabalho que se faz nas Constelações somos deparados por vezes com pessoas nessa situação: umas que o sabem conscientemente e outras que não o percebem.  No primeiro caso, muitas vezes atribuem o sentimento a acontecimentos ocorridos na sua infância ou adolescência (um amor que termina, uma amizade rompida, uma traição, alguém que partiu); essas pessoas têm dificuldade em ver para além da sua dor.  No segundo caso, há muito mais mistério. As pessoas sofrem acidentes, ficam doentes inesperadamente&#8230; muitas vezes sobrevivem e não vivem. E não sabem porquê.</p>
<p>No entanto, em ambos os casos, há algo que existe em comum nessas pessoas, no instante em que se sentam na cadeira do lado e dizem: &#8220;eu tenho um problema&#8221;. Esse acto de coragem infinito merece o maior respeito, e é na sinceridade da descoberta da sua dor que a resposta surge. E essa vontade por si oferece uma resposta que depois fica visível na constelação.</p>
<p>Mas também é importante salientar o respeito. E nesse respeito cada um sabe da sua escolha e faz a sua escolha e nós escolhemos respeitar essa escolha. Isso é viver. Um respeito profundo por nós e pelo outro.</p>
<p>Por isso, um convite convicto a todos os que sofrem e que sentem-se perto de mais da morte: encontrem a coragem de dizer que têm um problema e a coragem de querer ficar na vida. Quando escolhemos a vida, todos lutam do nosso lado.</p>
<p>E na vida há o amor, circula o amor, respira-se o amor. E nessa vida há sempre espaço para outra pessoa.</p>
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