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	<title>bernardoramirez [feeling right]Singularidades | bernardoramirez [feeling right]</title>
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		<title>Singularidades de um povo angolano</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 18:21:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Na semana passada estive a dar formação na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto em Luanda. A oportunidade é fantástica, porque ao darmos formação somos obrigados a partilhar grande parte do dia com as pessoas a quem damos a mesma. Essa relação fortalece os laços e possibilita-nos conhecer melhor a realidade que nos rodeia....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada estive a dar formação na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto em Luanda. A oportunidade é fantástica, porque ao darmos formação somos obrigados a partilhar grande parte do dia com as pessoas a quem damos a mesma. Essa relação fortalece os laços e possibilita-nos conhecer melhor a realidade que nos rodeia.</p>
<p>Num dos almoços animados que partilhamos falámos de muita coisa, mas principalmente de relações, de convívio e de vidas. Pouco a pouco fui ficando cada vez mais surpreendido com o que me contavam. Aqui existe uma doença que surge nas crianças pequenas e que ocorre quando um pai ou uma mãe têm uma relação extra-conjugal e depois vão para ao pé do recém nascido do casamento. Nesse momento, como transportando ainda energia da relação infiel a criança começa a ficar doente e eles dizem-me que é muito perigoso.</p>
<p>Para eles o lugar da mulher na cama é sempre à esquerda e uma mulher grávida não pode passar por cima do marido na cama ou ele não conseguirá ficar acordado no dia a dia.</p>
<p>Num primeiro instante estas diferenças parecem quase uma anedota, como certamente para eles tanto do nosso comportamento lhes provoca o mesmo efeito. Mas quem somos nós para não respeitar os séculos de experiência e de aprendizagem da cultura deles.</p>
<p>Como em todos os povos são cheios de coisas boas, de coisas menos boas, de qualidades e defeitos.</p>
<p>Na realidade, aqui, sinto-me como um recém nascido, que tem de aprender tudo de novo, de raiz, desde as coisas mais simples às mais difíceis. A diferença é que neste caso não sou tábua rasa, não estou vazio e esse exercício de encontrar espaço novo e renovado para o que vou aprendendo exige ginástica e muita força.</p>
<p>Gosto do convívio e gosto de aprender. Sempre gostei. E os meus irmãos angolanos têm tanto para me ensinar.</p>
<p>É oficial, estou há quase uma semana meio doente, e hoje passei um dia na clínica Mediatec para descobrir que tenho uma Faringite e uma infecção urinária. Como os xaropes cá têm todos kilos de açúcar a médica cubana mandou-me beber muitos líquidos. Para além de um antibiótico e um expectorante. Enfim&#8230; Haja saúde <img src='http://www.bernardoramirez.com/wp_blog/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>As Singularidades de Um Rapaz Português em Angola</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 07:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Luanda]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>
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		<description><![CDATA[Viva a normalidade. Viva a normalidade, tanto quanto Angola, e mais precisamente Luanda me permitem. Ontem o meu primo G., que vive cá há 7 anos, convidou-me para jantar com amigos. Todos homens, todos portugueses, e apesar de não os conhecer tínhamos algo muito forte em comum: viver em Angola. Foi muito engraçado ouvir histórias...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Viva a normalidade. Viva a normalidade, tanto quanto Angola, e mais precisamente Luanda me permitem.</p>
<p>Ontem o meu primo G., que vive cá há 7 anos, convidou-me para jantar com amigos. Todos homens, todos portugueses, e apesar de não os conhecer tínhamos algo muito forte em comum: viver em Angola. Foi muito engraçado ouvir histórias de acidentes, de incidentes, de dúvidas, frustrações a alegrias destes meus co-expatriados. Seguranças ladrões, acidentes de automóvel, sítios bonitos para se ir, de tudo um pouco.</p>
<p>Fomos comer num restaurante de um Português e comemos lindamente. O meu bife da vazia estava manteiga. Sim não foi barato, mas precisamos destes luxos.</p>
<p>Depois de jantar fomos a um bar chamado Trica-Espinhas onde também estivemos muito bem. Confesso que nessa altura já estava um pouco cansado. E estar no meio dos engenheiros e malta da construção tem as suas contra indicações. Vigas, pilastras, alçados, pés direitos, betões e tudo o mais &#8230; Chinês na realidade para o português não obreiro. E sim, também se falou muito de chineses que aqui há aos montes.</p>
<p>Para casa fui de boleia com um amigo do meu primo, a sua esposa e uma sobrinha que entretanto tinha aparecido no bar. Chegados à porta da minha casa o portão estava pela primeira vez fechado. Nunca o tinha visto fechado. A rua vazia e silenciosa. Bati com suavidade no portão. Esperei e nada. Bati um pouco mais forte. Esperei e nada. Gritei o nome do segurança. Esperei e nada. Espreitei por cima do muro e no sítio onde sei que eles dormem a porta estava fechada e só silêncio. A minha boleia buzinou, eu gritei. Nada.</p>
<p>Diz-me o amigo do meu primo. O melhor é saltar para cima do gerador, por cima do muro e entrar. Eu expliquei-lhe que o meu forte era mais dizer piadas, ou ficar sossegado, que saltar não era nada bom. E que o segurança tinha uma metralhadora. Sim&#8230; Já vos tinha dito?</p>
<p>A mulher dele, magrinha, disse logo eu pulo num instante. E num instante pulou, abriu o portão. Saiu ela, entrei eu.</p>
<p>Tentei fechar o portão e também não conseguia. No meio da escuridão tinha encravado. Lá consegui. Resumidamente estive 10 minutos há volta do portão, a saltar o portão, a fazer barulho no portão. E os cães a ladrar feitos doidos com a confusão.</p>
<p>E o meu segurança? E os seguranças das casas ao lado?</p>
<p>Também gostava de saber. Mas alguém tem de guardar o sono&#8230;</p>
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