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	<title>bernardoramirez [feeling right]Vida | bernardoramirez [feeling right]</title>
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	<description>Um espaço dedicado à Comunicação, às Constelações e à Tecnologia</description>
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		<title>Morrer</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 09:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciclo da vida]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[No outro dia, o filho mais novo de uma amiga perguntava-lhe &#8220;Porque é que as pessoas têm medo de morrer?&#8221; e &#8220;Eu não sei porque é que tenho medo de morrer, mas tenho!&#8221;. Há muitos anos atrás fiz uma constelação com a Ingala Robl em que nos deparávamos com a nossa própria morte, segundo ela,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No outro dia, o filho mais novo de uma amiga perguntava-lhe &#8220;Porque é que as pessoas têm medo de morrer?&#8221; e &#8220;Eu não sei porque é que tenho medo de morrer, mas tenho!&#8221;.</p>
<p>Há muitos anos atrás fiz uma constelação com a Ingala Robl em que nos deparávamos com a nossa própria morte, segundo ela, todos os terapeutas deviam olhar de frente para a morte pelo menos uma vez.</p>
<p>Agora que olho para isso vejo esse medo sempre com duas possibilidades: a primeira, como tantas vezes digo é o medo da mudança, o outro o medo de não ter vivido.</p>
<p>Em jeito de brincadeira respondo à pergunta como se fosse o meu filho:</p>
<p>&#8220;Filho sabes, ter medo é a coisa mais natural e saudável do mundo. Quando temos medo isso significa que algo em nós nos está a proteger e a guardar. Quando um cão ladra muito e nos afastamos. Ou quando não gostamos de estar muito perto da janela num sítio alto. Isso acontece porque há uma boa parte de nós que nos quer bem, e que nos quer proteger. E isso é o medo.</p>
<p>Às vezes esse medo pode tomar conta de nós, mas o melhor é sermos nós a tomar conta dele e a agradecer ele existir e tomar tão boa conta de nós.</p>
<p>Mas a morte querido é apenas o outro lado da vida. Como uma moeda: de um lado temos a cara e do outro a coroa. Nesta terra temos esses dois lados: estarmos vivos ou estarmos mortos. E passamos todos pelos dois lados. Nascemos, crescemos e morremos.</p>
<p>É triste pensar que as pessoas que gostamos se podem ir embora, mas também vai ser triste para as pessoas que gostam de nós quando nos formos embora.</p>
<p>Por isso o que o pai faz, todos os dias, é celebrar a vida. É pensar e viver as coisas boas, tentar estar com as pessoas que gosta. E celebrar tudo: o chocolate, o cheiro das flores, o jogo, o irmão, os amigos, os avós.</p>
<p>E por isso ele sabe, e tu também podes aprender, que essa é a melhor forma de não ter medo de morrer. Saber que cada dia vivemos tudo com muita alegria.</p>
<p>E quando chegar o dia, de passarmos da vida para a morte, vamos poder sorrir com a certeza que o que vivemos e fizemos aqui valeu a pena e foi uma celebração e uma alegria.&#8221;</p>
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		<title>Olhar</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 09:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Olho e vejo para lá Para lá das coisas Para lá das pessoas Olho e vejo bem fundo Fundo naquilo que somos E fundo naquilo que queremos ser Olho para tudo com um olhar de criança Com um olhar inocente e curioso E o que vejo do mundo Aquilo que percebo e entendo É imenso...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Olho e vejo para lá</p>
<p style="text-align: left;">Para lá das coisas</p>
<p style="text-align: left;">Para lá das pessoas</p>
<p style="text-align: left;">Olho e vejo bem fundo</p>
<p style="text-align: left;">Fundo naquilo que somos</p>
<p style="text-align: left;">E fundo naquilo que queremos ser</p>
<p style="text-align: left;">Olho para tudo com um olhar de criança</p>
<p style="text-align: left;">Com um olhar inocente e curioso</p>
<p style="text-align: left;">E o que vejo do mundo</p>
<p style="text-align: left;">Aquilo que percebo e entendo</p>
<p style="text-align: left;">É imenso e enorme</p>
<p style="text-align: left;">É cheio de magia e de alegria</p>
<p style="text-align: left;">E é cheio de AMOR</p>
<p style="text-align: left;">E isso enche o meu coração</p>
<p style="text-align: left;">O meu coração infantil</p>
<p style="text-align: left;">O meu coração mimado</p>
<p style="text-align: left;">Que sente, que fibra, que treme e que teme</p>
<p style="text-align: left;">E esse movimento perpétuo</p>
<p style="text-align: left;">Esse movimento que é vida</p>
<p style="text-align: left;">Alimenta o meu OLHAR</p>
<p style="text-align: left;">E recomeço assim o meu caminho</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Como Dizia o Poeta</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 11:12:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poeta]]></category>
		<category><![CDATA[Toquinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Vinicius]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem já passou por essa vida e não viveu, Pode ser mais mas sabe menos do que eu. Porque a vida só se dá pra quem se deu, Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão Nunca vai ter nada, não. Não há mal pior do que a descrença,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><code><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/T1Gu1yS2_QU?fs=1&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/T1Gu1yS2_QU?fs=1&amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></code></p>
<p>Quem já passou por essa vida e não viveu,<br />
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.<br />
Porque a vida só se dá pra quem se deu,<br />
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.</p>
<p>Quem nunca curtiu uma paixão<br />
Nunca vai ter nada, não.</p>
<p>Não há mal pior do que a descrença,<br />
Mesmo o amor que não compensa<br />
É melhor que a solidão.</p>
<p>Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.<br />
Pra que somar se a gente pode dividir.<br />
Eu francamente já não quero nem saber<br />
De quem não vai porque tem medo de sofrer.</p>
<p>Ai de quem não rasga o coração,<br />
Esse não vai ter perdão.<br />
Quem nunca curtiu uma paixão,<br />
Nunca vai ter nada, não.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Da loucura ao amor</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 17:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[João]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Não costumo fazer isto aqui, mas recebi este presente como resposta ao texto anterior e por isso resolvi, com autorização da autora claro, partilhá-lo convosco: Da minha querida amiga A.L.: &#8220;Da loucura ao amor Um dos meus heróis, dos meus exemplos de vida é um homem louco que gastou a vida ao serviço dos outros,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não costumo fazer isto aqui, mas recebi este presente como resposta ao texto anterior e por isso resolvi, com autorização da autora claro, partilhá-lo convosco:</p>
<p>Da minha querida amiga A.L.:</p>
<p>&#8220;<strong>Da loucura ao amor</strong></p>
<p>Um dos meus heróis, dos meus exemplos de vida é um homem louco que gastou a vida ao serviço dos outros, chamado João. Curiosamente, o João nasceu em Portugal, mais concretamente em Montemor-o-Novo, na idade média.</p>
<p>João passou por muito na vida, podia contar a sua história, pois nunca me canso porque o admiro tanto tanto…Mas gostaria de me focar no ponto de mudança da sua vida.</p>
<p>Ainda jovem, mas já vivido e viajado, João enlouqueceu, saiu pelas ruas gritando que as pessoas são hipócritas, que os pobres são desprezados e abandonados, que o amor não é para ser apregoado mas vivido.</p>
<p>João enlouqueceu ao ponto de deixar a sua vida, as suas coisas, a sua profissão!</p>
<p>Foi internado num hospital onde viveu o degredo que viviam os doentes mentais…</p>
<p>Eram torturados, abandonados, tratados sem respeito, colocados debaixo dos pés de um mundo cruel e intolerante à diferença!</p>
<p>Quando saiu, percebeu que tinha que fazer alguma coisa!</p>
<p>Tudo o que tinha dava, dinheiro, roupa, comida! Vivia miserável aos olhos dos ricos, mas valorizado aos olhos dos pobres. E quem olha com amor é que tem sempre razão, a razão do coração!</p>
<p>João recebia no seu espaço os doentes que ninguém queria… Dava-lhes tudo, curava-lhes as feridas… Era o médico e o amigo…Era tudo, porque aquela gente nada tinha!</p>
<p>João é um marco na história da medicina e da enfermagem…</p>
<p>Mas para mim, ele é o meu herói do amor! Ao lado do meu pai e do Daniel, que são os meus heróis pessoais, não só pelo que fazem, mas principalmente pelo que são para mim!</p>
<p>Pergunto-me se terei que cruzar o limite da loucura para aprender a amar assim as pessoas e a vida… Porque vivo controladamente, o tempo todo!<br />
Talvez tenha, talvez seja isso…</p>
<p>No tempo de João, na idade média, os loucos eram fundamentais! Eram os desvios dos grupos, os outcasts, mas que acabaram por trazer a evolução à nossa sociedade!</p>
<p>No agora, quem se propõe a amar, continua a ser o louco.</p>
<p>Porque passou tanto tempo, mas continuamos intolerantes à diferença, cruéis, distantes, mentirosos, dissimulados, egoístas. Todos os dias ambicionamos mais, todos os dias mentimos, manipulamos, fugimos às responsabilidades, entregamos os fracos para serem julgados pelas nossas bocas… Esperamos amor dos nossos filhos mas assanhamo-los na sociedade para que sejam predadores insaciáveis.</p>
<p>Mas quando chega a nossa hora de sofrer, quando nos tornamos nós os fracos, admiramo-nos de sermos esquecidos pelo mundo, da mesma forma que esquecemos os outros!</p>
<p>João dizia: “do corpo à alma”. Para que sejamos sempre inteiros e aceitemos a nossa natureza social, o nosso desejo de nos partilharmos aos outros. Porque somos pessoas, e as pessoas foram feitas para se unirem por laços invisíveis que nos apertam para sermos mais, sempre mais!</p>
<p>É por isso que João é o meu herói: mais do que por ter sido o primeiro a separar os doentes por diagnóstico, por trazer o estatuto de pessoa ao doente mental, mais do que por ser um crente na vida e em Deus, por ser cheio de espírito, incansável e inteligente… João é o meu herói porque aprendi com ele que para amarmos incondicionalmente, com o nosso corpo e a nossa alma, temos que ser loucos!<br />
Passar literalmente à loucura! Porque só os loucos se entregam verdadeiramente ao amor.</p>
<p>Hoje, pergunto-me se é isso que quero verdadeiramente para mim…</p>
<p>E se for, então que venha a loucura.</p>
<p>Pois prefiro ser louca e entregar-me por amor, do que morrer sã sem nada ter vivido…</p>
<p>E o João? Perguntam vocês… Que lhe aconteceu?</p>
<p>Agora chamam-lhe S. João de Deus, porque amou até à morte, e o seu amor continuou a crescer até hoje… Obrigada João! <img src='http://www.bernardoramirez.com/wp_blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> &#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Seguranças</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 08:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Exemplo]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[No outro dia, em conversa com uma amiga, percebi que não é fácil perceberem como são as coisas por aqui. E como acho interessante e importante conhecermos o mundo vou tentar explicar-vos como se passam as coisas aqui, em particular com os seguranças. Em primeiro lugar, acho importante que percebam que há seguranças em todo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No outro dia, em conversa com uma amiga, percebi que não é fácil perceberem como são as coisas por aqui. E como acho interessante e importante conhecermos o mundo vou tentar explicar-vos como se passam as coisas aqui, em particular com os seguranças.</p>
<p>Em primeiro lugar, acho importante que percebam que há seguranças em todo o lado: nos bancos, nas instituições públicas, nas lojas e claro nas casas das pessoas. Normalmente estão do lado de fora dos edifícios, sentados em cadeiras, em bancos ou pedras. E têm ou não metralhadora, cassetete, farda, etc.</p>
<p>A nossa rua aqui, como já contei é de chão de terra, com pedaços de asfalto. De cada lado casas, ou térreas ou com primeiro andar, grande parte delas destruída, incompleta, ou em reconstrução. Todas as casas têm um quintal, normalmente de cimento ou, no nosso caso, com azulejo. Os proprietários aproveitam esse espaço para guardar os carros e muitas vezes para fazer um pequeno jardim.</p>
<p>A casa, a nossa claro, tem um portão apenas, que fecha e abre manualmente. O nosso segurança está, quando tudo corre bem, numa cadeira de plástico na rua, e normalmente debaixo de uma sombra de uma árvore e por isso nem sempre exactamente na nossa porta, mas quase sempre perto o suficiente.</p>
<p>Aqui temos sempre dois seguranças, que rodam de turno a cada 48 horas. Isso significa que passam duas noites aqui de cada turno. E claro têm um colchão onde dormem. Normalmente no quintal, ou quando conseguem dentro da área da recepção da empresa do Rés-do-Chão. Sim é estranho os seguranças dormirem quando estão a segurar. Mas é humanamente impossível pedir a estas pessoas para ficarem 48 horas sem dormir.</p>
<p>O ideal é serem pessoas que ficam atentas, mesmo a dormir, a qualquer perturbação. Mas como já sabem de histórias minhas e não só, isso não acontece.</p>
<p>Agora perguntam, mas porquê 48 horas? Porque sendo os seguranças pessoas com muito poucas posses vivem em zonas &#8220;distantes&#8221; da cidade. Isso implica que têm de passar muitas horas no trânsito. Hora se fossem e viessem todos os dias, vamos imaginar turnos de 12 horas, por exemplo, teriam de sair de casa às 4 para chegarem às 8. Depois teriam de sair às 20 (já nem há táxis a essa hora), e chegariam a casa por volta das 24. Para dormir 4 horas e tudo começar de novo. E sim há trânsito sempre.</p>
<p>Por outro lado, estes agentes recebem aproximadamente 18000 Kz por mês (150 dólares americanos). No caso dos meus seguranças, um tem quatro filhos e outro tinha cinco. Ora se imaginarmos que um táxi custa 100 Kz, e precisam de apanhar dois ou três para chegarem a casa, se fossem e voltassem todos os dias, só em táxis, seria 600 Kz, o que multiplicado por 30 dias daria 18000 Kz. Ou seja, todo o seu dinheiro.</p>
<p>Para perceberem bem, nenhum deles tem, por exemplo telemóvel. E se algum deles não aparece para render o outro, o que cá está não tem remédio senão ficar até que alguém apareça para o substituir.</p>
<p>Fazendo turnos de 48 horas, significa que num mês só vêm e vão 15 vezes, o que reduz o custo de viagens a 300 Kz vezes 15 viagens. Um total de 4500 Kz. Mesmo assim, estamos a falar de quase um quarto do salário deles.</p>
<p>E como conseguem eles resolver o problema? Fazem o seu &#8220;business&#8221;. Todos têm um. O dos seguranças é o de usar o nosso quintal para guardar bens e posses das vendedoras. E por esse trabalho recebem 50 ou 100 Kz. Isto significa, presumo eu, mais cerca de 1500Kz por dia de trabalho, o que pode significar mais 21ooo Kz por mês. Pelo que já percebi é este dinheiro que juntam diariamente que serve para comprar os bens do dia a dia e sobreviver. O salário do mês é mais para comprar bens mais duradouros ou outras coisas que possam precisar.</p>
<p>E mesmo assim, conseguem gastar o nada que têm em álcool, pedir dinheiro e comida. A verdade é que eles vivem na pobreza extrema, mas que esta mesma pobreza dá-lhes a força e criatividade para sempre serem capazes de se desenrascar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Poeta</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 21:07:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Viver]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou um poeta. Não sou um poeta. Quer dizer, sou um poeta. Não no sentido tradicional. Não sou o Vinicius, ou o Pessoa. Não sou o Poe, ou o Tê, ou o Saint-Exupéry. Gostava de ser, mas não sou. A minha poesia não é cantada, apesar do meu esforço, e olhem que não é pouco....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou um poeta. Não sou um poeta.</p>
<p>Quer dizer, sou um poeta. Não no sentido tradicional. Não sou o Vinicius, ou o Pessoa. Não sou o Poe, ou o Tê, ou o Saint-Exupéry. Gostava de ser, mas não sou.</p>
<p>A minha poesia não é cantada, apesar do meu esforço, e olhem que não é pouco. E não é pintada. Essa nunca tentei muito. O meu poema não é de pausas e notas. Não é de pedra e martelo. Não é poesia ensinada, nem poesia praticada.</p>
<p>Mas acho que sou poeta.</p>
<p>Sou um poeta dos sentimentos e do coração.</p>
<p>Não pinto quadros, não escrevo prosa, não crio sonetos, não faço canções populares.</p>
<p>Sinto e emociono-me e choro e riu e vivo tudo com a intensidade de um instante final.</p>
<p>Sou o poeta da confusão e do caos. Sou o poeta da entrega e da atenção. Sou o poeta do nada e do amor. Sou poeta.</p>
<p>Sou o poeta do lambuzamento e do abuso. Sou o poeta do desbocamento e do sem vergonhismo.</p>
<p>Vivo tudo com a sensação que amanhã nada haverá, mas com a ânsia de que amanhã seja tudo o que sonho. Mesmo quando não sei o que quero ou sonho.</p>
<p>Sou poeta da vida, porque amo os homens, e as mulheres, e as crianças, e os animais, e as plantas, e os cheiros e as cores e os sons.</p>
<p>Sou poeta porque me enterneço com gestos de carinho e sinto-me ligado a tudo e a todos.</p>
<p>Poeta da vida que há em mim e que insisto em partilhar com os outros.</p>
<p>Sou poeta porque choro sem razão maior do que uma música, ou palavras, ou de apenas ver um filme banal.</p>
<p><em><strong>Porque não sou poeta de mim, mas sim poeta do que habita em mim. Porque o que habita em mim não sou só eu. É mais e maior do que eu. É o mundo e a vida. E isso é a minha poesia: viver a vida em mim.</strong></em></p>
<p>E por isso: sou poeta.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>2as Conversas sobre Constelações</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 08:47:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Constelações]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Conversas]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Muita gente pergunta o que são as Constelações Familiares. Muita gente quer saber. Um terapeuta conhecido diz que as Constelações são muito fáceis de perceber, e muito difíceis de explicar. Por esta razão criei as Conversas sobre Constelações: o propósito deste encontros é permitir às pessoas falarem, perguntarem e experimentarem as Constelações sem terem de...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/07/lbl.jpg" class="broken_link"><img class="size-medium wp-image-521 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" title="lbl" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/07/lbl-300x171.jpg" alt="" width="300" height="171" /></a></p>
<p>Muita gente  pergunta o que são as Constelações Familiares. Muita gente quer saber.</p>
<p>Um terapeuta conhecido diz que <strong>as Constelações são muito fáceis de  perceber, e muito difíceis de explicar</strong>.</p>
<p>Por esta razão criei as <em><strong>Conversas sobre Constelações</strong></em>: o  propósito deste encontros é permitir às pessoas falarem, perguntarem e  experimentarem as Constelações sem terem de se comprometer com um  Workshop.</p>
<p>Estes encontros são gratuitos e abertos a todos os que quiserem  aparecer. Mais, terei todo o gosto de realizar estas conversas em  espaços e locais que me sugiram e convidem.</p>
<p>E assim tenho o prazer de vos convidar para as</p>
<h3><strong>2as Conversas sobre Constelações</strong></h3>
<p><strong> </strong>Data:<strong> 20 Julho de 2010<br />
</strong>Hora:<strong> 19:00 (duração aproximada de 2 horas)<br />
</strong>Local: <strong>Espiral, Lisboa</strong></p>
<p>Ver mapa &#8211; <a href="http://www.espiral.pt/localizacao.htm" target="_blank">http://www.espiral.pt/localizacao.htm</a></p>
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		<title>Workshop de Constelações Familiares com Bernardo Ramirez</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 13:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Constelações]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardo Ramirez]]></category>
		<category><![CDATA[Constelações Familiares]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/07/Ws-Bernardo.jpg" class="broken_link"><img class="aligncenter size-full wp-image-516" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="Ws Bernardo" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/07/Ws-Bernardo.jpg" alt="" width="506" height="749" /></a></p>
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		<title>O meu irmão mais velho</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 14:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Alegria]]></category>
		<category><![CDATA[Caminho]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Irmão]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Querido irmão mais velho, Não me recordo com exactidão o primeiro dia em que entrei em tua casa. Sei que ia vestido de azul, tinha um malmequer branco no peito e ainda não tinha opinião. Nessa altura foram os meus pais que me levaram a tua casa. Sei porque vi as fotos. Nesse dia foi...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido irmão mais velho,</p>
<p>Não me recordo com exactidão o primeiro dia em que entrei em tua casa. Sei que ia vestido de azul, tinha um malmequer branco no peito e ainda não tinha opinião. Nessa altura foram os meus pais que me levaram a tua casa.</p>
<p>Sei porque vi as fotos. Nesse dia foi uma grande alegria. E de alguma forma passei a pertencer a uma comunidade da qual os meus pais e tu fazem parte. E eu passei a fazer.</p>
<p>A partir dessa altura passei a ir visitar-te quase todas as semanas, umas vezes com a minha mãe, quase sempre, outras sozinho, com a minha avó, ou até com amigos.</p>
<p>Com o passar do tempo fui te conhecendo melhor, fui aprendendo mais sobre ti, e tu foste-me ensinando mais sobre mim. Tens aquela sabedoria sem tempo, e incrivelmente tinhas sempre tempo para mim.</p>
<p>Fui caminhando contigo. Eu e os meus amigos, que eram sempre tão bem recebidos na tua casa. Aliás sempre admirei a facilidade com que recebias toda a gente em tua casa.</p>
<p>Ensinaste-me muita coisa, e de uma forma muito profunda, acabaste por te tornar para mim um guia, uma referência. Disseste-me para amar, disseste-me para oferecer a outra face, para ser generoso, para fazer o bem, para respeitar o próximo e acima de tudo a mim mesmo. Ensinaste-me a não mentir e a ser melhor.</p>
<p>Por tua causa conheci pessoas fantásticas e criei muitos laços de amor com muitas pessoas.</p>
<p>Quando vim para Lisboa deixei de te ir ver tanto. Por tantas razões fiquei perdido no meu caminho e nas minhas prioridades. Não tinha vontade de ir a tua casa, e a celebração que toda a gente fazia lá cansava-me.</p>
<p>Durante muitos anos isso foi fonte de tristeza da minha mãe, afinal a mãe gosta sempre de ver os irmãos juntos.</p>
<p>Mas com o passar do tempo descobri uma das coisas mais fantásticas do mundo. Que afinal a tua casa podia ser o meu ser, e que podia levar-te comigo sempre para onde fosse.</p>
<p>Desde essa altura, apesar dos protestos dos que me disseram que não era a mesma coisa, levei-te comigo sempre. Continuámos a falar, a partilhar segredos, a olhar com a atenção para o mundo e continuaste a ensinar-me muita coisa.</p>
<p>Desde que cheguei a Angola já pensei muitas vezes em ti, inclusivé apeteceu-me ir a tua casa. E passei por lá, mas a porta estava sempre fechada. A minha mãe claro ficou toda contente e disse-me para insistir. Mas não sou já de insistir. A empregada lá de casa também me disse para ir. Que também era nossa irmã e que te conhecia bem. Mas não sabia a que horas estarias em casa. Acabou por não acontecer.</p>
<p>Hoje, aqui no Lubango, decidi caminhar, caminhar sem sentido, sem tempo&#8230; Estava triste e cansado. Hoje acordei às 4 da manhã com gritos na rua. Deviam estar a lutar à séria com os gritos todos. E senti-me cansado. Apeteceu-me voltar para casa, para Portugal. Há dias assim. Mas decidi ir caminhar. Primeiro a um &#8220;centro comercial&#8221; às escuras e com grilos. Mas depois na rua mesmo, a ver as pessoas e os edifícios e tudo. E caminhei por muito tempo. Uma hora ou talvez mais. E ao longe vi a tua casa. Ao princípio nem liguei muito, mas depois senti que se calhar era mesmo o que estava a precisar e fui até lá. Curiosamente estava aberta e tu convidaste-me a entrar.<a href="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/250420101921.jpg" class="broken_link"><img class="alignright size-medium wp-image-489" style="border: 5px; margin: 5px;" title="25042010192[1]" src="http://www.bernardoramirez.com/wp-content/uploads/2010/04/250420101921-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Estava lá um dos nossos irmãos a falar. E eu ouvi. Disse-me que temos em nós a alegria de saber que temos um pastor, e que nada nos faltará se confiarmos nele. E que com alegria temos de partilhar a tua palavra. Afinal tu és o mais velho. Ouvi e lembrei-me que já faço isso, que tento fazer isso todos os dias. Ele também me disse que não importa se são 100 ou 1 os que nos ouvem, que a tua palavra tem valor por ela e não pela quantidade de pessoas que a ouve. E eu concordei no coração.</p>
<p>Sou um dos teus irmãos, mas não esqueço o sacrifício que fizeste por nós e a lição que tens em ti e que nos ofereces todos os dias. Não sou um grande fã de celebrações organizadas ou de compromissos rígidos. Mas tu és o meu irmão mais velho. E levo-te sempre no coração, a ti e à tua palavra.</p>
<p>Alegria e amor, alegria e amor, alegria e amor&#8230; Simples este mistério da vida&#8230;</p>
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		<title>Tribo</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 03:06:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Tribo]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sou deste mundo. Ou este mundo não é meu. Hoje, sentado no bar do hotel voltei a lembrar-me muito de uma coisa que escrevi há tempos: &#8220;People are always saying I am not of this world, but who has told them they are the ones who are home?&#8221; Também hoje encontrei via web uma...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou deste mundo. Ou este mundo não é meu.</p>
<p>Hoje, sentado no bar do hotel voltei a lembrar-me muito de uma coisa que escrevi há tempos: &#8220;People are always saying I am not of this world, but who has told them they are the ones who are home?&#8221;</p>
<p>Também hoje encontrei via web uma grande amiga. E no meio de uma conversa muito bonita ela dizia que nós somos da mesmo tribo.</p>
<p>E somos mesmo. Se calhar a resposta é essa. Temos muitas tribos neste planeta. Tribos diferentes, com cores, com gostos e com forças diferentes e formas de estar diversas.</p>
<p>A minha é uma tribo pequenina, que não se nota muito e que se não olharem com atenção passa despercebida. Olho para a esta tribo maioritária e fico sempre meio em surpreso. Por sermos, nós os pequeninos, tão diferentes desta larga maioria.</p>
<p>A tribo aqui é um pouco diferente da daí. Aqui é mais física, mais da forma e mais do imediato. Mas mesmo assim, ou se calhar até mais, pertenço ainda menos a ela. </p>
<p>Mas com a minha tribo, apesar de estarmos unidos todos pela alma a verdade é que sinto muita falta de ter a minha tribo comigo. É uma aventura solitária esta de se ser singular. É uma aventura solitária esta que escolhi para mim, nesta fase da vida. </p>
<p>Obrigado SM por sermos da mesma tribo, ensinas-me muitas coisas boas e partilhas outras tantas igualmente maravilhosas.</p>
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