A realidade é f… (lixada)

Todos nos sentimos mais ou menos desafiados pela realidade. É ela que determina o quando, o como, o qual e o onde. E essa relação com o que nos está a acontecer e onde estamos determina o grau do nosso bem estar e da nossa saúde (tanto física como mental).

Ao longo da minha vida tenho conhecido muitas pessoas que são realidadodesafiadas. Normalmente são pessoas que desejam ardentemente… Desejam amigos, desejam amor, desejam dinheiro, desejam saúde… E sofrem, sofrem muito por sentirem que não os têm, ou porque sentem que nunca os tiveram e que nunca os vão ter.

O terrível é que essa dor também se transforma no medo de nunca vir a ter. O pânico de imaginarem que nunca terão amigos, namorados, filhos, trabalho, dinheiro.

E esse sofrimento e essa dor são tão fortes, tão poderosos, que em vez de os ajudar e motivar à mudança cristalizam-nos numa alienação cada vez maior. E esse movimento cria um paradigma que seria cómico se não fosse tão trágico: estão de tal formas presas e desligadas que, mesmo rodeadas do que desejam, não o conseguem sentir, viver, sorver.

Desejam amigos, mas quando estão perto de amigos, não os vêm, não os ouvem, não os percebem. Querem amor, mas não percebem a pessoa que os ama. Querem saúde, mas não conseguem entender a tarefa simples que os vai curar. Estão de tal forma desligados que não se conseguem conectar com o real, com o que se passa no presente, no aqui e no agora. Porque receiam o que não tiveram e o que não vão ter.

Estas pessoas não se deixam amar. Não se deixam viver. Não se deixam estar. Estão tão presas no que não… que não conseguem fazer ou falar de outra coisa que não delas, não conseguem o diálogo e a partilha.

E essa capacidade, a capacidade de se comunicar e de se ligar, é a fundamental para a vida. A de se deixar tocar, a de se relacionar e a de estar no aqui e no agora

Como diz uma amiga: entreguemo-nos à vida, para que ela aconteça em nós!

 

por Bernardo Ramirez

4 comentários em “A realidade é f… (lixada)”

  1. Bom tema! Concordo plenamente contigo.Tenho-me cruzado ao longo da vida com pessoas ( poucas, graças a Deus) que vivem atoladas com a falta daquilo que acham que não lhes é dado ou com o persistente medo de não vir a alcançar os seus objetivos. São incapazes de entender que têm em si mesmas a capacidade de se libertar desses grilhões .Foram-se tornando infelizes e angustiadas mas ao mesmo tempo desconfiadas ou surdas a qualquer sugestão de mudança de atitude interior, mesmo que dada por verdadeiros amigos. Esta tem sido sempre a minha dificuldade. E para me consolar, acho eu, muitas vezes me lembro do que tu me ensinaste numa das nossas conversas : ” Mãe, nós só podemos ajudar quem quer ser ajudado.”.

  2. Confesso que a meio do texto já estava a ficar com um nó na cabeça, mas ainda bem que gostas de desatar nós e acabaste por trazer clareza ao que pretendias dizer, ou que eu estava a ler 🙂 Concordo, que existem essas pessoas. Nós só podemos levar o burro até à fonte, mas nunca conseguimos obrigá-lo a beber. Às vezes o burro nem vê que está perante uma fonte, de tão alienado que está, não é?

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