Crescer

Uma corda presa num tronco

Quando estamos na aventura da vida diária, muitas vezes não temos o tempo ou a vontade de parar, olhar e ver de onde viemos e para onde estamos a ir. À partida, como toda a gente, presumimos que a vida continua igual, que tudo se passa da mesma forma e que nós, como o mundo que nos rodeia, continuamos iguais e constantes.

Não quero aqui falar sobre o debate eterno sobre se permanecemos sempre os mesmos ou se mudamos ao longo da vida. Um dia pode ser um bom debate (o que acham vocês?). Continuar a ler “Crescer”

Caminhos da escrita

Uma praia, uma rede, espreguiçadeiras e um senhor carregando colchões

Quando decidi começar a reunir no mesmo sítio as coisas que escrevi deparei-me com um desafio enorme. Muitas das coisas são mais históricas que estruturais. O que quero dizer?

No tempo em que as escrevi, algumas delas nos tempos idos de mil e troca o passo, elas eram relevantes, pertinentes, emocionantes, ou eram apenas. Hoje olho para elas com um certo desapego. Algumas das coisas não fazem sentido e outras são de qualidade duvidosa. Continuar a ler “Caminhos da escrita”

Curvas

Uma parte indefinida de um corpo com um bikini verde flurescente
Num mundo cheio de rectas sou um homem de curvas. Sempre fui. Das curvas que se vêem, e se sentem com os dedos ou com a língua sequiosa. Sou daquelas curvas que aquecem, que enternecem ou que apaixonam. Das curvas que se saboreiam e que deliciam. Das que se apertam e seguram com força.
Mas também sou das que não se vêem. Das que se imaginam num qualquer corpo apaixonado ou apaixonante, mas também das que não se vêem ao longo do caminho. As curvas dos montes e dos vales. Do horizonte e do mar. Aquelas que apenas se podem antever ou sonhar apaixonadamente, mas que só se conhecem quando se cruzam.

Continuar a ler “Curvas”

Mundar

Um nascer do sol no horizonte com árvores a fazerem sombra

Quero ser daqueles que mudam o mundo. Quero ser um Frank Lloyd Wright. Quero ser um Vinicius de Moraes. Quero ser uma Madre Teresa. Quero ser um Jim Rohn. Quero…

Quero que daqui a mil anos toda a gente saiba quem fui. O que fiz e como o mundo mudou pela minha passagem, mas acima de tudo quero que na minha lápide se escreva: “O mundo ficou melhor com a sua passagem.” Continuar a ler “Mundar”

Poeta

Um conjunto de frascos e pincéis de diferentes cores

Sou um poeta. Não sou um poeta.

Quer dizer, sou um poeta. Não no sentido tradicional. Não sou o Vinicius ou o Pessoa. Não sou o Poe ou o Tê ou o Saint-Exupéry. Gostava de ser mas não sou.

A minha poesia não é cantada apesar do meu esforço. E olhem que não é pouco. E não é pintada. Essa nunca tentei muito. O meu poema não é de pausas e notas. Não é de pedra e martelo. Não é poesia ensinada, nem poesia praticada. Continuar a ler “Poeta”

Cuidado aí no céu

Uma fotografia de um jornal com oTarzan Taborda

Sempre o ouvi. Nunca o vi. Mas era sempre forte e destemido. Sempre com o sotaque carregado. Cheio de personalidade. Era um gladiador português. Dizia que dava conta deste e daquele. Que aniquilava o outro e mais aqueloutro. E aí de quem se metesse com ele! Era um dos bons, dos genuínos. Na fantasia juvenil ele representava um misto de herói com homem simples.

Tinha uma clínica onde ajudava a tratar problemas de saúde e que a minha mãe ainda frequentou aqui em Lisboa. Continuar a ler “Cuidado aí no céu”

Edukadores

Cartaz do filme: Os Edukadores

Hoje fui assistir a este filme de produção alemã. Confesso que sou fã de filmes americanos, de grandes efeitos especiais, de tramas padronizados e de personagens estandardizadas. Acho que me agrada passar aquele tempo cheio de fantasia fácil e cómoda. Cheio de coisas extraordinárias e simples, sem profundidade e que me divertem. As produções europeias, sem generalizar claro, tendem para um modelo que me aborrece. Recorrem muitas vezes a conceitos mentais, densidades que me entediam e que não acho muito diferentes das americanas. Apenas noutro modelo, noutro comprimento de onda. Existem sempre excepções e já tenho visto produções nacionais e europeias que me agradam muito. Recordo por exemplo o “Fala com Ela” do Almodôvar. Continuar a ler “Edukadores”

Quero tanto, tanto, tanto…

Vista do Rio, com o Pão de Açucar ao fundo

Tenho uma daquelas pulseirinhas dos desejos que me trouxeram do Brasil, da Nossa Senhora da Bahia. Elas são óptimas, fáceis de pôr, sem nenhuma espécie de regra, e se esfregarmos as mãos em rochas, facas, lixas ou qualquer outra coisa do género (natureza cortante) a mesma desfaz-se e lá se concretiza mais um desejo.

Acho óptimo!

Ainda por cima nunca ninguém sabe ao certo como funcionam. Continuar a ler “Quero tanto, tanto, tanto…”

Tudo Arrumadinho

Cds desarrumados e outros que tais

Gosto muito de gavetas, sempre gostei. Aquele cheiro de madeira, os forros de papel colorido, os saquinhos com lavanda. Gosto de gavetas: de cuecas, de meias ou de t-shirts. Gosto das que têm papel e canetas coloridas, ou das que guardam as cartas e os postais das viagens. Gosto das que guardam os bilhetes que vamos reunindo com o tempo.

São úteis e são práticas. Julgo que quem pensou: “eh pá, e se neste armário eu metesse umas coisas que dessem para puxar e voltar a meter para dentro, onde se pudesse pôr tudo e mais alguma coisa, arrumar coisas, que bela ideia seria”; era realmente um génio. Continuar a ler “Tudo Arrumadinho”

“Pra que somar se a gente pode dividir”

Neste último fim de semana vivi uma experiência extraordinária. Voltei à Festa do Avante!

Foi bom, mas foi surpreendente. Tanta, mas mesmo tanta gente. Milhares e milhares…

Não costumo gostar de banhos de multidão, do suor na cara, dos encontrões, da falta de espaços para nos sentarmos e até de casas de banho públicas, mas gostei de estar lá. Gostei de participar numa festa de tanta diversidade. Com tanta gente de tanto lado, de tantos feitios, de tantas idades. Continuar a ler ““Pra que somar se a gente pode dividir””