Poeta

Um conjunto de frascos e pincéis de diferentes cores

Sou um poeta. Não sou um poeta.

Quer dizer, sou um poeta. Não no sentido tradicional. Não sou o Vinicius ou o Pessoa. Não sou o Poe ou o Tê ou o Saint-Exupéry. Gostava de ser mas não sou.

A minha poesia não é cantada apesar do meu esforço. E olhem que não é pouco. E não é pintada. Essa nunca tentei muito. O meu poema não é de pausas e notas. Não é de pedra e martelo. Não é poesia ensinada, nem poesia praticada. Continuar a ler “Poeta”

Cuidado aí no céu

Uma fotografia de um jornal com oTarzan Taborda

Sempre o ouvi. Nunca o vi. Mas era sempre forte e destemido. Sempre com o sotaque carregado. Cheio de personalidade. Era um gladiador português. Dizia que dava conta deste e daquele. Que aniquilava o outro e mais aqueloutro. E aí de quem se metesse com ele! Era um dos bons, dos genuínos. Na fantasia juvenil ele representava um misto de herói com homem simples.

Tinha uma clínica onde ajudava a tratar problemas de saúde e que a minha mãe ainda frequentou aqui em Lisboa. Continuar a ler “Cuidado aí no céu”

Edukadores

Cartaz do filme: Os Edukadores

Hoje fui assistir a este filme de produção alemã. Confesso que sou fã de filmes americanos, de grandes efeitos especiais, de tramas padronizados e de personagens estandardizadas. Acho que me agrada passar aquele tempo cheio de fantasia fácil e cómoda. Cheio de coisas extraordinárias e simples, sem profundidade e que me divertem. As produções europeias, sem generalizar claro, tendem para um modelo que me aborrece. Recorrem muitas vezes a conceitos mentais, densidades que me entediam e que não acho muito diferentes das americanas. Apenas noutro modelo, noutro comprimento de onda. Existem sempre excepções e já tenho visto produções nacionais e europeias que me agradam muito. Recordo por exemplo o “Fala com Ela” do Almodôvar. Continuar a ler “Edukadores”

Quero tanto, tanto, tanto…

Vista do Rio, com o Pão de Açucar ao fundo

Tenho uma daquelas pulseirinhas dos desejos que me trouxeram do Brasil, da Nossa Senhora da Bahia. Elas são óptimas, fáceis de pôr, sem nenhuma espécie de regra, e se esfregarmos as mãos em rochas, facas, lixas ou qualquer outra coisa do género (natureza cortante) a mesma desfaz-se e lá se concretiza mais um desejo.

Acho óptimo!

Ainda por cima nunca ninguém sabe ao certo como funcionam. Continuar a ler “Quero tanto, tanto, tanto…”

Tudo Arrumadinho

Cds desarrumados e outros que tais

Gosto muito de gavetas, sempre gostei. Aquele cheiro de madeira, os forros de papel colorido, os saquinhos com lavanda. Gosto de gavetas: de cuecas, de meias ou de t-shirts. Gosto das que têm papel e canetas coloridas, ou das que guardam as cartas e os postais das viagens. Gosto das que guardam os bilhetes que vamos reunindo com o tempo.

São úteis e são práticas. Julgo que quem pensou: “eh pá, e se neste armário eu metesse umas coisas que dessem para puxar e voltar a meter para dentro, onde se pudesse pôr tudo e mais alguma coisa, arrumar coisas, que bela ideia seria”; era realmente um génio. Continuar a ler “Tudo Arrumadinho”

“Pra que somar se a gente pode dividir”

Neste último fim de semana vivi uma experiência extraordinária. Voltei à Festa do Avante!

Foi bom, mas foi surpreendente. Tanta, mas mesmo tanta gente. Milhares e milhares…

Não costumo gostar de banhos de multidão, do suor na cara, dos encontrões, da falta de espaços para nos sentarmos e até de casas de banho públicas, mas gostei de estar lá. Gostei de participar numa festa de tanta diversidade. Com tanta gente de tanto lado, de tantos feitios, de tantas idades. Continuar a ler ““Pra que somar se a gente pode dividir””

Realismo

Não sou apreciador do realismo. Não me refiro à corrente literária, mas àquele realismo ao qual as pessoas se agarram: “De um modo realista, tal e tal. Sejamos realistas, é preciso bla bla bla. Não nos acusem de falta de realismo…”

Não gosto! Acho que o realismo foi algo inventado pelos pessimistas deste mundo para se justificarem, para explicarem as suas posições ou para se desculparem quando as coisas correm mal. Continuar a ler “Realismo”

“A Revolta dos Keridos”

Eu a sorrir e atrás na parece escrito: No sabia que ponerme y me puse feliz

– És um kerido! – já me o disseram muitas vezes. (ou querido, dependendo do contexto escrito ou oral) – Mesmo, mesmo. – reforçam.

Acho que existe, e sempre existiu, um desafio essencial no relacionamento entre os homens e as mulheres. Não sei a que se deve, mas é evidente. Os padrões, os valores, as prioridades, a forma de se expressarem são por vezes opostas. Continuar a ler ““A Revolta dos Keridos””