Acordei para vos dizer o que sinto

Acordei para vos dizer o que sinto

Acordei para vos dizer o que sinto. Porque o sinto muito importante. Porque hoje acordei a chorar. Porque ás vezes nos esquecemos. E porque esse é o meu propósito: dar-vos o que tenho de melhor! Há uma ordem à vida. Ia dizer um propósito, mas esse é individual e pessoal e por isso cada um tem de encontrar o seu. Mas há uma ordem.

Neste universo todos estamos ligados uns aos outros, pelo tempo e pelo espaço, de formar por vezes óbvias e tantas outras subtis. Ligados a pessoas, ligados a eventos, ligados entre nós. Como células num corpo humano. Cada um com o seu propósito.

Não consigo hoje explicar melhor.

Quando estamos realmente acordados, atentos e vivos, e olhamos de fora e de forma abrangente para a nossa vida, percebemos que os pontos se tocam, e que existe um princípio que nos agrega.

Para os que acreditam no divino, ou em Deus, esse propósito é mais uma missão, um objectivo, pelo qual somos colocados na terra. E não importa onde estamos e o que estamos a fazer. Nunca é tarde demais ou impossível para vivermos esse propósito. Aliás esse momento onde estamos é perfeito. “Confia e assim será.”

Um filme maravilhoso chamado “Peaceful Warrior” há uma parte em que os dois personagens falam sobre as regras da vida:

Dan: A vida tem apenas três regras?
Sócrates: E tu já as sabes…
Dan: Paradoxo, humor e mudança.
Sócrates: Paradoxo…
Dan: A vida é um mistério. Não percas tempo a tentar percebê-la.
Sócrates: Humor…
Dan: Mantém um sentido de humor, em especial sobre ti próprio. É uma força incumensurável.
Sócrates: Mudança…
Dan: Sabe que nada permanece imutável.

Hoje estou aqui para vos dizer. Esse propósito, essa ordem não é para entender, é para acreditar. Ser advogado, mecânico, indefinido (sim isto é para todos os meus queridos amigos), todos temos um propósito. Mas a magia de se estar vivo não é descobrir o propósito. Ele vai sempre fugir-nos. É vivê-lo porque ele é nosso. E para isso precisamos de fé e de acreditar. Porque o entendimento ou a procura do entendimento é da cabeça e o propósito é do coração.  E não é uma fé religiosa, é uma fé profunda na vida, no viver, e no ser humano.

Hoje estou aqui para vos dizer. Esse princípio agregador, essa cola infinita, doce, absoluta e magnífica é amor. Simplesmente amor.

E por isso, a melhor forma de encontrarmos a nossa orientação, um mapa que nos guie nesta vida, um percurso que nos devolva a verdade e a alegria de viver, é o fazer aquilo que amamos. Aquilo que quando fazemos nos devolve a nós. Um silêncio completo, cheio e abundante, que nos permite olhar para tudo com um olhar sereno e forte. Fazer o que amas.

PS: Às vezes tenho dificuldade em conseguir pôr em palavras o que sinto e por isso atiro todas as minhas emoções para o que escrevo na esperança que mais que as palavras os sentimentos e as emoções vos cheguem.

 


Bernardo Ramirez
www.bernardoramirez.com
“Escrevo coisas, gosto de pessoas, procuro ligações com sentido”

Escrito a 16 de Outubro de 2009, quando estava a viver em Angola. Podem ler mais aqui.

Cinco frangos ou a arte de celebrar o aniversário em Angola

Cinco frangos ou a arte de celebrar o aniversário em Angola

Adaptado de um texto escrito em Luanda, a 5 de Abril de 2010

Continuo a viver surpreendido com as diferenças culturais entre Portugal e Angola. Depois deste tempo aqui em Angola, que agora já somam cerca de quatro meses, continuo a sentir que não pertenço aqui. Na realidade, reconheço em mim parte da responsabilidade de não me entregar a este povo e a este país, mas ainda não encontrei uma forma diferente de estar.

O que vos relato a seguir é verídico. Aliás como tudo o que escrevo. Espero que vos divirta e que vos transmita alguma mensagem interessante. Farto-me de aprender com os meus próprios desafios e erros.

Há alguns meses, quando descobri que vinha para cá na altura do aniversário da Cecília e do meu, fiquei triste. Não se podia fazer nada, e acabei por aceitar a condição de que, pela primeira vez na vida, ao fim de 35 anos, estaria fisicamente longe dos que amo e estimo no meu aniversário. Continuar a ler “Cinco frangos ou a arte de celebrar o aniversário em Angola”

Mais Tempo para Quê?

Mais Tempo para Quê?

escrito em Luanda, a 4 de Março de 2010

Hoje, na televisão, vi um documentário muito interessante. Falava do envelhecimento das mulheres e da forma como no futuro essa será cada vez uma questão mais importante. A pergunta, para mim, mais interessante era: Para que queremos nós viver sempre mais tempo se temos tanto medo de envelhecer?

As estatísticas são assustadoras; dois terços das pessoas com mais de 65 anos, nos Estados Unidos da América, são mulheres. E oitenta e sete por cento das cirurgias plásticas feitas são a mulheres. Continuar a ler “Mais Tempo para Quê?”