Tempo certo

Tempo certo ou deixa a vida me levar

Uma das descobertas incríveis que tenho feito na minha vida é uma de partilha difícil. Falar de ritmos, de tempos, de forças superiores, e de tudo o que está associado a isso é algo no mínimo polémico. Há umas semanas atrás, quando conversava com uma das amigas que cá tenho ela dizia: “Sabes Bernardo, aprendi que o melhor é deixar a vida me levar.”

Confesso que encontro nestas palavras muita sabedoria, e tento, sempre que sou capaz, seguir à letra a sabedoria que elas contêm. Continuar a ler “Tempo certo”

Novas formas de aprendizagem

Novas formas de aprendizagem

Há algumas semanas atrás tive uma conversa com a minha querida amiga VA sobre formas de aprendizagem e sobre o conhecimento. Já várias vezes tinha surgido o debate sobre a influência da televisão e da internet na aprendizagem, do quão prejudicial é a falta de leitura por parte das pessoas, como isso pode prejudicar a aquisição do conhecimento.

Também é irrefutável que a grande maioria dos requisitos e exigências de conhecimento têm vindo a diminuir. Vi em algum lado que explicavam que perguntas, que antigamente eram usadas para alunos do 10º, agora eram aproveitadas nas mesmas cadeiras nos exames do 12º. Continuar a ler “Novas formas de aprendizagem”

Ralações (ou medo da mudança)

Ralações ou medo da mudança - O Pong na varanda

Fico sempre surpreendido com a forma radical e extraordinária com que nos agarramos a razões para manter as coisas como estão. Dizemo-nos sempre que temos de ter calma, que pode ser que as coisas mudem, que não se pode desistir assim, ou outra razão qualquer.

Mas ficamos na dor vidas inteiras. Empregos da treta, relações medíocres, relações familiares dependentes, vícios variados, dependências múltiplas. Continuar a ler “Ralações (ou medo da mudança)”

Sentido de Humor

Sentido de Humor - Uns postes de madeira presos por corda

Costumo dizer aos meus amigos que Deus, ou Isso, ou a Entidade Suprema, ou o Extraterrestre Divino, ou o que lhe queiram chamar tem imenso sentido de humor.

De alguma forma esta Entidade coloca-nos sempre em situações de humor hilariante. Quando falamos mal de alguém e descobrimos que essa pessoa está atrás de nós. Ou quando não queremos ver alguém e essa pessoa vai trabalhar para o escritório à frente do nosso, ou para a secretária do lado. Quando somos vegetarianos e o nosso chefe ou os pais do nosso namorado nos fazem um almoço de picanha. Na realidade, quando queremos fugir de algo e somos sempre empurrados de encontro ao que queremos fugir. Continuar a ler “Sentido de Humor”

Mana Linda

A minha Mana Linda

Há muitos anos atrás a minha irmã decidiu que ela seria, na minha vida, a mana linda. Na realidade isso corresponde rigorosamente à verdade: é minha irmã e é linda. Aconteceu quando descobriu que no telemóvel o nome dela era o nome do BI. Não, disse ela, sou a Mana Linda.

Desde que nos encontrámos, há muitos anos atrás, tinha eu 11 anos e ela acabada de nascer, foi amor instantâneo. Bem quase instantâneo, que nos primeiros anos ela só gostava mesmo era de chorar, e particularmente de chorar nos meus braços. Continuar a ler “Mana Linda”

Entre o amor e a paixão

O cartaz do filme Captain Corelli's Mandolin

Ontem, na minha insónia, dei mais uma vista de olhos ao filme Captain Corelli’s Mandolin. Há uma parte onde um pai explica à filha (e também personagem principal Penelope Cruz) a diferença entre paixão e amor. Vale a pena ler:

When you fall in love, it is a temporary madness. It erupts like an earthquake, and then it subsides. And when it subsides, you have to make a decision. You have to work out whether your roots are become so entwined together that it is inconceivable that you should ever part.
Because this is what love is.
Love is not breathlessness, it is not excitement, it is not the desire to mate every second of the day. It is not lying awake at night imagining that he is kissing every part of your body.
No… don’t blush. I am telling you some truths.
For that is just being in love; which any of us can convince ourselves we are. Love itself is what is left over, when being in love has burned away. Doesn’t sound very exciting, does it? But it is!”
Continuar a ler “Entre o amor e a paixão”

Ode aos amigos

Praça de Alvalade, em Lisboa, num fim de tarde

A questão associada a quem são os nossos verdadeiros amigos é uma dúvida comum a todos os seres humanos. No período da adolescência, ou da pré-adolescência, essa questão tem uma dimensão maior. “Este é o meu melhor amigo”, “Aquela é uma grande amiga”; sentimos a necessidade de arrumar e organizar os nossos sentimentos, definir uma ordem de prioridades.

Agora, um pouco mais velhos as questões são outras. Lembro-me bem de um cartoon que dizia: “Um amigo pode não ser capaz de te puxar para cima, mas faz tudo para não te deixar cair.” Hoje já não sei bem se assim é. Continuar a ler “Ode aos amigos”

Mundar

Um nascer do sol no horizonte com árvores a fazerem sombra

Quero ser daqueles que mudam o mundo. Quero ser um Frank Lloyd Wright. Quero ser um Vinicius de Moraes. Quero ser uma Madre Teresa. Quero ser um Jim Rohn. Quero…

Quero que daqui a mil anos toda a gente saiba quem fui. O que fiz e como o mundo mudou pela minha passagem, mas acima de tudo quero que na minha lápide se escreva: “O mundo ficou melhor com a sua passagem.” Continuar a ler “Mundar”

Poeta

Um conjunto de frascos e pincéis de diferentes cores

Sou um poeta. Não sou um poeta.

Quer dizer, sou um poeta. Não no sentido tradicional. Não sou o Vinicius ou o Pessoa. Não sou o Poe ou o Tê ou o Saint-Exupéry. Gostava de ser mas não sou.

A minha poesia não é cantada apesar do meu esforço. E olhem que não é pouco. E não é pintada. Essa nunca tentei muito. O meu poema não é de pausas e notas. Não é de pedra e martelo. Não é poesia ensinada, nem poesia praticada. Continuar a ler “Poeta”