Deixem-nos ser o que querem

Parece que não vos deu trabalho suficiente! Não estão satisfeitos? Descobrirem a vossa sexualidade, respeitá-la, pô-la em prática, foi fácil para vocês?

Explico-vos o que passa. Parece que a Adele foi fotografada com o seu filho de 3 anos vestido de Anna. E esse “acontecimento” gerou a maior polémica nos EUA. E mais uma vez veio ao de cima o debate sobre as normas de género, sobre as regras sociais, e sobre as escolhas e orientações sexuais dos pais e dos filhos.

Sinceramente não consigo conceber uma crítica de qualquer espécie a alguém que permite que o seu filho de 3 anos escolha o que quiser. Mais ainda porque a liberdade é a melhor formadora de carácter que existe. E o direito à descoberta e à escolha retira uma grande quantidade de ansiedade social que todos os adolescentes sofrem.

Eu sofri. Muito. E imagino que muita gente também. Durante muito tempo só me rodeie de raparigas e fui alienado pelos rapazes. Houve momentos até em que questionei as minhas escolhas sexuais e as minhas preferências. E aos 42 anos, cada vez mais acho, que essas escolhas e decisões não estão escritas na pedra.

Lembro-me em particular de um carnaval, com 9 ou 10 anos em que me queria mascarar de mulher, e um dos homens da minha família me dar a entender que isso era errado e de me sentir profundamente marginalizado por uma coisa que sentia como apenas inocente.

Acredito na liberdade do amor e da sexualidade. Acredito na experimentação. Acredito no direito a mudar de gostos de ideias e de sabores. Gosto dos homossexuais, dos heterossexuais, dos poliamorosos, dos monogâmicos, dos assexuais e dos polissexuais.

E acredito que quanto mais os pais permitem aos filhos a possibilidade de experimentar num ambiente seguro e cheio de aceitação, mais essas crianças se vão tornar adultos felizes, bem sucedidos e pacificados.

Por isso, sinceramente, aos que criticam o direito dos pais a libertar os filhos das cadeias da norma social, tirem a cabeça do cu e olhem para vocês mesmos. Procurem respeitar os vossos desejos secretos, as vossas vontades privadas, e deixem os outros amarem e educarem em liberdade.

3 comentários em “Deixem-nos ser o que querem”

  1. Concordo com a tua tomada de posição. Há por aí no ar muita gente que, incapaz de enfrentar e tentar compreender o direito à liberdade dos que não seguem ” as normas tradicionais”, dispara com comentários estúpidos e por vezes violentos. Penso que é o medo da mudança que os move. Mas, infelizmente, também há grupos de minorias que, a meu ver, só procuram confrontos e dar nas vistas. São sinais dos tempos. Todas as mudanças sociais provocam convulsões.
    Se gostei ? Para responder a essa pergunta que vais colocando, direi que , como tua leitora, gosto mais de viajar do que parar e pensar.

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