O pilar das relações

As relações assentam nas concessões. Sim, isso mesmo. Não é o amor, não é a paixão, não é o desejo, nem a vontade. É a capacidade que temos para, em conjunto, ceder de forma a chegar a um lugar comum. E isto é verdade para todas as relações.

Parece algo trivial e simples, ou até banal, mas não é. Saber distinguir o que nos é fundamental do acessório é, já por si, uma aventura imensa. Porque tantas vezes descobrimos que aquilo que nos parece fundamental é acessório, e algo que achamos pouco importante acaba por ser fundamental.

Então a pergunta é sempre: vale a pena ser intransigente neste ou naquele ponto? E se a resposta for não, ceder.

Porque é desse espaço de cedência, daquilo que cada um leva para a relação, daquilo que cada um sacrifica, que assenta o amor comum. Que depois pode ter muitas coisas: amor, tesão, vontade, amizade, cumplicidade. Mas que começa sempre pela cedência.

Para mim isto é um grande desafio. Primeiro, saber o que é essencial. Segundo, ser capaz de o verbalizar. Terceiro, ser tão flexível no resto, quando inflexível nesse ponto. E por último, depois de descobrir, identificar, verbalizar; conseguir que o outro nos entenda.

Que ambos consigam entender que a escala de valores de um não é a do outro, e que para este assunto em particular um deles vai ter de se lembrar, respeitar e cumprir com o que tem valor para o outro.

Vejo muitas relações falharem. Vi-me falhar em muitas relações. E foi sempre por essa razão. Porque não fui capaz de ceder no que era importante para a outra pessoa, ou ela ceder no que era importante para mim. Ou não fomos capazes de nos entender ou de nos fazer entender o suficiente.

E por isso tanta gente se desilude. Se sente só. E não é capaz de uma relação a dois. Porque, ao olhar para a relação pôe-se em primeiro lugar e acha: “tenho o direito de”, “mereço tal e tal”, ou “se gosta de mim tem de”…

E realmente a relação só se constrói pelo que se dá, por aquilo que se leva, pelo que se sacrifica.

Assim, respiro fundo, dou um passo atrás, olho para o que se passou. E penso: “Não, isto não é importante o suficiente”, ou “Ainda não fui capaz de me explicar o suficientemente bem”. E volto a tentar.

” O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca acaba”, 1 Coríntios 13:4-8.

por Bernardo Ramirez

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