Oh mãe, estão aqui uns bruxos!

Sempre gostei do invisível. Aquele invisível que inclui o que não se pode explicar ou entender com simplicidade. A fé, a energia, a astrologia, o amor… E talvez por isso sempre me tenha apaixonado pelas coincidências, aquelas que as pessoas mais bem dispostas e inspiradas chamam sintonia. Pela minha vida já experimentei muitas coisas, mas há uma qualquer magia naqueles momentos incríveis em que sentes que tudo se conjuga de forma extraordinária. Esta é uma dessas histórias.

Estávamos no verão, estávamos nos Açores, estava com 15 amigos, estava muito, muito feliz. Foram umas das melhores férias da minha vida. E desejo ardentemente voltar a essa terra tão extraordinária. Mas lá estávamos nós nessa bela terra. Numa das ilhas. Numa qualquer noite de copos e aventuras.

Numa determinada altura, o meu amigo João e eu entrámos num bar ou restaurante e sentámo-nos no balcão. Do outro lado, uma rapariga está a servir-nos. Segundo me lembro éramos os únicos clientes.

É importante ressaltar que nesta fase da minha vida estudava activamente astrologia. E uma das coisas que gostávamos de fazer era tentar descobrir qual seria o signo da pessoa. E era comum sermos capazes de o adivinhar, principalmente depois de algum tempo na conversa.

E lá estávamos nós a falar com a rapariga. Conversa para aqui, bebida e comida para ali. E, de repente, um de nós vira-se para ela e pergunta: “Quando é que fazes anos?”. Ao que ela respondeu o que muitas pessoas respondiam: “Mas porquê?”.

Olhámos um para o outro e ao mesmo tempo dissemos: “16 de Março?” (atenção que não me lembro da data, esta é só a título de exemplo). E, nesse instante, olhamos um para o outro e damos um salto de alegria por termos dito o mesmo dia, ao mesmo tempo. E nem o signo, o dia!!!

Mas quando nos viramos para a rapariga foi ainda mais incrível. Ela olhava-nos com um ar de metade surpresa, metade medo. Conseguia sentir na cabeça dela a tentativa de perceber como seria possível nós sabermos o dia de aniversário dela. Tínhamos adivinhado!

Olhámos um para o outro e ainda ficámos mais eufóricos. Aos saltos, alegres, entusiasmados, descrentes. Mas o que se passou a seguir foi ainda mais incrível. A rapariga, ainda meio surpreendida e em choque vira-se para umas escadas e grita: “Oh mãe, estão aqui uns bruxos!”

por Bernardo Ramirez

2 comentários em “Oh mãe, estão aqui uns bruxos!”

  1. Fantástico! Sem dúvida uma vivência única, a não esquecer. Como foi possível? Uma incognita para a qual nem tu nem o João, que andavam na altura em busca de justificações comportamentais, encontraram resposta. A jovem, porém, na sua ingenuidade.encontrou a sua resposta.

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