Relações: sorte ou ciência?

Um dos grandes desafios, a que assisto quase diariamente no meu círculo de amigos, é a dificuldade de criar e manter relações amorosas duradouras. Muitas pessoas vêem-se numa situação onde acabam por generalizar: os homens não querem compromissos, ou todas as mulheres boas já têm namorados, etc. E a pergunta que fica sempre é: será que as relações amorosas são uma questão de sorte ou uma ciência?

Ontem falava com uma amiga sobre o seu coração. Que o dela estava partido. Felicitei-a muito. Porque partido significava que já estava fora da caixa, onde o tinha guardado por tanto tempo (lembrei-me logo desta tira de banda desenhada). E disse-lhe: “Agora já sabes que é mais fácil. Que é só reparar o coração, deixá-lo cicatrizar e tentar de novo.”

Ela respondeu que para mim era fácil sugerir isto. Disse-me que era o homem sempre correspondido. Que se fosse assim ela também o faria.

Mas, na verdade, nada podia estar mais longe da verdade. Como está tão bem explicado aqui.

Para mim, não é nada uma questão de sorte. Acho que o meu “sucesso” no amor resulta apenas de duas coisas fundamentais. A capacidade de insistir, e a habilidade não ficar preso na dor.

Insistir, porque no meu caso particular tentei muitas vezes, muitas vezes. Porque me apaixono facilmente, porque amo as pessoas. Vivo sempre a aventura de estar vivo com amor. E por isso, das mil mulheres que amei e amo, tive a sorte que algumas me tivessem correspondido.

Porque o meu coração já se partiu muitas vezes. Porque me diziam: “Só te vejo como amigo”, “Desculpa, mas não te vejo assim”, “Quem sabe um dia mais tarde”, “Quem sabe noutra vida”, “Tu és um querido, mas…”.

Claro que isto também significa que tentei muitas vezes, e que não tive medo de ir atrás daquilo que queria. E, como levei muitos nãos, alguns foram sim.

E a segunda capacidade é que não fico preso na derrota, no desencontro, na circunstância do amor não correspondido. Doí? Sim, doí muito. É triste? Sim, é triste. Custa? Sim, custa. Mas aprendemos, crescemos, percebemos os limites e como fazer. O ritmo e a cadência do fortalecimento das relações, do amor e da sedução.

Por isso, aprendi a promover-me. A ir ultrapassando os desafios, seduzindo e conquistando. Sem desistir daquilo que realmente quero.

E por isso criar relações, dar-lhes forma não é arte, é ciência. Resulta da persistência, da aprendizagem e da repetição.

Flete, flete, insiste, insiste.

 

por Bernardo Ramirez

2 comentários em “Relações: sorte ou ciência?”

  1. Mais uma partilha com um final feliz! Comento com dois ditados populares: ” Quem espera, sempre alcança.” e ” Dos fracos não reza a história.”

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