Ser gentil é sexy (Parte 2)

Quando escrevi sobre a minha convicção e desejo de que ser gentil é sexy e sobre a minha vontade que isso se transforme num super movimento social a promover a gentileza, sinto que não fui claro porque é que ser gentil é sexy.

Mas como o universo é também gentil colocou ao meu dispor um episódio que transcreve, na minha opinião, uma das razões porque ser gentil é sexy. A série é a Big Bang Theory, que se dedica a mostrar um conjunto de cientistas, demasiado inteligentes para o seu próprio bem e para a sua vida social. Aqui, Leonard, faz um discurso para alunos finalistas da escola onde estudou. Vamos a isso:

Leonard (on screen): (…) So, for the remainder of my speech, this is for the invisible kids. Uh, maybe you never fit in. Or maybe you’re the smallest kid in the school, or the heaviest or the weirdest. Maybe you’re graduating and you still haven’t had your first kiss. (…) Maybe you don’t have any friends. And guess what? That’s okay. While all the popular kids are off doing whatever, I don’t know what they were doing ’cause I was never there.(…) My point is, while you’re spending all this time on your own, building computers or practicing your cello, what you’re really doing is becoming interesting. And when people finally do notice you, they’re gonna find someone a lot cooler than they thought. (…)”.

Infelizmente, nunca fui sexy enquanto estava na escola… e na outra escola… e depois numa universidade… e depois noutra… Mas sempre me desenrasquei com o sexo oposto. Quer dizer, desde que me comecei a desenrascar. Que foi um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca.

Mas sinto que, em grande parte, o que se passou comigo, foi o que se passou com o personagem da série. Na altura do Liceu ser gentil, ser atencioso, ser sensível, ser inteligente, ser disponível para ajudar não eram características populares. Ninguém dizia: “És tão simpático com os professores, vem connosco à praia amanhã”. Ou: “És tão bom acólito que a coisa que mais desejava era ser tua namorada e que me possuísses aqui”.

Mas esse movimento gentil transformou-me num jovem adulto interessante e num adulto ainda mais interessante (desculpem a falsa modéstia). A gentileza garantiu-me aqui o que os músculos, e as bebedeiras, e o desporto, e sei lá mais o quê garantiam aos adolescentes populares do meu tempo.

Porque ser gentil é como uma boa garrafeira, uma cave perfeita, com humidade e temperaturas espectaculares. Onde o vinho (que neste caso somos nós) envelhece com sabor e qualidade. Onde cada ano nos tornamos melhores. Mais interessantes, mais cativantes, mais apaixonantes.

E tudo porque ser gentil é sexy!

por Bernardo Ramirez

4 comentários em “Ser gentil é sexy (Parte 2)”

  1. Juntaste hoje um P.S. a tentar esclarecer , não sei se a ti próprio se a quem te lê, o significado da palavra “sexy” no contexto em que a utilizaste. Nesse sentido a citação é esclarecedora. Mas, em meu entender, polémico será o facto de teres utilizado uma palavra que, pela sua etimologia, leva para um atributo físico, seja ele qual for para cada um dos teus leitores. Por isso mesmo, permito-me sublinhar um dos outros sinónimos que utilizaste no final : sexy = cativante.
    Se a gentileza te “transformou num jovem adulto interessante e num adulto ainda mais interessante”, acho que é àqueles que te conhecem que cabe esse juízo de valor. Eu, mas sou a mãe, sempre te achei interessante.

    1. AHAHAHA

      Mãe, uma das melhores coisas deste espaço é acompanhar a tua atenção e carinho sobre o que faço e escrevo. Obrigado por sempre estares aí.
      Contador de Bernardo ser interessante: +1

      hehehehehe

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