Ser infeliz é irreversível

Na viagem que representa a nossa vida, um dos fenómenos mais surpreendentes é a dificuldade que as pessoas têm em ser felizes. Vejo regularmente pessoas que vivem tristes, infelizes e até miseráveis e que, ainda mais assustador, aceitam essa condição como uma característica essencial da sua vida, ou permanente. Como se dissessem: ser infeliz é irreversível.

Esta crónica começou com uma publicação de uma amiga (que podem ver aqui) onde se referia que ser feliz ou infeliz não afeta a saúde. Um estudo realizado pela Universidade de Oxford demonstrou que não há correlação entre a infelicidade e a mortalidade. (podem ler o artigo aqui).

A minha amiga que publicou este tema não só é provocadora, como gosta de se questionar. E a conclusão do estudo não deixa de ser interessante. Mas para mim a pergunta que fica é: para quê viver uma vida longa onde não se procure a felicidade?

Claro que muitos de vocês dirão que não é por escolha das pessoas. Que a vida é o que é, e as pessoas muitas vezes se vêm sujeitas a realidades terríveis. E eu estou aqui para discordar, e dizer que independentemente da realidade de cada um, e dos acontecimentos, podemos escolher para onde queremos olhar e, acima de tudo, qual é o sentimento dominante na nossa vida.

Sou feliz, a maior parte do tempo. Tenho as minhas dificuldades e desafios, como todos, mas sei que hoje sou mais eu, mais feliz e mais pleno do que era há cinco anos, e há dez anos, e há vinte anos…

Mas sou feliz por escolha. E não pelos acontecimentos. Não sou alheio à dor, nem a infelicidade, nem à miséria, nem ao infortúnio. Ao alheio e ao meu. E trabalho ativamente para ajudar o mundo e a mim mesmo a sermos melhores. Mas não me deixo afogar na dor. Não me deixo afogar na tristeza.

Hoje sei que as pessoas vivem (não por serem infelizes ou felizes), ou sobrevivem por duas razões: ou porque têm algo na sua vida que as motiva a isso, ou porque não sabem fazer diferente. E a motivação para viver pode ser um filho, um trabalho, um pai, uma obrigação, um sentimento de dívida, um medo de morrer.

A vida é independente da forma como olhamos para ela. Mas eu quero viver, gosto de viver, amo viver, e prefiro construir e viver a minha vida, as minhas muitas décadas que ainda tenho para viver com alegria, com felicidade, com amor e com humor.

E a cada um cabe fazer a sua escolha.

por Bernardo Ramirez

Um comentário em “Ser infeliz é irreversível”

  1. Ainda bem que te mantens fiel a essa tua postura. Claro que, ao longo da vida, todos nós (felizmente!) nos vamos moldando aos desafios que nos surgem pela frente, muitas vezes sem saber muito bem como vamos conseguir não nos deixar afundar. Às vezes é doloroso e complicado. Principalmente porque a escuridão nos turva de tal modo a visão que corremos o risco de ficar cegos. Teimamos em procurar à nossa volta o farol que nos pode indicar o caminho seguro. Só que o farol está dentro de nós! Tu já encontraste o teu.Talvez até já tenhas nascido com esse conhecimento. Que bom!

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