Amor gastronómico

Amor gastrónomico - um chapéu de sol azul num fundo difuso

O meu amor é gastronómico. Prende-me pela barriga, pelo estômago, pelas tripas. Aliás o amor é tão gastronómico quanto a minha memória. Em mim tenho os sítios, as pessoas e os momentos presos de forma profunda à comida que já comi. E a memória das pessoas, das comidas, dos sítios e dos momentos aquecem-me o coração (e as tripas).

Podia falar-vos dos bifes com ovo, batata frita e imperial do Lebrinha em Serpa, durante os meus dias a trabalhar na Escola Secundária. Das línguas estufadas de vaca, que descobri em casa de uma amiga, e que queria sempre repetir. Das conquilhas algarvias que quase todos os sábados almoçava com a minha mãe em Faro. Dos choquinhos com tinta que comi com o meu pai, a minha avó Maria e a minha tia Luz num restaurante no interior do Algarve. Podia até contar-vos que me lembro da primeira vez que comi azeitonas. Onde estava e como foi a experiência. Continuar a ler “Amor gastronómico”

Salsichas com corn-flakes

Uma tenda com um lago e umas montanhas por detrás

Estava a dormir profundamente. Como se não houvesse amanhã. Férias grandes, com amigos grandes, álcool e outras aventuras, tudo para resultar numa noite de sono profundo. Não importava sequer o facto de estar numa tenda, num saco cama. Aliás os Açores ajudavam ao sono. Era o sol, o mar salgado, a comida, a companhia, os passeios, as gargalhadas.

E estava eu a dormir ferrado quando começo a ouvir um barulho estranho dentro da tenda. A minha companheira não parava de se mexer agitada. A remexer os sacos e as malas. Em busca de algo. Que será que se passa?, reflectia em silêncio. Continuar a ler “Salsichas com corn-flakes”

A realidade é f… (lixada)

Todos nos sentimos mais ou menos desafiados pela realidade. É ela que determina o quando, o como, o qual e o onde. E essa relação com o que nos está a acontecer e onde estamos determina o grau do nosso bem estar e da nossa saúde (tanto física como mental).

Ao longo da minha vida tenho conhecido muitas pessoas que são realidadodesafiadas. Normalmente são pessoas que desejam ardentemente… Desejam amigos, desejam amor, desejam dinheiro, desejam saúde… E sofrem, sofrem muito por sentirem que não os têm, ou porque sentem que nunca os tiveram e que nunca os vão ter. Continuar a ler “A realidade é f… (lixada)”

Ode aos amigos

Praça de Alvalade, em Lisboa, num fim de tarde

A questão associada a quem são os nossos verdadeiros amigos é uma dúvida comum a todos os seres humanos. No período da adolescência, ou da pré-adolescência, essa questão tem uma dimensão maior. “Este é o meu melhor amigo”, “Aquela é uma grande amiga”; sentimos a necessidade de arrumar e organizar os nossos sentimentos, definir uma ordem de prioridades.

Agora, um pouco mais velhos as questões são outras. Lembro-me bem de um cartoon que dizia: “Um amigo pode não ser capaz de te puxar para cima, mas faz tudo para não te deixar cair.” Hoje já não sei bem se assim é. Continuar a ler “Ode aos amigos”