O que eu quero

O que eu quero - Um amor livre e multicolorido

Este fim de semana, enquanto estávamos em Portugal, convivemos com muitas pessoas e tivemos algumas conversas sobre relações amorosas (não vamos sempre ter a esse tema?). É sempre interessante ver e perceber os parceiros que se escolhem ou as situações em que nos colocamos pelas escolhas ou pela ausência delas.

Uma das histórias era que um casal se ia separar. Segundo o que soubemos isso devia-se ao facto de o marido, apesar de ter dito à mulher que estaria a fazer algo, tinha ido sair com os amigos, quando numa viagem de negócios. A mulher invocava a completa falta de confiança no marido e por isso a necessidade do divórcio.

Aparentemente esta situação parece um pouco radical, mas nunca sabemos o que realmente se passa entre duas pessoas, os precedentes, as dúvidas, as regras ou estratégias que o casal desenvolve para lidar com determinada situação.

Mas sabemos que muitas vezes, as pessoas vão para as relações determinadas em conceitos e regras pré-concebidos e que são independentes, e muitas vezes indiferentes, da pessoa com quem se está. Quase como se se cortasse a cabeça da pessoa X da foto de sonho do casamento, para se substituir por Y. E o sonho, objectivo ou plano permanecesse igual e imutável.

Da minha pequena experiência presumo que a relação deve começar o mais a zero possível. Sem grandes planos, nem expectativas. E da passagem do tempo e do diálogo ir construindo opções e soluções para o futuro. Que testadas contra o tempo se podem alterar e modificar.

Mas acima de tudo acredito que numa relação tem de haver liberdade de escolha. Que cada um tem de ter o direito de fazer o que quer, sem medo, nem vergonha, nem proibição. De forma a que não se sinta pressionado, ou obrigado, a mentir e enganar. Nem o outro se sinta atraiçoado.

Claro que essa liberdade tem de assentar num conjunto de regras definidas inicialmente por ambos, e aceites por ambos. Mas algo como: “Não aceito que ele saia com os seus amigos. Ele agora está casado comigo e os amigos dele são uns malandros.” Ou: “Ela nãop pode vestir essas roupas. É casada comigo e tem de se vestir de acordo.” parecem decisões ou comportamentos já destinados ao fracasso.

E, acima de tudo, não nos podemos esquecer, que numa relação o que acontece, é sempre responsabilidade dos dois.

por Bernardo Ramirez

 

Infiel ou e então?

Um sinal de um autocarro a dizer: salida de emergencia com um boneco a correr

Num workshop a que assisti há alguns anos, uma professora contava uma história sobre índios americanos. Uma mulher chegava perto das anciãs da sua aldeia e dizia: O meu marido foi-me infiel. E uma das anciãs respondia: E então? Junta-te a nós.

Esta talvez seja uma das mais velhas e comuns questões do mundo: a da infidelidade. O amor, ou melhor dizendo, os meandros das relações humanas, já provocaram muitos divórcios, muita violência, muita guerra, muito ódio, muita miséria, e muitos filhos de pais separados. Continuar a ler “Infiel ou e então?”