Teias que se tecem

Teias que se tecem

Muitas vezes já falei aqui sobre a forma como vejo o mundo ligado. Na realidade para mim este mundo é como uma teia onde todos estamos ligados a tudo. E cada um de nós representa o centro da teia que depois faz a ponte com todas as outras coisas, pessoas e lugares.

Às vezes ao falar com pessoas elas perguntam como é que podemos ver e sentir aquilo que não é visível. E na realidade não o sei explicar. Primeiro, porque é uma coisa muito própria de cada pessoa. E depois porque este olhar, esta forma de ver as coisas por não ter fundamento na realidade pode ser apenas algo louco ou absurdo que tenho em mim.

Apesar disso achei que valia a pena tentar pôr por palavras a forma como o sinto em mim, e porque a minha experiência vos pode ser útil e vos pode ajudar a encontrar a vossa forma de ver o mundo.

Quando ouço e vejo as pessoas e o mundo elas para mim vão criando ou não linhas que as ligam. Às vezes podem ser coisas tão subtis e invisíveis que nem consigo explicar porque é que para mim se ligam. Mas o que vejo é uma linha que liga essas duas coisas. Podem ser pessoas, ou eventos, ou locais, tanto faz, mas algo despoleta em mim o surgimento dessa ligação, pode ser uma palavra, um gesto, ou apenas algo que observo e nesse instante vejo essa ponte a nascer.

Mas para além disso essa linha tem uma intensidade, uma força. E essa intensidade também define a importância da linha ou da ligação. Algumas vezes essa linha é tão ténue e discreta que é quase invisível, outras vezes é como uma auto-estrada gigante cheia de movimento entre esses dois pontos.

Mas essa intensidade também não é similar à sua importância. Porque por vezes, em mim, essa linha ténue pode ser a suficiente para não permitir outras linhas surgirem, ou a  auto-estrada ser tão ampla que acaba por não alterar em nada a realidade que vejo.

Mas essas linhas, esses pontos ligados, vão construindo o tecido daquilo que vejo como real. Objectivo ou subjectivo em mim isso tem forma e importância e aprendi a aceitar o que vejo.

Porque na realidade a razão desta ordem e desta forma, o seu desenho, essa teia que teço em meu redor não é minha e não é definida só por mim. Aprendo a aceitar o que vejo e a perceber que o valor que tem é só meu. Não serve para julgar ou para determinar o certo e o errado. Apenas é assim em mim.

Nesta teia não há bom, nem mau, não há certo, nem errado. Apenas as escolhas que vejo fazerem e que faço e a forma como na sua teia elas permitem ou não que outras nasçam, cresçam ou morram.

Por isso não há razão no que vejo, nem ordem, nem importância. È apenas o meu mundo e o meu olhar.

por Bernardo Ramirez